O SILÊNCIO

ESBOÇOS E REVESES: O SILÊNCIO

MY BOOK (Poetry).***

AS MUDAS

Atar ao mamilo esquerdo
a dúvida, ao direito a
tempestade ?

de que fazer, afinal, o sinal
de unidade na testa

de ambos ?
*****
AMIGAS & AMIGOS, este é o meu livro, lançado ontem.
DARLAN M CUNHA. Esboços e Reveses: O Silêncio (p. 40)

L’ENFER C’EST LES AUTRES

Um olhar sempre atormentado sobre si mesmo perfaz o núcleo da peça “NO EXIT”, desta história apresentada por Jean-Paul Sartre, pela primeira vez, em 1944, na qual um homem e duas mulheres, presos no inferno de suas vidas, ou simplesmente no inferno, encetam falas e mutismos, condenados a si mesmos, incapazes de algo lúcido para moverem-se, senão sob a ótica dos inúmeros vícios do pensamento e, por conseguinte, de ações e reações que se acumulam sobre cada um. Sem saída.

Como se diz aí embaixo, o pecado, ou o erro, de Garcin (personagem) é a sua covardia, seus percalços, hesitações, soberba, mas ele está sempre pronto a se aproveitar das duas mulheres que com ele compõem o inferno dos três, instalados numa sala qualquer de uma casa qualquer – já que o inferno não é prerrogativa de ninguém, nem mesmo do Diabo.

Da frase tão famosa – “L’enfer c’est les autres !” – fica alguma certeza, alguma dúvida (Por que não eu mesmo / a ?), algo assim feito uma tela ou uma música deixada, pelo menos temporáriamente, de lado, sobre a qual ter-se-á de voltar um dia. O inferno é ali, aqui, em todo lugar. Comme un oiseau.

Darlan M Cunha

***

JEAN-PAUL SARTRE: “NO EXIT”.

JEAN PAUL SARTRE’s No Exit was first performed at the Vieux-Colombier in May 1944, just before the liberation of Paris. Three characters, a man and two women, find themselves in hell, which for them is a living-room with Second Empire furniture. Each of the characters needs the other two in order to create some illusion about himself. Since existence, for Sartre, is the will to project oneself into the future–to create one’s future–the opposite of existence, where man has no power to create his future, his hell. This is the meaning of the Sartrean hell in the morality play No Exit. Garcin’s sin had been cowardice, and in hell he tries to use the two women, who are locked up forever with him in the same room, under the same strong light, as mirrors in which he will see a complacent and reassuring picture of himself.

This play, an example of expert craftmanship so organized that the audience learns very slowly the facts concerning the three characters, is Sartre’s indictment of the social comedy and the false role that each man plays in it. The most famous utterance in the play, made by Garcin, when he says that hell is other people, l’enfer, c’est les autres, is, in the briefest form possible, Sartre’s definition of man’s fundamental sin. When the picture a man has of himself is provided by those who see him, in the distorted image of himself that they give back to him, he has rejected what the philosopher has called reality. He has, moreover, rejected the possibility of projecting himself into his future and existing in the fullest sense. In social situations we play a part that is not ourself. If we passively become that part, we are thereby avoiding the important decisions and choices by which personality should be formed. […]

TRAZIDO DAQUI:

http://www.theatrehistory.com/french/sartre002.html

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM / This document was originally published in Dionysus in Paris. Wallace Fowlie. New York: Meridian Books, Inc., 1960. p. 173-5.

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Foto do excepcional fotógrafo JABI ARTARAZ (JARTARAZ 2008). http://www.flickr.com/photos/jabitxu/2195739512/

ALGUÉM SUOU O TEU NOME

E se dêem por satisfeitos se café houver após horas e horas de samba em sol e ré, e que não se abatam pelo fato de, só depois de tais peripécias em lá e fá, saberem com quem foram ao paraíso, ou, segundo a canção, “com que roupa”.

Ah, o amor é lindo”, dizem os traumatizados, filósofos e outros alcoólatras e drogados de todo tipo; dizem e repetem que o amor é lindo, mas nada dizem da carga fenomenal do desamor que carregam consigo, o que os torna ladinos, sorumbáticos, pequenos sarcásticos. Afinal, quem fica mais de um tempo de jogo com perdedores, ecos de fraqueza em cada mutismo e em cada palavra ? Nem mesmo as tipas e os pegajosos contumazes. Verdade é que são teimosos os cegos, e pegajosas as tipas, e se acham capazes de te arrastar.

E se dêem por satisfeitos se carnaval ainda houver quando for imenso o peso na cabeça, quando a rua lhes parecer despropositada no tamanho, nas cores e odores, enfim, quando só tiverem a si mesmos por momo ou princesa decaída.

(DMC)

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Foto: Jussara. R - FLICKR

ONE DISASTER AFTER ANOTHER

Antes que novas sombras apareçam, a dança dos reptos sobre o piso instável das águas aviva-se já em cada canto, toda esquina. A gente quer e precisa descansar de algo, de tudo, mas não consegue porque há muitos membros a nos chamar, reflexões a datar-nos e a indatar-nos, meandros solícitos e barulhos mais e/ou menos poéticos. Há, sim, muita sobra no entorno, linha sempre pouca para o que o condutor do trem deseja.

Há um furo na rocha dos namorados e uma montanha saindo do mar neste instante há o consumo doentio de minúcias inúteis (estás sob e entre elas), e assim parece que só resta esquentar a comida e comer, ou, nas palavras da cantora, “descansar sem descanso” ou, como diz o refrão popular, “enquanto descansa, carrega pedras.”

Parece-me cansado o Mundo, um rarefeito ar o condena a estertores crescentes.

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Imagem: do trailer disponibilizado na Internet, do filme BLINDNESS, de Fernando Meireles, baseado no livro Ensaio Sobre A Cegueira, de José Saramago. AQUI.

PAPILLON, O Ninho do Ex-Craque

LA VITA ROSSONERA. IL DIAVOLO SULLE COLLINE IN RIO DE JANEIRO.

“Os de amanhã não existem; os de ontem já morreram; dos de hoje nada sei”.

Filosofia assim se pode ouvir e sentí-la em execução cotidiana, porque a vida parece ter se qualificado como sendo apenas um corredor de falsos brilhos e trapézios bem dispostos assimétricamente sobre seus enteados e suas fêmeas encostadas sob as gárgulas de motéis e outros tipos similares de casas de convívio a jato.

Há lixo e lixo, tropeços e tropassos de gente e de não-gente, de mais imitações de gente. E assim é que, volta e meia, tu dás com notícia de que alguém assim e assado saltou com vara errada sobre o ritual prescrito pela showciedade na qual se acha inserto e incerto.

Futebolistas e tipos da televisão e do cinema se prestam a estarem onde se os veja sempre como são e não são, de onde, de verdade, nunca saíram (Cuidado aqui. Entenda exato, se fores capaz). Emaranhados nascem, emaranham-se mais. Algo assim como o nome deste estádio aí acima: The Bird’s Nest. O nome do ninho em questão é PAPILLON, o mesmo de um livro tornado filme, com origem na história contada por Jean Genet.

Bola murcha e balão furado são termos muito usados. Um tipo, levado ontem a uma delegacia, no Rio, com um/a travesti, carrega, desde o início profissional em Belo Horizonte, um balaio cheio de tais nuanças ou configurações (usemos esta terminologia, já que estamos em máquina apropriada).

Sim, há lixo e lixo, chorume e estrume, escória e outras abominações, trastes e ningres-ningres. Lembrei-me do que valem e não valem os nomes; que eles diferem ou mesmo nada têm a ver com a estatura moral de quem os toma ou leva. Lembrei-me do grande livro do José Saramago: Os Nomes.

(DMC)

*****

Hoje de manhã fui ver meus pais, e a minha mãe disse-me ter se sentido muito mal durante a madrugada, que foi a primeira vez em toda a vida que ela teve a sensação de morte iminente, pela sensação nítida (palavras dela) de que algo a agarrava e puxava, e que não conseguia de jeito algum pedir socorro ao meu pai ao lado, devido a uma poderosa paralisia muscular, que o sistema nervoso central estava travado, e ela sentia a vida fluir, sem poder participar, a não ser como espectadora temporária.

Quando me disse que as figuras não tinham forma exata, não emitiam som e não lhe permitiam também emitir qualquer som - estas nuanças em seu depoimento me levaram aos mortos recentes e distantes na família, sendo que estas reminiscências são mais fortes numas pessoas do que em outras, pela afinidade com quem partiu.

Situação parecida a esta (a de acordar sob intensa e desagradável sensação, a cor do pesadelo) é comum, por exemplo, em alcoólatras e drogados, quando sob síndrome de abstinência; mas note bem que eu disse situação análoga, parecida, mas de origem, de uma base psíquica diferente da que ocorre com pessoas com modo de vida totalmente diverso da de dependentes químicos, ou viciados. Diverso do que motivou em minha mãe uma tenebrosa madrugada de suores frios, taquicardia, e até mesmo com sensação de acusma (pois embora ela não ouvisse vozes, havia vozes). Acusma é um tipo de delírio em que a pessoa ouve vozes de quem não está presente, ainda que não de pessoas falecidas.

Deixei-a passando roupa e cantando, e fui pra casa, mas continuarei esta análise cujo título é o de um livro do Carl Gustav Jung.

A Profecia de Mapuã
A PROFECIA DE MAPUÃ

Já ouviram falar em amor de mãe, sentiram-no muitas vezes (embora nem todo mundo nos possa dizer o mesmo), e assim, tendo em vista a natureza de tal gesto, decerto retribuíram-no alguma vez. Pois bem. Recebi um livro escrito por alguém que conheço, mas que não suspeitava tivesse algo escrito – menos ainda publicado, e não porque não tenha capacidade, não, não se trata disso. E assim é que o livro de uma pessoa aqui do bairro veio às minhas mãos.

É que em todo convívio - seja ele maior ou menor, mais ou menos íntimo, com o aspecto de uma amizade formal, ou não - sucede que muitas vezes passa-se em branco pelas qualidades das pessoas, pelo fato de serem mais reservadas, ou pelo fato de que nós simplesmente não lhes damos um jeito de abrirem para nós certas qualidades delas (lembro-me de O Homem Sem Qualidades, do austríaco Robert Musil, um dos grandes romances do século vinte – mesmo inacabado).

O livro em questão trata de aventura, viagem, amizade, um pequeno livro (62 p) escrito já com a inevitável chama de quem logo escava mais fundo dentro de si, pessoa levada a isso também pelo seu meio imediatamente circundante.

Querem beleza ? espanto ? Escrito aos 12 anos (a mãe vendeu uma vaca para financiar a publicação), repito: a mãe vendeu uma vaca, em 1992, para que se publicasse o livro com desenhos e texto de sua filha – hoje, psicóloga. Lendo-o atentamente, pode-se perceber com certa facilidade os pontos básicos de uma personalidade voltada para a busca, pelo que há de inquieto nas pessoas, de sombra e luz nelas (de certa forma, em si). Uma surpresa com qualidade é este livro de Giovana Fagundes Dos Santos.

No início, disse-lhes que todos já ouviram falar em amor de mãe, e agora lhes falo acerca do imã da literatura. Ao livro, pois.

 

“Pela última vez Gina olhou para trás, e ficou intrigada com o que viu: letras feitas com fumaça cortavam o céu com uma única palavra: “medo”. Gina queria contar o que vira, mas não tinha palavras; perdera a voz e a coragem naquele momento.” (p. 16)

“Uma hora se passara e nada. Nem um lugar conhecido; nem uma rocha familiar. O relógio apontava onze horas da noite, e o pânico ia tomando conta de cada um [...]” (p. 25)

“Completamente em pânico, Carlos jogou fora o bilhete e caminhou, sem hesitar, pelo corredor que vira logo à frente. Seguiu por ele e parou, impressionado: uma parede inteira recoberta por diamantes e pedras preciosas de todos os tipos e tamanhos. Um grande defeito de Carlos era a sua ambição por riquezas inúmeras que lhe pudessem ser úteis, enfeitá-lo e servir de alimento à sua vaidade.” (p. 35)
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Darlan M Cunha
*: Sobre o livro O Homem Sem Qualidades: http://biblioteca.folha.com.br/1/27/2001052001.html

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Completam-se cinco anos sob os quais o Iraque - antiga região da Mesopotâmia, berço real da humanidade e do que ela deveria ter em alta conta - o alfabeto -, padece a barbárie cotidiana a que, sem uma palavra melhor para traduzir o que significa, chamam de War on Iraq.
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A quantidade espantosa de subterfúgios querendo mascarar a improbidade, a magnitude de tal acontecimento (molda-se e assegura-se, em parte, a partir dele, o futuro de uma nação distante, não a de uma noção equânime da Vida, pois trata-se de sobrevivência, do que só o apelo militar pode dar), é de dar êmese e hemoptise a quem ainda possua algum naco de visão sem remela nem pus com que caracterizar seus próprios dias.
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Ingênua pessoa sendo eu, parece-me que o Mundo é mesmo feito só de fracos e fortes, de interesses: “Passa cá o meu e o teu !”.
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E assim vivem todos: amarrados, iguais ao boneco aí ao lado.
(DMC)


MAR & GABINETE

Ainda que possa parecer – e parecerá – desdém, incapacidade, ou só provocação, o fato é que a poesia de Fernando Pessoa nunca me disse nada. Acho-a pífia pelos laivos filosóficos, trelas de mar absoluto, o aquém e além-mar, suas medidas do torvelinho, de mulher distante (mas o que sabia de mulheres este guardador de rebanho, quase de uma nota só ? perpetrou sandices com elas, com essa parte do rebanho ? Ofélia Queiroz, a quem ele dedicou poemas e escreveu cartas, tê-lo-ia mantido, de uma forma ou de outra, menos distante da realidade do vulto-mulher ?). Devo ressaltar que, embora quase de uma nota só, era uma nota-árvore (raízes, tronco, galhos, flores, frutos, alguma praga temporã, ecos malvazes da Natureza) com variantes, perpassando colcheias, semitons, mínimas, semínimas, sóis abemolados e sustenidos maiores. No doubt.

Pífia, não por ter sido pensada e redigida a partir de birosca ou café-bar ou bar-café que, em parte, servia-lhe de consultótio sentimental, escritório, barca dos homens, estábulo para a guarda do rebanho, por atenção a quem vai nos trens ou nos autocarros, ou coisa que o valha. Falta-lhe a alta essência, um nível inequívoco à algazarra da morte. Algo da carne do cais.

Com uma intensidade bem diferente da que há em Octavio Paz – uma poesia rara sobre os portos psíquicos, com sutil acercamento e percepção do brilho, do fastio e da náusea amorosa, enfim, uma poesia do pensamento –, a poesia do Pessoa é de pastor nervoso com seu rebanho de fim-de-tarde em bar lisboeta, tem fim quase ali mesmo, vivendo somente pela fortuna crítica dos amorosos de sempre, ou pela fortuna de três ou quatro aficcionados seus, musicantes, gente talvez com visão de banqueiro anarquista.

Não é para mim, assim como não o é uma parte do Drummond de Andrade (para mim, o melhor dele, pela introspecção quase sempre corroborada pelo trevo ou travo amargo de um sujeito definido, diferente mas não longe do desamparo psíquico e da falência social em José, está nos livros Fazendeiro do Ar, Lição de Coisas, Boitempo, As Impurezas do Branco, A Paixão Medida). Bom mesmo, caros e caras, é O Caderno Rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst.

Não são para mim as invectivas, as tolices de Oswald de Andrade. Continuo aqui nesta perdição inigualada que é Andara, do Vicente Franz Cecim; com a típica febre alta dos conhecedores, nenhuma catatonia, calando fontes abjetas, envenenando árias, áreas e águas falso-circunspectas, enfim, matando o bicho e mostrando o pau-de-sebo, pau-mulato, pau-ferro, madeira-que-cupim-não-rói.

Continuo no torniquete, bebendo feito um gambá viúvo de menina nova, com o lume feito por tinhosos, sem lei humana nem divina capazes de me levar a hipnoindutores, prossigo com a vazão das vascas e a presença de súcubos e íncubos, peixadas e comigo-ninguém-pode, não dando trela a nada que me contrarie a insônia e me banalize o sono (não sonho).

Queres poeta português ? Ei-lo: Daniel Faria. Outro ? Luís Miguel Nava.

De certo livro germânico, disse-se, com propriedade, que “es lässt sich nicht lesen” - não se deixa ler.“* (Não vejo nada aqui além do Fausto e/ou do Assim falou Zaratustra. Nem A Metamorfose, A Ratazana e/ou a Ética. Nada).

(DMC)
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*: Café A Brasileira (103 anos) frequentado por Fernando Pessoa, em Lisboa, em frente ao qual há uma estátua dedicada a ele.
*: O trecho entre aspas em negrito foi trazido do sítio da Tatiana, no wordpress.com
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Conta-se que a cama é fruto de desculpa esfarrapada, para uns; para outros, um imperativo do corpo, mais do que da mente. Mas de qual tipo se fala, se há camas de solteiro e de casado ? para um só dia e para mais longas estadias ? camas chamadas de maca, cuja estrutura pode ser para hospital em tempo de paz, ou modificadas para tempos de guerra ?

De qual delas se fala ? Sabe-se que a igreja condena este apetrecho cotidiano, por julgá-lo receptor da volúpia, sicário da preguiça, antinomia e sinonímia capazes de reger o mundo de tantos, senão o de todos… sim, este arrazoado é antigo, é de antes do tempo em que nas cavernas o cocô dos morcegos forrava o imaginário dos bípedes que sobre ele estendiam palhas e couros para dormir, comer, beber, guerrear, grunhir, jogar, fornicar e jogar (jogar é antigo, tem mil tempos mais que o seu nome latino Homo ludens), mas não se sabe quando o Homem começou a e deixou de sorrir.

Da antropologia e do alfabeto se sabe algo a respeito do por quê vieram como necessidades do Homem, mas o mesmo não se pode dizer da inútil paisagem forjada pela psicologia clínica quando, por exemplo, intenta explicar o bélico em cada um e em todos os humanos, a tendência ao belo… e outras tangências e outras “histórias das infâmias universais”. *

A cama, senhoras e senhores, ainda que seja a mais coerente sensação dentre as vossas divagações e o mais protelado dos segredos, precisa que se lhe feche de vez em quando as pernas, que se lhe dê de ombros de quando em vez, como o fazemos com uma canção ou um livro que se deixa de lado por algum tempo, devido ao uso contínuo ou ao fato de não se concordar mais com ele, quando não pelo fato de algo melhor ter surgido.

A cama é espera, duna e nuvem, certeza de palpitações das duas inenarráveis algazarras que sobre nós arremetem com o seu inexorável domínio (lembro-me dos poemas Congresso dos Ventos e Colóquio dos Violentos*): as antípodas irmãs gêmeas: sexo e morte. Estuda-se até a exaustão a libido, mas é como no futebol: quem entende mesmo de futebol é só a bola. A bola. A libido não é jogo só para se beber, comer, guerrear, grunhir, fornicar e dormir, e não será na cama que terás a resposta, se é que resposta plausível

há, e se é que procuras alguma. Quando se inventará e se inventariará mesmo o Riso ? Resolverá algo o Riso ? Será vendido a quanto o Riso ?

foto e texto: DMC
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*: JORGE LUÍS BORGES. História Universal da Infãmia.
*: JOAQUIM CARDOZO. Poesias Completas.

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