ficar ou não

ficar ou não

THE PLACE WHERE DREAMS COME TRUE… OH, YOU LIE !

Trasanteontem, nos EUA, um homem de trinta anos acertou velhas e insolvíveis contas com seus / suas algozes, matando dez pessoas . Velhas pela estrutura sociológica e psicológica que o afligiam, enfim, sendo donas do seu rumo pessoal as estruturas familiar, nacional e pré-nacional (judeus, protestantes, muçulmanos, quackers, etc), sendo assim retrógradas; insolvíveis, por estes mesmos motivos e por outros mais que nem vou enumerar e analisar aqui. Sei o que aconteceu, embora a tv não saiba dizê-lo, embora jornalistas sejam pífios demais para tais embates nas profundezas da psique, e até mesmo inúmeros psicólogos/as, psicanalistas e afins. Então, a notícia é só outro ramo seco na manhã, outro inchaço do fole social. A água e o descontrole psíquico são mesmo muito antigos. Nada de patéticos. Mais que movimentos perstálticos ou ondas do mar em descontrole total.

ALABAMA SHOOTER “UNHAPPY AT FAILED DREAMS”.

Abrir de fato as mãos parece requerer tanto que, por mais que se esforce a pessoa, cada um tem na sua medida o combate do Outro, os muros para o Outro.

Escrevo isto imediatamente após começar a ler a apresentação de um sistema ou método de percepção da mente, melhor, de procura, por meio do estudo, de se entender e ajudar pacientes com necessidades prementes psíquicas. Foi postado por pessoa de minha distinção, e o enfoque ali dado deve ser lido com calma, para não se cometer erros cabais, ingratidões, etc, já que a pressa é inimiga da exatidão, de se chegar próximo a ela, porque lá nunca se chegará – ou tudo estaria perdido, porque seria o fim do estímulo ao impulso natural e irreversível à procura – grão maior de que é feita a humanidade de cada um.

Anteontem, ontem, hoje e amanhã, nalgum lugar do mundo, alguém acertou e acertará aquelas que, até então, permaneciam como sendo invisíveis e insolvíveis contas com os e as algozes que o/a cercavam. Decerto, há maneiras e maneiras de se levar a cabo tal acerto.

12 de março

Escrevi esse texto hoje, 12-03, logo após eu ler “Constelações Familiares”, postado por Maria de Lurdes, na Página dela, no sedruL, no dia 09-03- 2009.

Falas antigas

Falas antigas

Miguel Ângelo Buonarroti deu sua última pincelada na Capela Sistina. Desceu de lá, nem triste nem alegre, esticou pernas e braços, foi para uma taberna onde bebeu vinho e comeu uma lasca de cordeiro, e foi para a mulher que o esperava. Para ele (e para mim) a mulher era o portal musical, pintura, pó reativo, única escultura reagente, reacionária, carbonária.

Miguel morreu no ano 1519, insatisfeito com seus trabalhos – como é de praxe nos grandes artistas (poucos) e nos grandes escritores (poucos, dentre os quais estou), mas algo apaziguado pelas lâminas da calma e da calamidade, do amor e do desamor das mulheres.

O SILÊNCIO

ESBOÇOS E REVESES: O SILÊNCIO

MY BOOK (Poetry).***

AS MUDAS

Atar ao mamilo esquerdo
a dúvida, ao direito a
tempestade ?

de que fazer, afinal, o sinal
de unidade na testa

de ambos ?
*****
AMIGAS & AMIGOS, este é o meu livro, lançado ontem.
DARLAN M CUNHA. Esboços e Reveses: O Silêncio (p. 40)

L’ENFER C’EST LES AUTRES

Um olhar sempre atormentado sobre si mesmo perfaz o núcleo da peça “NO EXIT”, desta história apresentada por Jean-Paul Sartre, pela primeira vez, em 1944, na qual um homem e duas mulheres, presos no inferno de suas vidas, ou simplesmente no inferno, encetam falas e mutismos, condenados a si mesmos, incapazes de algo lúcido para moverem-se, senão sob a ótica dos inúmeros vícios do pensamento e, por conseguinte, de ações e reações que se acumulam sobre cada um. Sem saída.

Como se diz aí embaixo, o pecado, ou o erro, de Garcin (personagem) é a sua covardia, seus percalços, hesitações, soberba, mas ele está sempre pronto a se aproveitar das duas mulheres que com ele compõem o inferno dos três, instalados numa sala qualquer de uma casa qualquer – já que o inferno não é prerrogativa de ninguém, nem mesmo do Diabo.

Da frase tão famosa – “L’enfer c’est les autres !” – fica alguma certeza, alguma dúvida (Por que não eu mesmo / a ?), algo assim feito uma tela ou uma música deixada, pelo menos temporáriamente, de lado, sobre a qual ter-se-á de voltar um dia. O inferno é ali, aqui, em todo lugar. Comme un oiseau.

Darlan M Cunha

***

JEAN-PAUL SARTRE: “NO EXIT”.

JEAN PAUL SARTRE’s No Exit was first performed at the Vieux-Colombier in May 1944, just before the liberation of Paris. Three characters, a man and two women, find themselves in hell, which for them is a living-room with Second Empire furniture. Each of the characters needs the other two in order to create some illusion about himself. Since existence, for Sartre, is the will to project oneself into the future–to create one’s future–the opposite of existence, where man has no power to create his future, his hell. This is the meaning of the Sartrean hell in the morality play No Exit. Garcin’s sin had been cowardice, and in hell he tries to use the two women, who are locked up forever with him in the same room, under the same strong light, as mirrors in which he will see a complacent and reassuring picture of himself.

This play, an example of expert craftmanship so organized that the audience learns very slowly the facts concerning the three characters, is Sartre’s indictment of the social comedy and the false role that each man plays in it. The most famous utterance in the play, made by Garcin, when he says that hell is other people, l’enfer, c’est les autres, is, in the briefest form possible, Sartre’s definition of man’s fundamental sin. When the picture a man has of himself is provided by those who see him, in the distorted image of himself that they give back to him, he has rejected what the philosopher has called reality. He has, moreover, rejected the possibility of projecting himself into his future and existing in the fullest sense. In social situations we play a part that is not ourself. If we passively become that part, we are thereby avoiding the important decisions and choices by which personality should be formed. […]

TRAZIDO DAQUI:

http://www.theatrehistory.com/french/sartre002.html

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM / This document was originally published in Dionysus in Paris. Wallace Fowlie. New York: Meridian Books, Inc., 1960. p. 173-5.

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Foto do excepcional fotógrafo JABI ARTARAZ (JARTARAZ 2008). http://www.flickr.com/photos/jabitxu/2195739512/

ALGUÉM SUOU O TEU NOME

E se dêem por satisfeitos se café houver após horas e horas de samba em sol e ré, e que não se abatam pelo fato de, só depois de tais peripécias em lá e fá, saberem com quem foram ao paraíso, ou, segundo a canção, “com que roupa”.

Ah, o amor é lindo”, dizem os traumatizados, filósofos e outros alcoólatras e drogados de todo tipo; dizem e repetem que o amor é lindo, mas nada dizem da carga fenomenal do desamor que carregam consigo, o que os torna ladinos, sorumbáticos, pequenos sarcásticos. Afinal, quem fica mais de um tempo de jogo com perdedores, ecos de fraqueza em cada mutismo e em cada palavra ? Nem mesmo as tipas e os pegajosos contumazes. Verdade é que são teimosos os cegos, e pegajosas as tipas, e se acham capazes de te arrastar.

E se dêem por satisfeitos se carnaval ainda houver quando for imenso o peso na cabeça, quando a rua lhes parecer despropositada no tamanho, nas cores e odores, enfim, quando só tiverem a si mesmos por momo ou princesa decaída.

(DMC)

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Foto: Jussara. R – FLICKR

ONE DISASTER AFTER ANOTHER

Antes que novas sombras apareçam, a dança dos reptos sobre o piso instável das águas aviva-se já em cada canto, toda esquina. A gente quer e precisa descansar de algo, de tudo, mas não consegue porque há muitos membros a nos chamar, reflexões a datar-nos e a indatar-nos, meandros solícitos e barulhos mais e/ou menos poéticos. Há, sim, muita sobra no entorno, linha sempre pouca para o que o condutor do trem deseja.

Há um furo na rocha dos namorados e uma montanha saindo do mar neste instante há o consumo doentio de minúcias inúteis (estás sob e entre elas), e assim parece que só resta esquentar a comida e comer, ou, nas palavras da cantora, “descansar sem descanso” ou, como diz o refrão popular, “enquanto descansa, carrega pedras.”

Parece-me cansado o Mundo, um rarefeito ar o condena a estertores crescentes.

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Imagem: do trailer disponibilizado na Internet, do filme BLINDNESS, de Fernando Meireles, baseado no livro Ensaio Sobre A Cegueira, de José Saramago. AQUI.

PAPILLON, O Ninho do Ex-Craque

LA VITA ROSSONERA. IL DIAVOLO SULLE COLLINE IN RIO DE JANEIRO.

“Os de amanhã não existem; os de ontem já morreram; dos de hoje nada sei”.

Filosofia assim se pode ouvir e sentí-la em execução cotidiana, porque a vida parece ter se qualificado como sendo apenas um corredor de falsos brilhos e trapézios bem dispostos assimétricamente sobre seus enteados e suas fêmeas encostadas sob as gárgulas de motéis e outros tipos similares de casas de convívio a jato.

Há lixo e lixo, tropeços e tropassos de gente e de não-gente, de mais imitações de gente. E assim é que, volta e meia, tu dás com notícia de que alguém assim e assado saltou com vara errada sobre o ritual prescrito pela showciedade na qual se acha inserto e incerto.

Futebolistas e tipos da televisão e do cinema se prestam a estarem onde se os veja sempre como são e não são, de onde, de verdade, nunca saíram (Cuidado aqui. Entenda exato, se fores capaz). Emaranhados nascem, emaranham-se mais. Algo assim como o nome deste estádio aí acima: The Bird’s Nest. O nome do ninho em questão é PAPILLON, o mesmo de um livro tornado filme, com origem na história contada por Jean Genet.

Bola murcha e balão furado são termos muito usados. Um tipo, levado ontem a uma delegacia, no Rio, com um/a travesti, carrega, desde o início profissional em Belo Horizonte, um balaio cheio de tais nuanças ou configurações (usemos esta terminologia, já que estamos em máquina apropriada).

Sim, há lixo e lixo, chorume e estrume, escória e outras abominações, trastes e ningres-ningres. Lembrei-me do que valem e não valem os nomes; que eles diferem ou mesmo nada têm a ver com a estatura moral de quem os toma ou leva. Lembrei-me do grande livro do José Saramago: Os Nomes.

(DMC)

*****

Hoje de manhã fui ver meus pais, e a minha mãe disse-me ter se sentido muito mal durante a madrugada, que foi a primeira vez em toda a vida que ela teve a sensação de morte iminente, pela sensação nítida (palavras dela) de que algo a agarrava e puxava, e que não conseguia de jeito algum pedir socorro ao meu pai ao lado, devido a uma poderosa paralisia muscular, que o sistema nervoso central estava travado, e ela sentia a vida fluir, sem poder participar, a não ser como espectadora temporária.

Quando me disse que as figuras não tinham forma exata, não emitiam som e não lhe permitiam também emitir qualquer som – estas nuanças em seu depoimento me levaram aos mortos recentes e distantes na família, sendo que estas reminiscências são mais fortes numas pessoas do que em outras, pela afinidade com quem partiu.

Situação parecida a esta (a de acordar sob intensa e desagradável sensação, a cor do pesadelo) é comum, por exemplo, em alcoólatras e drogados, quando sob síndrome de abstinência; mas note bem que eu disse situação análoga, parecida, mas de origem, de uma base psíquica diferente da que ocorre com pessoas com modo de vida totalmente diverso da de dependentes químicos, ou viciados. Diverso do que motivou em minha mãe uma tenebrosa madrugada de suores frios, taquicardia, e até mesmo com sensação de acusma (pois embora ela não ouvisse vozes, havia vozes). Acusma é um tipo de delírio em que a pessoa ouve vozes de quem não está presente, ainda que não de pessoas falecidas.

Deixei-a passando roupa e cantando, e fui pra casa, mas continuarei esta análise cujo título é o de um livro do Carl Gustav Jung.

A Profecia de Mapuã
A PROFECIA DE MAPUÃ

Já ouviram falar em amor de mãe, sentiram-no muitas vezes (embora nem todo mundo nos possa dizer o mesmo), e assim, tendo em vista a natureza de tal gesto, decerto retribuíram-no alguma vez. Pois bem. Recebi um livro escrito por alguém que conheço, mas que não suspeitava tivesse algo escrito – menos ainda publicado, e não porque não tenha capacidade, não, não se trata disso. E assim é que o livro de uma pessoa aqui do bairro veio às minhas mãos.

É que em todo convívio – seja ele maior ou menor, mais ou menos íntimo, com o aspecto de uma amizade formal, ou não – sucede que muitas vezes passa-se em branco pelas qualidades das pessoas, pelo fato de serem mais reservadas, ou pelo fato de que nós simplesmente não lhes damos um jeito de abrirem para nós certas qualidades delas (lembro-me de O Homem Sem Qualidades, do austríaco Robert Musil, um dos grandes romances do século vinte – mesmo inacabado).

O livro em questão trata de aventura, viagem, amizade, um pequeno livro (62 p) escrito já com a inevitável chama de quem logo escava mais fundo dentro de si, pessoa levada a isso também pelo seu meio imediatamente circundante.

Querem beleza ? espanto ? Escrito aos 12 anos (a mãe vendeu uma vaca para financiar a publicação), repito: a mãe vendeu uma vaca, em 1992, para que se publicasse o livro com desenhos e texto de sua filha – hoje, psicóloga. Lendo-o atentamente, pode-se perceber com certa facilidade os pontos básicos de uma personalidade voltada para a busca, pelo que há de inquieto nas pessoas, de sombra e luz nelas (de certa forma, em si). Uma surpresa com qualidade é este livro de Giovana Fagundes Dos Santos.

No início, disse-lhes que todos já ouviram falar em amor de mãe, e agora lhes falo acerca do imã da literatura. Ao livro, pois.

 

“Pela última vez Gina olhou para trás, e ficou intrigada com o que viu: letras feitas com fumaça cortavam o céu com uma única palavra: “medo”. Gina queria contar o que vira, mas não tinha palavras; perdera a voz e a coragem naquele momento.” (p. 16)

“Uma hora se passara e nada. Nem um lugar conhecido; nem uma rocha familiar. O relógio apontava onze horas da noite, e o pânico ia tomando conta de cada um [...]” (p. 25)

“Completamente em pânico, Carlos jogou fora o bilhete e caminhou, sem hesitar, pelo corredor que vira logo à frente. Seguiu por ele e parou, impressionado: uma parede inteira recoberta por diamantes e pedras preciosas de todos os tipos e tamanhos. Um grande defeito de Carlos era a sua ambição por riquezas inúmeras que lhe pudessem ser úteis, enfeitá-lo e servir de alimento à sua vaidade.” (p. 35)
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Darlan M Cunha
*: Sobre o livro O Homem Sem Qualidades: http://biblioteca.folha.com.br/1/27/2001052001.html

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Completam-se cinco anos sob os quais o Iraque – antiga região da Mesopotâmia, berço real da humanidade e do que ela deveria ter em alta conta – o alfabeto -, padece a barbárie cotidiana a que, sem uma palavra melhor para traduzir o que significa, chamam de War on Iraq.
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A quantidade espantosa de subterfúgios querendo mascarar a improbidade, a magnitude de tal acontecimento (molda-se e assegura-se, em parte, a partir dele, o futuro de uma nação distante, não a de uma noção equânime da Vida, pois trata-se de sobrevivência, do que só o apelo militar pode dar), é de dar êmese e hemoptise a quem ainda possua algum naco de visão sem remela nem pus com que caracterizar seus próprios dias.
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Ingênua pessoa sendo eu, parece-me que o Mundo é mesmo feito só de fracos e fortes, de interesses: “Passa cá o meu e o teu !”.
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E assim vivem todos: amarrados, iguais ao boneco aí ao lado.
(DMC)

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