“E a dor tem sempre caminhos mais longos.” (CECÍLIA MEIRELES)

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“Mas a Alegria também os tem muito longos e duráveis.” DMC

UM COPO DE CÉU: DE SABARÁ PARA O MUNDO.


O dia 22 de novembro, resolvi passá-lo em Sabará – aonde eu não ia havia tempos. E foi assim que logo bem cedinho embarquei para o Sabarabuçu (o Eldorado procurado pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme, em 1674), ou Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará (lembrei-me do livro do José Saramago: Todos os Nomes).

Revisitando quase todos os locais onde julgo pertinente ir quando se vai a uma cidade como aquela, tendo em mente sempre a quantidade de esperanças e de sofrimentos atrozes, de conluios, de sexo, comidas e bebidas e, sem dúvida, de envenenamentos, de simulacros de toda espécie, finquei pé numa bodega e retirei dos ombros e das pernas algum cansaço, e logo logo eu parecia ser algum sabarense que apenas estivera temporáriamente ausente.

Ouro e diamantes faiscando na manhã, cicio de malvadezas nos meus poros: miçangas de puro ouro e diamantes no cangote e no colo das negrinhas (Onde se viu isso ? Em que lugar do mundo tanta fartura e intimidade tanta com os metais da loucura e as pedras da desrazão ?)

Pois bem. Lá pelas tantas da manhã já alta, fui de visita a um velho amigo, amizade assim de séculos (éramos garotinhos garotinhos… hehe), e logo que entrei no bar onde ele cede grande parte de sua generosidade aos que entram e aos que passam em frente, veio de lá de dentro um som que era o meu nome. Em casa estava eu, com o velho amigo João Bomba – muito querido, respeitado e conhecido na ‘vila’ do Sabará, MG, Brasil. Brazil.

Apaixonadíssimo por futebol – entendedor, como poucos -, foi ótimo treinador de equipes juvenis, tendo ainda trabalhado na ADEMG (Mineirão). Pescaria também é, sim, uma conversa gostosa. Y otras cositas más. Apresentou-me a alguns de seus amigos e conterrâneos, e lá vive ele com a sua família – que conheci, menos a filha, que estava na faculdade.

A conversa não ficou restrita ao Futuro, não. Falamos, como seria de se esperar entre duas sumidades… hehe, dos velhos tempos e de tempos mais recentes, entre uma lourinha e uma branquinha. O dia não estaria completo sem música ao vivo. Providenciado um belo violão, entramos no delírio da MPB, todos drogados com Cartola, João do Vale, Paulinho Pedra Azul, Jobim… e por aí vai.

Tendo passado por muitos climas bons e ruins, sempre soube eu avaliar bem o teor de uma real ou verdadeira amizade – aquela amizade para toda hora, mesmo ! E o João Bomba continua com isso. Penso já em propor ao Povão, que ergamos um monumento a esta figura sempre sorridente, satírico, duro… se necessário, uma beleza de pessoa.

Tive, sim, um ótimo aniversário. Longa vida ao João.

DMC