Hoje de manhã fui ver meus pais, e a minha mãe disse-me ter se sentido muito mal durante a madrugada, que foi a primeira vez em toda a vida que ela teve a sensação de morte iminente, pela sensação nítida (palavras dela) de que algo a agarrava e puxava, e que não conseguia de jeito algum pedir socorro ao meu pai ao lado, devido a uma poderosa paralisia muscular, que o sistema nervoso central estava travado, e ela sentia a vida fluir, sem poder participar, a não ser como espectadora temporária.

Quando me disse que as figuras não tinham forma exata, não emitiam som e não lhe permitiam também emitir qualquer som – estas nuanças em seu depoimento me levaram aos mortos recentes e distantes na família, sendo que estas reminiscências são mais fortes numas pessoas do que em outras, pela afinidade com quem partiu.

Situação parecida a esta (a de acordar sob intensa e desagradável sensação, a cor do pesadelo) é comum, por exemplo, em alcoólatras e drogados, quando sob síndrome de abstinência; mas note bem que eu disse situação análoga, parecida, mas de origem, de uma base psíquica diferente da que ocorre com pessoas com modo de vida totalmente diverso da de dependentes químicos, ou viciados. Diverso do que motivou em minha mãe uma tenebrosa madrugada de suores frios, taquicardia, e até mesmo com sensação de acusma (pois embora ela não ouvisse vozes, havia vozes). Acusma é um tipo de delírio em que a pessoa ouve vozes de quem não está presente, ainda que não de pessoas falecidas.

Deixei-a passando roupa e cantando, e fui pra casa, mas continuarei esta análise cujo título é o de um livro do Carl Gustav Jung.