tattoo, age

portátil

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às cinco e trinta e cinco da manhã acendeu um sorriso, abrindo a boca ao primeiro cigarro do dia, foi ao banheiro; depois, ao chuveiro, e foi lá debaixo da enxurrada que uma vez mais percebeu o coração sobre o coração real tatuado, e chorou o fato de ser tão intempestiva, que agora teria de conviver com aquela silhueta maldita, aquela natureza morta desenhada na pele, para sempre; talvez se possa retirá-la ao preço de muita dor e dinheiro. chorou com extrema ira, levantando provérbios e reavivando sinônimos de mil e uma apostasias, vociferando indecências de fazer qualquer padre espanhol corar, mormente aquele tipo de religioso que viajava com os conquistadores, aqueles que em nome de el rey e em nome de deus saqueavam o silêncio pregado na harmonia, mas isso era mesmo coisa do passado, talvez não, e ela continuou na sua birra intensa, saiu nua pela casa, respingando ódios e lágrimas e gotas de água, que o banho ainda não terminara, mas foi abrir um tinto seco, era necessário que ficasse tomada de ira pela impotência à qual ela mesma se conduzira, que aquele maldito desenho no peito lhe daria ainda muitas e tantas chateações, e banir o espelho seria uma das soluções provisórias para dele esquecer-se ou livrar-se

Foto e crônica: Darlan M Cunha

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