DA BOCA

No próximo ano farei outras comidinhas gostosíssimas para Vocês do mundo todo,

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CARTA À MÃE, nº 106

MÃINHA,

Amanhã estarei aí para encher a Senhora de beijos e abraços. Vou preparar uma peixada com uns peixes mais espetaculares do BRASIL: surubim – com direito a pirão, batas completas cozidas, chuchu, salada com palmito, tomate-maçã,azeite e o brócolis refogado no alho (este, em separado).

ATÉ

Do filho semi analfabeto… meio desmiolado, mas bom garoto. Estou levando uns presentinhos.

MÃE É MÃE.


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Caminante, no hay camino

ir
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E se mais não fosse o fato de que andar é necessidade primária, acelera o conhecimento com o qual ou aumenta o entusiasmo ou o desânimo a respeito de algo, do entorno imediato, do entorno mais distante, enfim, de tudo ou de todos, e aí o perigo já está instalado e talvez compartilhado.

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   Fim e começo de ano é uma história antiga de arquétipos religiosos, herança de difícil extirpação esta herança judaico-cristã, todos se desejando mais astros ou mais sucesso, a anatomia da felizcidade nos rostos – mas não por dentro, necessariamente, e assim vamos, vou chutando pedras, perdas e ganhos no caminho. Ora, não há quem desconfie que não há caminho ? Há caminhos de sobra, a não ser para os entediados natos, para amantes do tédio e amaziados com aquele tipo de solidão em que o tempo é gasto para observar os difíceis degraus dos Outros, suas quedas em busca de largueza, de uma visão ancha da vida.

     Uma canção diz: Vim, tanta areia andei…  //  meu namorado é Rei, nas lendas. Não queremos lendas, prendas, merendas, emendas… não queremos nada dentro apenas do possível, nossa meta é o impossível e o para além-lá do impossível. Te cuida 2019 !

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Foto e texto: DARLAN M CUNHA

Música: ANDANÇA {Dori Caymmi // Paulinho Tapajós]. Cantam DANILO e a filha ALICE CAYMMI: https://www.youtube.com/watch?v=uUxfz_wDc68



foco

lentes para o mundo // lenses for the world  >>> [Clique na FOTO]

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“Vinho, azeite e amigo, quanto mais antigos melhor.” – Ditado português

CARTA À MÃE, nº 105

Querida Mãe,

a minha mais nova ex-mulher me xingou e me bateu e jogou-me a mim e aos meus trapos na rua. O que fazer Mãinha – luz no fim do túnel? Escute só os termos:

               “Achas tu então que vou ficar aqui, servindo de boné, quando não de mulher, para alguém que não sabe ou finge não saber onde nasce o sol, e que o que há no quintal é um formigueiro não tão nocivo quanto é o formigueiro humano, de ao menos noventa e oito por cento destes bípedes alheios ao real serem uns parvos?

    Achas tu que esta que te fala é de se calar diante dos erros teus e de outrens, diante do inimaginável que ocorre no mundo ? Ora, eu não sou uma daquelas pobres púberes em algumas sociedades africanas, vítimas de uma inenarrável atitude de nome excisão clitoriana. Afe ! Não há nada mais sacrílego do que esta realidade de mil crenças ou de tradições disso e daquilo. Comigo não, violão! Totem e tabu, a psicanálise é pequena, canhestra, maneta e perneta, zarolha, nas raias da inanição, distante ene anos-luz de percepção verdadeiramente profunda que seja capaz de analisar tais considerações, e também a sociologia e a antropologia, e nem vou dizer da mentirosa história em geral de uma só face, nunca será um fonema de sete faces ou de mil e uma faces. O melhor é viajar, distrair-se, jogar amarelinha e o divertido jogo da forca, bilboquê, e deixar de lado o complicado jogo afetivo. Jogar limpo.”         

     Essa mulher sabe onde e como bater, onde o calo dói, sabe o que dizer ao mentalizar os fatos, certas doses, capricha num português elevado, violento, esticando sua têmpera clara para cima de mim, como um torturador nos seus últimos degraus de uma patologia severa, nos últimos estertores de suas enormes frustrações, da dívida monstruosa para com a clareza, de maneira que sua fala me arrastou no chão imundo, seu sorriso aberto em leque ia soltando vales e montanhas, fogo e gelo, escárnio,exames psicológicos [até o teste de Rorschach] e exílio para cima deste que te escreve a custo, Mãinha.

     Ó, que mulher a me dizer feridas, satírica feito o grego Diógenes, o cínico, ela dizendo com lindas faíscas nas íris: “Você não é homem, não, mulher ?” E aí eu chorei feito uma mulher desnaturada, feito uma fiandeira de causas perdidas, chorei que nem o Brucutu sozinho numa caverna, mas sem o jugo de uma mulher que vai fundo no mais fundo da falta de senso. Ó vida severina !

     Pois é, a danada caprichou nos ermos da minha personalidade torta, pelo que paguei dívidas, mas dúvidas permanecem acrescidas do vexame de que toda esta maldita aldeia ouviu aquele lindo esparramo dela bem no seio da rua, um discurso de deixar sabidões no chinelo, ela sabe das coisas, ela não cabe em dicionários e enciclopédias – e nem eu, sem nenhuma falsa modéstia, para sermos francos. Onde fica a Rota da Seda ?

MÃINHA, Mãe é Mãe

     sei que é preciso melhorar, hei de alcançar alguma graça neste mundaréu feio de mil muques e truques, preciso ver longe com óculos bem graduados, luneta, telescópio e microscópio. Um beijo e um abraço do  primogênito, meio desmiolado, mas bom garoto

DARLAN

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Foto e texto: Darlan M Cunha

ó mais ó

“Vênus platinada” (vox populi). Liberdade Square. BELO HORIZONTE, MG, BRAZIL. [Clique na FOTO  // click on the photo]
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“Vênus platinada (vox populi)

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uvas e ameixas  // grapes and plums 

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Doubts insist, the eagerness scales the walls of the house,

because craving does not create mold

and then sometimes poetry seems to me to be a mixture of grapes

and tears, mimesis, faces of chameleons.

In fact, doubts sometimes get plowed with faces of a chameleon

questions sometimes get pampered with the red buttocks of baboons

questions sometimes get pampered with this look.

The fool on the hill.*

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As dúvidas insistem, a ânsia escala as paredes

da casa, porque a ânsia não cria mofo

e então algumas vezes a poesia me parece uma mistura de uvas

e lágrimas, mímeses, as faces dos camaleões.

De fato, as dúvidas às vezes se parecem com as faces de um camaleão

as perguntas às vezes se parecem com a bunda vermelha dos babuínos

as perguntas às vezes se parecem com este olhar.

O tolo na colina.

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Fotos e Poema: Darlan M Cunha

05:09 h

Consigo mesmo  >>>  [clique na FOTO]

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05:09h

     Eram cinco e nove, fui à janela levando uma caneca com café, o silêncio precioso na madrugada de domingo, mal cri ao ver isso aí – este cavalo num sonolento e decerto mui apetitoso café da manhã, pelas chuvas das últimas semanas a comida está bem fresca e olorosa. Cumpri minha obrigação, fiz a foto. O café nem esfriou.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

aeiouar

A casa lenda

[Clique na foto]

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TRAUMHAUS  //  CASA DOS SONHOS [PESADELOS]  // DREAMHOUSE  // CASA DE SUEÑOS


A casa sem sonhos requer que se toque

se cante ou se diga algo temível, flutuando

não a partir de seis cordas e dez dedos

e sim de um assombro, ao fundo, bocas

por testemunhas, deserdadas,

mas aptas à mais uma prova do que podem

quando se trata de bajular, cantar em coro,

e assim a casa teimosa vai dedilhando seu fogo

sobre a herança da aldeia de ruas estreitas

e gente larga de braços, mas de erro nos acertos.

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     Essa casa é uma lenda pura pois não existe em lugar nenhum nem  vestígio sequer da localização e nem de algum legado que o morador tenha feito e deixado para a aldeia que ele simplesmente desconhece porque ele próprio é ou se faz de lenda total ou algo assim como uma ficção tabu totem espantalho enfim parece ser uma entidade muito mais ampla e auto suficiente do que o pobre imaginário da aldeia que tanto diz para ela mesma que ela não necessita de quem existe mas faz que não existe e que em nenhum instante se mostra solidário com o que quer que seja e assim ambos vão com suas trajetórias: a aldeia que rasteja a duras penas, e o morador de uma casa que é pura lenda capaz de tirar o sono do povo morto de inveja e de curiosidade pelo que há por trás daquelas seis paredes cobiçadas [há quem pense em fogueira], a saber: chão teto ala sul ala norte ala oeste e ala leste. O quintal é invisível.

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Foto, arte e textos: Darlan M Cunha

pedras e músculos

Igreja N. S. do Rosário dos Pretos – SABARÁ, MG – BRASIL
[CLIQUE NA FOTO. AGORA, PARA VER MEU ÁLBUM SOBRE SABARÁ, CLIQUE NO LINQUE AÍ ACIMA]

     Note bem que a parede lateral que se vê atrás da porta central está clara, ou seja, com luz solar, isso porque esta igreja ficou e ficará inacabada, sem teto e sem outros acabamentos devido a que os escravos pararam a construção assim que a notícia da abolição da escravatura chegou. Mas então começou nova labuta, porque os negros e negras não tinham nenhuma instrução, sem um ofício, sem nada, restou-lhes, segundo muitos, vaguear, criar núcleos, vilas, aldeias, quando não continuar servindo os antigos senhores – não foi quase nada tão diferente do antes. Pense bem em quantas Serras da Mantiqueira, em quantos Picos da Bandeira teve de subir, e em quantos Rios Amazonas teve de atravessar a nado o primeiro médico negro do Brasil. Quanto ranço enfrentou, com outros na Bahia, em Minas, etc. Nenhum Senhor permitiria que colocasse suas mãos sobre a Senhora ou sobre a Senhorinha. Pense que assim e de outras maneiras foi feita a sociedade. Rumos e extravios, eis que tudo é caminho, pedras no seio do caminho. OBS.: Leia sobre o médico JULIANO MOREIRA, cuja história eu já conhecia de outras bibliotecas, andanças, conversas: https://pt.wikipedia.org/wiki/Juliano_Moreira

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CASA DA ÓPERA ou TEATRO de SABARÁ – MG, BRASIL. Visitado por Dom Pedro I, em 1831, e Dom Pedro II, em 1881.


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Vox Populi

“Quem corre cansa, quem anda alcança.”

“Sou madeira que jegue não rói.”

“Enquanto descansa, carrega pedras.”

“Antes um passarim na mão do que dois avoano.”

“Cê né ôme, não, muié ?”

“Antes sozinho, do que mal acompanhado.”

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Fotos e texto: Darlan M Cunha


pois é

Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos  – escritores. BIBLIOTECA PÚBLICA DE MG – Belo Horizonte

[CLIQUE NA FOTO ACIMA]
Carlos Drummond de Andrade [farmacêutico] e Pedro Nava [médico] – escritores.
Rua Goiás, centro de Belo Horizonte, MG
Murilo Rubião, escritor, um dos fundadores do Suplemento Literário de MG. BIBLIOTECA PÚBLICA DE MINAS GERAIS. Belo Horizonte


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O amor contém glúten ? o amor se faz mímese de quê, sinônimo

ou antônimo de si mesmo ? o amor se faz antinomia e apostasia

de quantas necessidades humanas já demasiado distantes entre si ?

O que mais cansa no amor: o caos na cozinha e no banheiro

as flores murchas na copa, o aquário vazio

a dúvida à mesa, entre o copo com água e duas palavras,

um ímã inócuo com o vizinho ou vizinha, ou a espera infinita  

por areia e sol, deixando para trás, para o nunca, o vazio

já definido, talvez com seguro de vida garantido pelo velho retângulo ?

O amor contém luto ? dá votos, retira fotos? ele vive de quê, afinal ?

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Fotos e poema: Darlan M Cunha

CLUBE DA ESQUINA nº 1 >>> MILTON NASCIMENTO [Márcio Borges, Lô Borges, Milton Nascimento]: https://www.youtube.com/watch?v=YkLjtrJjXEM


pétreos os homens e pétreas as mulheres

THE “PATRIARCA” –
Symbol of the mineralogy museum Djalma Guimarães. QUARTZO SiO2 – Praça da Liberdade, BELO HORIZONTE, MG, Brasil. [CLIQUE NA FOTO]


Exemplar encontrado pelo garimpeiro José de Anselmo em 1940, transportado para Belo Horizonte em carro de bois e ferrovia. Exposto na Feira Permanente de Amostras. Incorporado ao acervo do Museu Djalma Guimarães desde a sua fundação em 1974, quando recebeu o nome de Patriarca. Transformou-se em símbolo do Museu.
  (IMG_0285e, disco 28)


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A mim só me dizem o que não quero ouvir e não entendo: distonia, distopia, disritmia e viagens até Marte, mas não nos dizem nada de mil feras na sombra, à espera de mais sombras, porque isto sim é que é um fato de muito valor para quem procura libertar a luz e partilhar este bem pelos caminhos, e se mais eu ainda não fiz, ânimo não falta, melhor direi se disser que, às vezes, ele falta, quase sempre, cada vez mais, isto é sintomático e perigoso, porque uma vez perdido o nariz vermelho de palhaço, dificilmente se consegue achá-lo.

As pedras são nossos ícones preferidos, porque nos instigam a pensar em sua incrível longevidade, embora as próprias montanhas virem pó, são essa mesma areia que entra nos cabelos, que recebem os pés no deserto e no fundo do mar e do rio, quando não em sonhos e pesadelos.

Petra foi uma cidade por muito tempo perdida, por mil anos ficou escondida no deserto da Jordânia, construída pelo extinto povo Nabateu. Pedras para a casa, para o quebra-mar e para as barragens, contra os vidros numa arruaça na avenida, pedras cintilantes no pescoço, seixos com os quais brincar, jogar ou  brigar, preciosas e semipreciosas, e até sem valor, não, não há nada sem valor.

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          Foto e texto: Darlan M Cunha

TATYANA RYZHKOVA [Bielorússia] – Quarteto feminino de violonistas tocando LIBERTANGO, do mestre argentino ASTOR PIAZZOLLA, mas NÃO DESMAIE, APENAS ASSISTA, OUÇA E VIAJE…: https://www.youtube.com/watch?v=pPu1om4WZsQ



Todos os Nomes [José Saramago]

CELSO RENATO [1919-1992]
[Clique na foto]


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     Escrevo aqui sobre uma realidade que considero fora de propósito no estágio social em que esta e outras sociedades estão, que diz respeito ao fato comum de se mudar o sobrenome da mulher que se casa, apondo-lhe o sobrenome do marido, por exemplo – ele é Souza e ela é Mendes, era Mendes, de agora em diante será Souza. Escrevi algo sobre o delicado tema há alguns anos numa das minhas páginas internet, mas não me lembro em qual delas. Penso que se algum dia a lei disser que não será mais obrigatório ou necessário mudar o sobrenome da cônjuge, isso terá sem dúvida um grande impacto social e psicológico, porque pode até parecer banal, mas não é bem assim o fato de uma pessoa ceder parte do próprio nome. Alguém dirá que o amor é lindo, sacrifica-se.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

ÚLTIMA FORMA. Baden Powell // Paulo César Pinheiro. Cantada pelo MPB-4: https://www.youtube.com/watch?v=2MR98Ls1NOw