Venho da solidão

“Minhas senhoras! Eu me coloquei entre suas mãos espontâneamente. Minha honesta proposta de não mais promover de agora em diante a causa masculina, mas sim o movimento feminino, de ajudar as muitas, ferozmente decididdas, mas também perplexas e ainda maternais Ilsebills, essa minha oferta continua de pé. Mas se as senhoras pretendem arrastar a público e tratar como um caso exemplar minha existência linguadesca, que remonta às trevas originais, saberei defender-me, como se diz, com a dureza masculina. Revidarei sem dó. Ter-me como inimigo não é agradável. Sociológicamente, sou inabordável. Nenhuma sutileza jurídica – se as senhoras me pretendem julgar – poderia me prender. Nenhuma lei humana está à minha altura. Mas as senhoras teriam todos os motivos para me temer”.

Günter Grass (Nobel 1999). O Linguado.
***

Adélia Prado

Impressionista

Uma ocasião
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa
como ele mesmo dizia:
constantemente amanhecendo.

foto: Elmo feito pelo Mestre Davidov, séc. 17, Kremlin

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