psicodelicado
é o domínio público

Entre a natureza dos estorvos impostos a quase todas as pessoas em todos os dias do ano, e uma espécie de crença na solicitude existente em grande parte delas, parece viver a impunidade, amiga do marasmo e amante de uma tara não compreendida nem cooptada pela Lei.

Quando alguém envia um presente, nada lhe é mais desejável do que uma entrega sem restrições à pessoa ou no local em questão, mas se isto não acontece, então é certo que não há como ficar imune àquele estado que varia entre o torpor e a ira geradas pela impotência.

Por isso, às vezes, nem se vai ao Correio, por ser de tal ordem o zelo perpetrado à pressão arterial, ao bolso, enfim, ao humor, que se pode desistir disso, que se pode apenas pensar que a Dor tem algo que não foi estudado: a Dor é fácil de ser esquecida. Pelo menos certas dores.

Um presente foi enviado à minha mãe, desde o Canadá, mas não lhe vimos a beleza, os doces contornos das mãos de quem o enviou. E como se sabe que ela não é a primeira pessoa a não receber uma correspondência (ou uma satisfação plausível), fica aqui essa modesta canção. Ou caução ?

DMC
******

Poema de Telmo Padilha (1930-97, Brasil)
CONFRONTO

Mas há que agradecer-te
o permitir que me cale

o que não devo dizer-te.
Tuas são as palavras.
Meu é o silêncio.
Só te direi o que não sabes,
mas dize-me o que não sentes.

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imagem: BIBO, trazida do basmasalsa

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