Ein Pakt mit dem Teufel
(und es werden immer mehr)


Mas, talvez também seja assim: o fim já ocorreu. Nós não existimos mais. Vivemos só de mentirinha, um reflexo, um estrebuchar conclusivo.
Ou talvez alguém esteja sonhando conosco. Deus ou um ente superior parecido, um supergrandalhão que nos sonha em capítulos sucessivos, porque gosta de nós ou nos acha engraçados, e que por isso não nos larga, não se farta de ver-nos estrebuchando. Nós perduramos em seus flashbacks e graças aos apetites audiovisuais de um Princípio Divino, embora a última sessão, ou ultemoch, como diz a ratazana, já tenha ocorrido há muito tempo; desaparecemos imperceptívelmente, pois – mesmo que os homens tivessem casualmente notado o fim num domingo de junho – seu comportamento e a atualidade de seus negócios, horas marcadas e promissórias, seus hábitos aprazíveis e seus terríveis imperativos não se deixaram transformar nem redimir, cancelar ou superar, de tal forma era ou é imutável a espécie humana.

GÜNTER GRASS. A Ratazana, p.361
******
Poema de Darlan

O GRITO

Quando me foi dito
que tenho um
preço
e que todos
têm um preço, não
cri, e me pus obstinadamente

a me vender.
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imagem: FREYDOON RASSOLI (Irã)

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