A insônia é arcabouço
nosso, a boca formiga,
um sexo em compota
degela a sombra: Tu,
e não eu, sabes atar o
céu ao rosto, coar os
intentos do mal no ateu.



Vejamos: Algumas dizem que não sabem uma técnica de descascar laranjas sem que o chão fique regado pelos pingos, cascas e impropérios seguidos de risadas. Outras dizem que não se empestam mais para tentar novamente uma troca de pneus, embora urgentíssimas em uploads, não se apressam em saber os desejos da aningapara, ainda que seja fácil (mas nem mesmo o amor é fácil, não, nem mesmo esta salada de perdas & danos é fácil de se mantê-la em equilíbrio, devido aos inúmeros temperos cotidiácidos e renitentes que vêm de não se sabe de onde).

Vejamos: Há também aquelas que se mantêm mais ou menos afastadas de tais conversinhas amenas, até pelo fato de que se tornam logo umas pimentas – sem reino ou com reino – e então há aquele lacrimejar quase generalizado, e nem mesmo certas crocodilas gostam insistentemente disso, nem as hienas e as jararacas (tenho amigas deliciosas jararacas, ariranhas, piranhas pretas e vermelhas, araras azuis e amarelas, que não necessáriamente são assim raivosas, melhor dizê-las dengosas, cheias de mengas e negáceas mil, as danadas).

Vejamos: Lembro-me aqui e agora de uma que não gosta, nem a pau, de escalar árvores – muito menos a sua própria árvore genealógica – e não se faz de arquiteta nem de rogada; não se faz de médica nem de roubada; não se dá de advogada nem sequer permite que lhe passem as mãos onde todos passam os olhos e o pensar. Alemães e alemãs têm um ditado assim: Die Gedanken sind frei / Os pensamentos são livres… e eu completo: und es werden immer mehr / e eles são cada vez mais.

Pois bem, vejamos: conheço algumas que não sabem fritar ovos (believe it or not), e já ouvi falar daquelas que não conseguem preparar uma boa maionese no liquidificador, ou mesmo ralar os cocos tão necessários ao cotidiano da Nação, ora, francamente, cá pra nós, Isautina, não saber arranjar as flores de tal forma que elas, mesmo meio murchas, possam louvar o dia aos dois (ou três ?) que acabam de chegar daquele pesadelo que é o lado escuro da lua e dos muros das ruas é demais. Isso não.

Fico aqui na santa, ou atéia, esperança de envelhecer com muito tempero, bem perto de quem é de fazer um bom guisado, mesmo que só com a força de uns tomates, melões, pepinos e salsões, enfim, com os inúmeros peixes deste gidantesco barco onde estou sem estar, dias sem data os tenho em conta, indo sempre alegre rumo à inenarrável algazarra da morte. Antes, outro pecado na cozinha… hehehe.

(DMC) para MÁRCIA KAWABE
******
Poema de Darlan
SOBRAS DE MAR

Amacia o teu dorso no meu
mar, há um ponto
de ebulição, fusão

é o que nos espera, fissão
agendada que seja
para quando

todos os conteúdos reservados
já não existam
nem mesmo em museus, vem

amacia o teu mar no meu
torso.

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