Nem sempre só
silêncio ou ausência,
o que existe.


Contos da minha casa – 2
ALGUM LUGAR ONDE

Uma cortina ali não lhe faria bem, por não lhe dar senão trabalho de manutenção e pouca garantia de privacidade, uma vez que o que mais o incomodava naquele cômodo eram os decibéis vindos da rua, esta herança perversa, doentia, dos tempos coevos, sendo que a sua pessoa era particularmente sensível ao barulho, irritando-se com facildade, ciente de que aquilo é caminho líquido e certo para se adoecer dos nervos, deixando-os em pandarecos.

Não, não poria cortina ali, preferindo ficar com algum brilho maior sobre as duas telas instaladas no ambiente que lhe servia de local de estudo e de descanso. De lá, vigiava o mundo, espirrava na fera ondas de sarcasmo e riso, esfregando os pés sempre descalços, beliscando ou bebendo algo mais sucinto do que uma tempestade em copo d’água, um sonrisal, etc.

Num dia qualquer, notou estranhos sobrevôos cheios de incógnitas banhando-lhe a fala, como se já se formasse chuva na região, mas nada disso parecia exato: o céu suava seu brilho contumaz, limpo, pardais e bem-te-vis, rolas e pombos ciscavam. Não pensou duas vezes para telefonar. Horas depois, media o ambiente e lhe mostrava materias para cortina um representante.

DMC. Contos da Minha Casa – 2
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foto: Darlan

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Esta entrada foi postada em arte.

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