SOMBRA

emasplit.flickr

Durante algum tempo esteve em coma, mas nunca o saberá. Ela sobre ele, a vida pesando fora de cálculo, as pernas do mundo sem dados concretos acerca de tal invasão e posse. Deliberada criatura o retinha e contornava

resvalando na sua insônia como um risco nas franjas da boca, sendo que de cada vez ela soltava a concha, os peixes e algas de ocasião, sempre livre, nunca desértica, eclética no esfolar

a vítima. Ah, a sombra quer vida própria.

Durante um tempo ficou ali na aquarela de seus braços, jardim de bambus parecendo cercar-lhe o olhar, trevos roendo-lhe o núcleo, nada o salvava desta doença ou viagem de paranóia ou sabe-se lá o que era e é

acordar com sensação indefinível, tanta pergunta no areal em que o coma o fizera beber lágrimas e saciar-se a ponto de mais e mais depender desta roda-viva que parece ser a intenção da criatura ainda estendida sobre ele, com suas uvas de um indizível quanto nunca freqüentado inferno doce.

Desde quando o elogio da loucura pensa que disse tudo do prazer, ao dizer que só um tanto dele é via pro Nada, se não tem algo de coma, de mulher ?

***

foto: emasplit

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