Altera comigo o palpável e o inimaginágel.

Contos da minha casa – 9

Acabou-se o dia, e mal foi percebido, ficando para trás outro compromisso. Mas existe algo mais urgente do que a Morte ? mais exigente do que a Vida ? Em que tipo de pasmo diário ou cegueira se metem homens e mulheres ?

No chão da casa há um rastro do qual não se livra quem nela entra ou sai; um rastro silencioso e cheio de detalhes, rico em coloração e pródigo em curvas, sendo que um olhar mais atento a ele pode nos levar a imaginar o não-visto e a sentir o não-possuído, até porque é no chão que a gente deve estar – embora nem sempre, porque flutuar faz parte obrigatória da existência sadia, não-patológica.

Dizendo isso, a visita vê uma tela na qual um rosto de palhaço esmiuça as pessoas; um rosto multicor, com uma lágrima e um muxoxo dignos da melhor literatura, que um dos irmãos deixou como um legado de sua visão do mundo que ele vivenciara, até morrer afogado numa praia capixaba. Lá fora, um bem-te-vi acontece, gente apressa-se para pegar o ônibus, o dia, a vida, e o assombro novamente se ergue nas ruas do mundo, sempre igual em Istambul e Nairóbi, Goa e Reiquiavique, Quixeramobim e San Isidro.

DMC
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Igreja da Pampulha – TICO, artista mineiro (Hebert Dias de Oliveira – 43)

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Esta entrada foi postada em arte.

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