PROFECIA

A Profecia de Mapuã
A PROFECIA DE MAPUÃ

Já ouviram falar em amor de mãe, sentiram-no muitas vezes (embora nem todo mundo nos possa dizer o mesmo), e assim, tendo em vista a natureza de tal gesto, decerto retribuíram-no alguma vez. Pois bem. Recebi um livro escrito por alguém que conheço, mas que não suspeitava tivesse algo escrito – menos ainda publicado, e não porque não tenha capacidade, não, não se trata disso. E assim é que o livro de uma pessoa aqui do bairro veio às minhas mãos.

É que em todo convívio – seja ele maior ou menor, mais ou menos íntimo, com o aspecto de uma amizade formal, ou não – sucede que muitas vezes passa-se em branco pelas qualidades das pessoas, pelo fato de serem mais reservadas, ou pelo fato de que nós simplesmente não lhes damos um jeito de abrirem para nós certas qualidades delas (lembro-me de O Homem Sem Qualidades, do austríaco Robert Musil, um dos grandes romances do século vinte – mesmo inacabado).

O livro em questão trata de aventura, viagem, amizade, um pequeno livro (62 p) escrito já com a inevitável chama de quem logo escava mais fundo dentro de si, pessoa levada a isso também pelo seu meio imediatamente circundante.

Querem beleza ? espanto ? Escrito aos 12 anos (a mãe vendeu uma vaca para financiar a publicação), repito: a mãe vendeu uma vaca, em 1992, para que se publicasse o livro com desenhos e texto de sua filha – hoje, psicóloga. Lendo-o atentamente, pode-se perceber com certa facilidade os pontos básicos de uma personalidade voltada para a busca, pelo que há de inquieto nas pessoas, de sombra e luz nelas (de certa forma, em si). Uma surpresa com qualidade é este livro de Giovana Fagundes Dos Santos.

No início, disse-lhes que todos já ouviram falar em amor de mãe, e agora lhes falo acerca do imã da literatura. Ao livro, pois.

 

“Pela última vez Gina olhou para trás, e ficou intrigada com o que viu: letras feitas com fumaça cortavam o céu com uma única palavra: “medo”. Gina queria contar o que vira, mas não tinha palavras; perdera a voz e a coragem naquele momento.” (p. 16)

“Uma hora se passara e nada. Nem um lugar conhecido; nem uma rocha familiar. O relógio apontava onze horas da noite, e o pânico ia tomando conta de cada um […]” (p. 25)

“Completamente em pânico, Carlos jogou fora o bilhete e caminhou, sem hesitar, pelo corredor que vira logo à frente. Seguiu por ele e parou, impressionado: uma parede inteira recoberta por diamantes e pedras preciosas de todos os tipos e tamanhos. Um grande defeito de Carlos era a sua ambição por riquezas inúmeras que lhe pudessem ser úteis, enfeitá-lo e servir de alimento à sua vaidade.” (p. 35)
*****

Darlan M Cunha
*: Sobre o livro O Homem Sem Qualidades: http://biblioteca.folha.com.br/1/27/2001052001.html

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