UM CHAPÉU AMASSADO

Quando Alberto S. D. sacrificou o primeiro sonho da Humanidade, tornando-o realidade, ou seja, matando o tormento da espera, o delírio milenar de se ficar olhando para cima, onde nuvens e aves empaturram-se de risos e iras (fazendo, ambos, necessidades fisiológicas na tua cabeça: chuva e cocô), o suplício do delírio de voar, e coisa e tal, mal sabia ele em que encrenca estava se metendo por todo o sempre – o dele, o de todos os seus contemporâneos e, principalmente, o de todos os seus pósteros. Sim, Alberto, você era um cara sistemático, destes que abaixam a cabeça para levantar a visão do Mundo, que arrastam os pés dentro de velhos, embora macios, chinelos, para fazer com que a Humanidade possa locomover-se com mais dignidade, de não mais alguém ir de sapatos sujos (aqui, a sujeira é metafísica, ética) quando, por exemplo, de uma simples visita à vovozinha num domingo qualquer. Mundo sujo, vida suja ? Alberto, o teu chapéu dá sombra aos cansaços do mundo, melhor, à pressa necessária desta Era da Humanidade. Desejar longa vida ao teu pássaro é quase ironia, é desnecessário desejar o óbvio ao óbvio, pois o teu pássaro tornou-se parte intrínseca, Alberto S. D., do que humano é nesta Era de vôos e delírios além-lá do vôo físico. Pela riqueza do solo e da gente de Minas Gerais, Brasil, a tua fazenda Cabangu (colinas de café, terreiros de café, montões de café, navios com café), transformou-se em avião, em custeio de aventura no ar, ar de Paris, depois, do mundo inteiro, e fora do mundo, já fora do sistema solar.

Tudo seja asa, tenha asas, Alberto S. D.

DARLAN M CUNHA

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Esta entrada foi postada em arte.

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