OS TEXTOS OS TEXTOS OS TEXTOS OS TEXTOS…

Cefaléia e insôniaTextos que se publica aqui e alhures são como agiotas que medem-te as ancas e/ou a cintura e dizem-te serem eles as medidas dos seios ou das coxas, enfim, hábilmente embaralham coisas, vaca por lebre, e vice versa, e assim vivem esses textos espúrios que uma vez e outra, melhor, todos os dias, me vêm pedir guarida, vêm me perguntar se posso assumir-lhes a autoria, e então dá-los a conhecer, pois são mesmo assim os atrevidos do mundo, e há quem diga, quem ache e quem prove que estes é que se dão bem, porque são entrões ou bicões, enfim, vivem nas bocas, vivem onde os rogos e os ladrilhos mais reluzentes são assentados, onde a resina mais leitosa seja espalhada, mas eu sou devagar, só ando com um pé de cada vez, um pé para cada novo tombo, e mesmo assim são incontáveis os tombos e tropassos pelos quais passei, ou pelos quais não passei impune. Gostaria, sim, de ser escritor, por um dia, pra mim bastaria um dia para escrever algo acerca de nem sei o quê, isso porque o escritor nem sabe de onde lhe vêm as personagens que acabam sendo-lhe dor de cabeça e insônia, desaforados e desaforadas entrando-lhe pelos nove buracos do corpo, entram na sua casa e deitam-se onde queiram, mexem na geladeira, abrem gavetas e ousam até atender telefonemas e fuçar no micro, usando e abusando de estatísticas, indo e vindo às bibliotecas virtuais para saberem mais como atazanar a vida do autor e da história que o/a infeliz está contando, ou que ainda contará, ou que nunca será capaz de começar, sim, eu queria me derreter deste jeito, só por um dia, mas meus tormentos são outros, e embora nunca tenha sido personagem de ninguém, estou incerto quanto a se eu seria grande personagem, inimitável, terrível quanto Ivã, O Terrível, e daí por diante. Assim sendo, sem técnica nem cabedal cultural para escrever um livro, sirvo de hospedeiro às inúmeras personagens que vêm aqui fornicar, rir, viajar, tocar violão, ler graves e agudos textos psicológicos, matar desafetos, copular, beber e comer, incitar o povo a roer a roupa do rei e a fuçar as gavetas da rainha, e coisas que tais, assim sou eu que, macunaíntimo de mim mesmo, vivo sozinho com minhas causas possíveis e minhas certezas impossíveis.

DARLAN M. CUNHA

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