Comer

ácidas têmperas

limão capeta e pimentas "biquinho" e "de sete molhos"

                    Um ditado popular diz que peixe morre é pela boca; há também quem diga que a cozinha pode ajudar a conservar um relacionamento, não necessáriamente um casamento oficial, mas um tipo de relacionamento cada vez mais usual, embora antigo na sociedade. Isto porque não parece caber dúvida que os temperos têm lá os seus encantos, e que uma boa cozinha, através do homem ou da mulher, conta muitos e renovados pontos num dia a dia, embora também possa ser um relacionamento de encontros esporádicos. Tenho comigo este proceder, o qual levo a sério, pelo motivo de gostar de cozinhar, independente de estar ou não estar acompanhado, de ter ou não ter uma companheira, foi o que alguém disse numa roda de conversa, aparentemente esquecido de sua insônia maldita e bendita. Como se sabe, a comida é a cara de um povo, não havendo nada que o caracterize mais, depois do próprio idioma, das idiossincarsias que cada povo faz de um idioma comum, por exemplo: Brasil e Portugal escrevem e falam o idioma comum entre eles de forma diferente. Como ia dizendo, nada caracteriza mais um povo do que os alimentos que ele usa, e como os usa, quando são alimentos universalizados, como o arroz, a batata e o milho e o cacau (esses três são centrais e sul americanos), o trigo e o café. Guerras foram levadas a cabo pelo domínio de especiarias como o cravo. Sim, comer é tudo, daí que até se mate por isso. Bancos que guardam, ou pretendem guardar segredos genéticos de todas, ou das principais plantas, dos principais alimentos do mundo. Resta saber quem desfrutará deles; se os países de origem natural destas e de outras iguarias  terão voz ativa entre os mísseis postos à mesa. Lembro-me aqui duma peça teatral falando exatamente sobre isso, sobre disputa de poder, divisão ou não desta e/ou daquela área de influência, peça teatral ou balé ironizando finamente o infindável blá blá blá das altas instâncias, de nome A Mesa Verde ou, em alemão, Der Grüne Tisch (Kurt Jooss, 1901-79). Nada como terminar essa pequena escala rumo aos sabores, sob os auspícios da canção do Dorival Caymmi:  “Quem quiser vatapá, ô, que procure fazer…”

Texto e foto: Darlan M Cunha

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