Das inúmeras fobias que roem o cotidiano

Um lar do Brasil

       A gente, não raro, pode se ver sob por perguntas assim: Qual o nome do seu parente preferido ? Como se chama a rua na qual você cresceu ? Você se machucou de modo sério quando garoto ? Ia muito à casa das avós, comer do bom e do melhor, mesmo quando adulto ? Pois bem, perguntas assim vieram sobre mim, hoje, de lá de dentro de mim, e fiquei sem responder nada do que me propuseram, quase nada, isso porque há muitos fatos na minha infância, na cidade de Joaíma, onde morei até os oito ou nove anos anos, os quais continuam obscuras, levemente tingidas com algumas sensações; mas eu me lembro de como gostava de descer pela rua na qual morávamos – Rua Direita –, e continuava descendo por uma rua muito larga, em direção à grande ponte de madeira da cidade, para carros e gente, mas que as pessoas forçavam até mulas e cavalos a passarem por ela; quando a gente olhava para baixo, via a boca líquida da morte, por isso eu evitava olhar para baixo, porque a zonzura viria, a partir do topo daquela ponte sobre o Rio Jequitinhonha, um rio largo da cor de terra, na maior parte do tempo. Eu sempre temi a água, grandes águas; no entanto, ao mesmo tempo, aquilo me fascina, atraindo-me de maneira forte, mas de sensação nada boa. Com inúmeras pessoas, o mesmo acontece diante de alturas, pois elas têm hipsofobia ou acrofobia – palavras de origem grega, que significam aversão a lugares altos. Pessoas há que sofrem de agorafobia, também comum, assim como acontece com a fobia anterior; agorafobia é a aversão a grandes lugares públicos, lugares abertos, com multidões.

       Há quem goste é de sossego, de introspecção, muito silêncio – justo o que o brasileiro desconhece, porque a sua incrível deseducação não o deixa perceber os ecos da sua atitude, e assim é que vai buzinando a toda hora, mesmo de madrugada, rádios e tevês na altura de muitíssimos decibéis, e o mesmo se dá quando dentro de um carro, com um som no mínimo de uns 70 decibéis, não, as pessoas aqui não gostam de jeito nenhum de silêncio, novatas no mundo, o barulho incomodativo é necessário, precisam dizer que existem, de uma forma ou de outra, elegante ou não, dentro ou fora da lei.

Foto e texto: Darlan M Cunha

Anúncios

Um comentário em “Das inúmeras fobias que roem o cotidiano

  1. Eu amo o silêncio dos humanos e adoro ouvir os sons da natureza!
    “Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que ela faz.”
    Abs.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s