luz sem sombra

Quando levaram-no, parecia não querer ir, de tão lenta a ida se fizera, silêncio quebrado por alguma buzina, sorrisos e conversas à parte, a ida se fez fora da praxe, porquanto as pessoas que iam naquela manhã sem data e sem nome lutavam para não se darem às algemas das mesmices; por isso, cantavam algo que registrava muito bem a índole de quem estava à frente daquela reunião de amigas e amigos, é vero, e foi assim que o puseram na cautela maior dos seus sentimentos: sempre com os olhos na rima da amizade, porque a morte é coisa pouca, talvez mais do que só um pouco, talvez a morte seja mesmo muita coisa, mas, de qualquer forma, fica registrado aqui que amigas e amigos que lá estavam combinaram hora e dia de saída para o feriadão próximo, melhor para se lembrarem com mais vagar de como todos e todas andam de correria ou submissão, talvez amalgamados em demasia com aquilo que tanto se critica: a showciedade; portanto, hora é de matar velhos e novos estigmas, paradigmas e paradoxos. Que a vida, no final da conta severina, talvez até seja livro.

TEXTO: DMC
IMAGEM:
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