Durs Grünbein

Durs Grünbein - 2006 Aldeburgh Poetry Festival

Durs Grünbein nasceu em Dresden, Alemanha, em 1962. Em pouco tempo granjeou fama literária, recebendo premiações de relevo – entre as quais o Büchner, que é o maior prêmio lírico da Alemanha, concedido pela Academia Alemã de Língua e Literatura.

Sua poesia é ácida, chovendo no molhado, ou não, mostra de forma cabal as pessoas em sua vivência, em sua morte em vida.

DMC

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Suspenso da Terra

Cansado do menor desamparo, cansado do maior –
Ao olhar os pés nus na beirada da cama, da poeira,
Você rói as unhas das mãos (cresceram de novo). Na boca
Um odor que lhe faz se sentir só ao dar uma gargalhada.
De manhã, no quarto frio, ninguém dá gargalhadas. No cérebro
Arde uma ânsia, quase incontida, de sair lá fora.
Que o corpo não enfraqueça ao menor pensamento
Nesta mucosidade que ele era, no resto de cinza
Que ele se acumula em superfície nenhuma.
Tudo é cilada – nos olhos, nos ouvidos. Alarmado
Você desperta, suspenso da terra, cruel em toda a inocência,
Um jovem vampiro que sonhou com o pescoço de sua namorada
Entre os dentes a carne de ontem.

Erdenleicht

Müde der kleinen Ohnmacht, müde der großen –
Beim Anblick der nackten Füßen am Bettrand, des Staubes
Leckst du die Fingernägel (schon wieder gewachsen). Im Mund
Steht ein Geruch, der einsam macht, wenn man lauthals lacht.
Morgens im kalten Zimmer lacht niemand. Im Hirn entfacht
Wird ein Verlangen nach Draußen, das sich kaum stillen läßt.
Daß der Körper nicht schwach wird beim bloßen
Gedanken an diesen Schleim, der er war, an den Aschenrest,
In dem er sich sammelt auf keinem Grund.
Alles ist Hinterhalt – in den Augen, den Ohren, Gewarnt
Wachst du auf, erdenleicht, grausam in aller Unschuld,
Ein junger Vampir, der vom Hals seines Mädchens geträumt hat,
Zwischen den Zähnen das Fleisch von Gestern..

Tradução de VIVIANE SANTANA PAULO

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Dresden: Pompéia alemã?

Repita: não precisa de muito pra fazer de uma cidade paisagem lunar. Ou carvão de quem lá mora. Imagine só: acontecer na pausa da ópera, buscar cigarro em vão. E nas ruas, caindo mortos, o breu fervendo. A mão do ciclista cola azul no guidão, neve, mar de casas varrido por desértico vento. Faraós em trajes de inverno queimam em breve. Mais quente que qualquer verão. O último alarme mal se dissipa, e no centro a cinza ainda arde.

Trazido da Deutsche Welle

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