Nono Tabu

NONO TABU

Restando-lhe esperar pelo último dia de suplício do pai, da mãe e dele mesmo, sempre apostando no diabo, pela pronta entrega do mesmo a quem o procura, ao contrário de deus, ele raciocina acerca do fato de que quando na meia penumbra o bicho até lhe parece mera imaginação doentia, mas na penumbra o bicho se mostra um pouco mais do que isso, e se pode até ver-lhe os olhos, mas não o fundo dos olhos;  e continuou a pensar que o bicho tem muitas faces e timbres de voz, e que, tendo formas fácilmente diluíveis, possui um cabedal imenso de lhanezas e esperezas, para assim melhor confundir quem, por um motivo e outro, consiga olhar para ele. Então, lembrou-se que enquanto escrevia seu livro Poemas com o Diabo dentro, ficara com os olhos roxos, de tanto atracar-se com a estúrdia do bicho acima citado, mas logo se recuperou, e cortou com velhos e imundos cacos de vidro a goela e os colhões do dito cujo, e a omnipresença de sua antítese – ou de seu contrário.

Foto e texto: Darlan M Cunha

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