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     O povo ora sem parar, seu fabulário ateia fogo no capim miúdo da honra e da desonra, porque tudo tem limite, diz alguém ajoelhado sobre o peso do seu próprio medo, e assim os dias e as noites comem o que possam ter de melhor um homem e uma mulher, atados a pedirem favores a deus e ao diabo – de onde vier ajuda contra as suas apreensões, pois o fabulário geral do cotidiano não pode dispensar de modo algum um levantar de olhos para o céu, não pode o povo viver sem que o ajude no rescaldo do seu incêndio a arma que ele acha ser a melhor contra esse tipo de intempérie: a fé, porque a fé recolhe entranhas, calca o pé na garganta das temeridades; é nisso que o populacho crê, e se faz presente nos templos, acariciando a possibilidade de ir ao paraíso – onde o cansaço tem vedada a entrada, de onde o sono foi banido, onde a fome e a sede servem de chacota para os residentes, sim, o povo, com ou sem razão, ora sem parar, até porque pressente que coisas piores virão, a cavalo, a jato, na ponta/conta da discórdia final.

Foto e crônica: Darlan M Cunha

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