escritor anônimo

escritor anônimo

Muito já foi escrito a respeito da pressa que desagrega, tornando insensíveis as pessoas, vindo daí uma série amarga de fatos, tanto no entorno mais próximo, quanto nos mais longínquos. Ontem, alguém perto daqui gritou uns alfarrábios, mal o dia tinha raiado, alguém, perto de onde estou, lembrou-se disso, longe da mãe pressa, enquanto bebia o primeiro café, e sorria com a música do dia na cabeça, hábito seu o de procurar uma canção para o dia, mas não todo dia. É um vizinho anônimo até para os vizinhos, mas ele vai para o dia assim como quem vai cumprir um novo apelo num cemitério, ou seja, enredado em si, vai para o dia, parecendo ter sempre em mente que trafega na contramão, se não o dia todo, pelo menos numa parte dele, de cada dia. Sentar-se na praça é costume, lendo nuvens ou a paisagem, também os bares o conhecem, algo alheio ao ritmo que a todos desestabiliza, segundo ele, que um dia ouvi falar sem compromisso numa roda de infelizes ou de felizes pela metade – o que é a mesma dosagem. Foi aí que alguém soube o caminho até seus trevos em desalinho, de sua pressão tão intensa quanto a de uma represa arrebentada, seu estilo insone, enfim, algo veio à tona, quando alguém abriu geral, jogando na praça alguns ecos, melhor, os dedos do escritor anônimo, pelo que fincaram no solo da dúvida uma estátua a ele, pois o que é um escritor, se sem dúvidas a corroê-lo, ainda que anônimo ?

 

Texto: Darlan M Cunha
Imagem: tripadvisor
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