150 e menos

Beryl Cook. Tenerife days, 2004

Beryl Cook. Tenerife days, 2004

         Frotas no mar, a partir de algum lugar da imaginação, a madrugada se fez generosa com a insônia do viajante que, esticando a destra, levantou o copo e serviu-se com o timbre de sempre, avesso a tanta coisa, incerto quanto ao amanhecer. Pensando longe, imaginou areais de onde aventureiros partiram rumo ao sal e ao açúcar desconhecidos, vítimas e algozes viriam a ser; pensou nas pessoas que fizeram parte de sua vida resumida – pois é incrível o pequeno círculo de pessoas que fazem parte concreta de nossa existência, tendo lido que é mesmo raro que no máximo 150 pessoas flutuem neste círculo, quase todas apenas durante parte dele, e isto é ou deveria ser algo para nos deixar de fato atônitos e desapontados, pensou, ajeitando-se entre o desconforto desta lembrança e o fato de ter de ir ao banheiro. Pensando bem, uma centena de pessoas já é gente demais.

 

Texto: Darlan M Cunha

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