as tempestades

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Casa Branca / Brumadinho, MG

 

     Nada se compara à tempestade humana, certamente nem mesmo uma tempestade do tipo que apavorava as primeiras gentes do mundo, cobrindo-as com tal pavor que sequer respiravam, agarradas à sua fragilidade. Morre-se porque se está debaixo de uma árvore, numa hora dessas, enfim, morre-se a toda hora e em todo lugar, nesse tempo em que a morte ficou tão banalizada, que ninguém dá pelo morto ou pela morta ao lado, na mesma poltrona de viagem, pois não há diálogo, e assim os monólogos e os solilóquios pululam entre as gentes modernas, todas com seus engraçados aparelhinhos, seus risinhos de mulher desnaturada, e homens ocos (the hollow men).

     Nada se compara ao espanto das primeiras e das últimas rajadas de uma barbárie, que são a nossa marca registrada. No primeiro dia do mundo, mijei num baobá, deixei pegadas na praia, procurando ovos de tartaruga. E já no primeiro dia do mundo matei um homem – eu mesmo.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

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