Sonho de uma noite de plantão

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Isso que vês é pura ficção.

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     Como sempre acontece nas feiras e mercados populares, encontramos gente com a sua própria visão do mundo, e gostamos disso – ainda que divirjam da nossa própria visão a respeito deste ou daquele assunto. É natural ir ao riso e à cerveja, depois das compras. E foi numa dessas que um frequentador, de uns trinta e cinco anos, e a amiga, entraram na conversa, e ele foi logo dizendo que tinha saído de um plantão noturno, e que durante o mesmo um desejo de sumir no mapa o perseguiu por todos os cantos: na cantina, à beira da cama dos pacientes, assinando e carimbando receitas, lavando as mãos, enfim, sua realidade. O desejo o incitava a ir de férias (porém, como ?), chutar o balde, trocar de nome e até ficar sem nome e coisas e tais, e ele bem ali nos corredores brancos, absorto, babando diante das dicas, sonhando com notas caindo do céu, mil petiscos inenarráveis, entraria num vórtice total de ir descalço pelas ruas de cidades antigas, pelado no lombo de camelo (o estetoscópio quase lhe caiu da mão), enfim, o diabo atrás tocando viola. Tiraria férias, na marra, após dois anos mourejando, segundo ele, sob risadas gerais. Disse que seu salário acaba lá pelo dia dezoito, dia vinte, mas que sonhar não paga imposto. Iria.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

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