fábula darlaniana

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pátio do hospital Campos Sales – Belo Horizonte, MG

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     Sherazade me soprou esta: “Era uma vez, num pátio maior do que o céu, uma única árvore surgiu, vinda de algum grão cósmico, e achou por bem ficar por aqui, mesmo entre ventos e trovoadas humanas, ela conseguiu erguer-se acima da cabeça dos homens que a maltratavam com tatuagens de coração, de facas, de monstros, língua para fora, palavrões, etc, que defecavam  e urinavam junto a suas imensas raízes saltadas para fora da terra, como dedos generosos, até que um dia, quando acordaram, viram que aquela beleza maior do que rainhas e imperatrizes estava no chão – e só então olharam para as próprias mãos, e viram que já não tinham mãos, não tinham língua, não poderiam mais procriar. Deitada, a árvore parecia ainda dizer-lhes algo.”

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Texto e foto: Darlan M Cunha

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