babel moderna – 3

cao-vadio

Sem Nome – vadio, depois de ter sido cão de madame

*

      O que fazer, se a estrada desaparece ? Ó, se um cão tem consigo tal pergunta, imagine o restante. O ontem foi hoje e foi amanhã; mas, embora ainda em parte insepulto, já podes cantar-lhe essa cova em que estás, com palmos medida – porque o ontem já não serve sequer para piada, o agora é que é O Cara.

     Sou um cão vadio, vou para onde o focinho aponta, para onde o rabo abana. Nada tenho com o fisco, mas devo estar atento aos palavrões, aos chutes e aos guizos que querem colocar no meu rabo, e assim fazerem com que eu enlouqueça com aquele barulho, sim, amigos meus, cães de grande coração, morreram de loucura, guizos no rabo. O mundo é. Certas perguntas deveriam servir geral. O que fazer, se o convite tão esperado não veio ?

     É certo que não gosto deles, dos caminhos cheios de gente – sinônimos de problemas, de dias e noites emperrados por desejos que não cedem, por falsas alegrias babando nos bares e nos lares, ó vida, margarida, é mais do que certo que não me atraem estes jogos florais, estes mercados de pulgas. O que fazer, se o sofá se torna pequeno, e se a rua já não sabe o que é dar-se as mãos ? Nesta Babel, falo só o idioma do uivo.

arte, foto e texto: Darlan M Cunha

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s