à mesa – 2

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     Cá estamos, à tua espera, nesta mesa com opiniões sob a custódia do espanto, ó seres do espanto, vigiai os tetos desta aldeia, as meninas e os meninos deste mundo fechado em smartphones, vírus da fala, o mundo da pressa, de desejos frustrados, de ofertas pagáveis-em–mil-prestações, de presidentes amalucados, o mundo namorando a loucura, a miséria é antiga, ora, onde estão as mesas cheias de petiscos, de não haver mãos e bocas capazes de esvaziá-las de todo ? Falar é semear, colher, mas resta doar alguma coisa, por exemplo, 1/2 litro de sangue, uma vez por ano, dos 5 ½ litros que se tem.

     Camões perdeu um olho em batalha, e Miguel de Cervantes um braço em batalha, por mares já navegados, e assim mesmo, debaixo de sina tão adversa, conseguiram deixar Os Lusíadas e o Dom Quixote. Assim, para o Museu de Tudo, começarei doando meus velhos chinelos, cheios de tropassos, a insônia cheia de taquicardia, cheia de viagens agradáveis e não agradáveis, ó, o futuro não será negro, não terá cor nenhuma sendo a maioral. Saúde. A caipirinha tá demais.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

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