à mesa – 4

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     Hoje, estar à mesa pode significar estar assim como na foto aí acima: longe de si, de ti, de mim, alheios ao alto e ao fundo do mundo, atentos ao fútil desfrutar de uma distância cada vez maior em relação aos outros, todos felizes por mandarem através de um controle remoto alguma mensagem pífia, linhas insossas, quando não ataques vindos de quem a pessoa ofendida nem conhece, mentiras sobre esta ou aquela situação, ou pessoa. Há que se cuidar. Felizes, às tantas da madrugada a aldeia já está desperta pela metade, já há tipos vagando pelas ruas, com uma telinha na mão e um fi em cada ouvido, falando e ouvindo abobrinhas, quem sabe ?, talvez seja uma solução definitiva para a humanidade, no escuro, lá vão as criaturas-zumbis, amando a solidão, o mundo não dorme, todos parecem felizes, pois não há nada escuro no horizonte da humanidade, nada a reparar na pequena aldeia. Um pequeno descuido sendo reparado: a borra do café estanca e desinfeta o pequeno corte no meu indicador esquerdo. Vamos ao moca, ou café. À mesa, ao dia.

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foto e texto: Darlan M Cunha

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