mães, avós, bisavós e trisavós – 1

vida dura da Vovó

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     Sem dúvida, já ouvimos que ser mãe é padecer no paraíso, mas há diferenças: há mães que cuidam até da sombra dos filhos, mesmo adultos, e mães que esquecem as janelas do apartamento abertas, janelas para a tragédia, e outras há que simplesmente descartam, em seu desespero. Mães que leem ou inventam histórias à beira das camas, novas Sherazades, e aí o sono vem e parece durar mil e uma noites.

     Quanto a ir à casa das avós, isso é um verdadeiro chega-pra-lá no cotidiano enfadonho, é a vitória do riso, da anarquia tanto dos netos adultos, até casados, quanto dos pequenos arruaceiros. E tomem petiscos, afagos, pilhérias, risos e pitos, muitas vezes, com música. Frango & macarrão.

     Minha avó paterna fumava cigarro de palha e bebia uma caneca de pinga, mascava gengibre e folhas frescas de hortelã, montava a cavalo e atirava com espingarda e com um 32 (quando jovem, atirava com o 38), mandava na fazenda, no meu avô. Nunca a vi tricotar, como o faz muito bem e de modo constante até hoje a minha mãe. A mesa de prontidão 24 horas por dia, mas esse tempo tem os dias contados, até porque quase 90% da população já vivem nas cidades, suicidades, monstrópoles.

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foto e texto: Darlan M Cunha

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