Entre (e fique)

 

suprarreal

uma casa muito engraçada*

***

     Antes que o mundo se perca de vez, me mudarei para a beira de um rio já escolhido, pequeno, talvel ainda esteja limpo naquela data, no qual ficarei pescando pensamentos, maldizendo cobras e lagartos, rindo-me de mim mesmo e de outros motivos, mastigando folhas de azedinha, sem me preocupar com solilóquios e premonições, com síndrome de esquizofrenia, o hábito de falar sozinho e odiar calado aumentando a pressão interna até explodir e ser internado, ó, nada de acusma, alucinações de origens diversas, delírios, até chegar à catatonia ou ao suprassumo da perda de discernimento que é a cacofagia (em que o doente//paciente come as próprias fezes), não, nada disso me comoverá, e não irei aonde não devo, atento à minha própria guerra, e não às escaramuças mundo afora.

     Assim, antes do cataclisma final, o mundo cheio de cinzas, um silêncio só havido antes do mundo existir, estarei pescando, nu, à espera, o riso e a música por testemunhas. Após os últimos estertores do mundo eu me levantarei e deixarei a antiga sesta, começando um novo tempo, um admirável mundo novo. Quem viver, verá.

***

Foto e texto: Darlan M Cunha

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