Carta à Mãe – 144

Buritis, BHte, 2020

Dona MARIA,

pessoas como a Senhora, por serem raras, ou de não se encontrar em todas as esquinas do mundo, nos desertos, no Ártico ou na Antártida, onde, em teoria, não há esquinas e outros tipos de divisões, devem sair às ruas todos os dias, sim, para iluminá-las, e, assim como está no título do muito querido José Saramago, modificar o Ensaio Sobre A Cegueira, que há tanto tempo, desde sempre, é marca registrada da humanidade, é isso aí… puxa, 88 anos !

Domingo, de carona, para ir visitar a Dona MARIA… ora, MÃE É MÃE.

Mãe Mãinha,

ah, sei que a Senhora gostou da saia colorida, que eu sempre compro para a Senhora, que ama as flores, sei disso, ainda quando eu morava no útero, reclamando do mundo, eu não me chamo só Raimundo, dizendo horrores do lugar para onde eu iria, e vim, e todos viemos. Pois é, ponho a mão em pala na testa, e vejo coisas boas, mas vejo também muito breu, mas tenho mais fórmulas e táticas ainda não usadas, e os bons como a Senhora vencerão. A Senhora, que é tão dada aos outros – conhecidos e desconhecidos -, bem nos ensinou isto.

O asseio constante… Dona MARIA não tem empregada.

Vovó Bisavó Trisavó MARIA JOSÉ,

têm biscoitos e bolo por aí ? Se tiver, irei; mas se não tiver (duvido), irei, do mesmo jeito. Ó, estou precisando de sentar-me devagar, sem barulho, para tentar me recompor de mais um susto que o meu coração fraco levou agora de manhã, na feira, sim, Mãe, os preços estão mais altos do que fumaça de jato, corri atrás, mas só deu para trazer uns verdes: ora-pro-nobis, taioba, couve, e tomates e pepinos, pacote de arroz (2 kgs), três quilos de carne para cozinhar – porque dura três, quatro, cinco dias, e até que o gás por aqui não esta tão caro: somente R$ 73,00 (fiquei sabendo que em Brasília, um butijão de gás já passou dos 110, 120…). Ó, chega lá pelo dia 20, seu menino já está rastejando, bolso furado (por falar em BOLSO… ?), e por aí vai, Mãe, mas a Senhora diz que é preciso ir, com dignidade, será. Unidos, venceremos, é o que diz o povão sem rumo.

Bolo de chocolate

MÃE, minha sopa de baroa com ovos cozidos, folhas de repolho e pão,

não se preocupe, as eleições estão aí, votarei na Senhora, com certeza, votar é esporte, votar é lazer, é riso garantido. Tenho encontro marcado (lembra do livro do Fernando Sabino: Encontro Marcado, que beleza, e mais beleza ainda o livro, já que falamos em rir até cair no chão: O Grande Mentecapto, também do Fernando Sabino).

Ó, vou me despedir, com 365 abraços e 365 beijos deste seu filho abilolado, analfabeto, mas bom garoto

Dona MARIA e três filhas…

DARLAN

4 comentários sobre “Carta à Mãe – 144

  1. Grato, Caro Amigo (The Dark Side of the Moon)
    por mais esta visita à página UAÍMA, e também pelo fato de sempre divulgá-la em sua própria página WORDPRESS. Que o lado claro da vida sempre nos atinja, em cheio, sem miséria, hehe…

    Darlan M Cunha

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  2. Nossa as vezes estes poemas ou seja lá declarações do filho me faz pensar nas profundas e verdadeiras palavras expressadas nestas cartas. A senhora que é mãe, avó, bisavó e além disso amiga da vida e sempre cheia de esperanças desde que nasceu já dizia com tanta fé que um dia tudo vai mudar pra melhor. Apesar de todas alegrias, prazeres, risos, amigos e nunca inimigos, momentos inesquecíveis na vida que nada vai pagar e tb os momentos de perda, sofrimento, pranto, decepção, mágoa e que nada e ninguém nesta vida vai apagar. Só tenho a declarar a esta senhora fica firme e forte porque os ventos tentam nos arrastar de um lado a outro mas Deus é contigo. God bless you Mãe querida!!

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