gosto discute-se, sim

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Quando ouço alguém dizer que não come isso e nem aquilo, é inevitável não pensar ou não me lembrar que a fome é o melhor tempero, e a partir disso não há argumento que resista. Lembro-me de um filme do Charlie Chaplin, no qual ele está com um brutamontes numa cabana à beira do abismo, gelo por todos os lados, uma fome avassaladora, nada de nada para se comer, ele arrancou a botina, sonhando com um enorme e suculento bife de bisão, sonhando que a sola da botina era o próprio bife…

@2.

Os números aí acima são de ontem: 550 mil mortos, 1101 de média colossal, trágica. A mortandade continua, o ciclo letal mais e mais se alarga, por mais de um motivo. O medo, melhor, pavor doentio, tomou conta do ar da água da terra dos homens e das mulheres de todos os lugares. Verdadeiramente, as pessoas estão cansadas, à espera.

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Darlan M Cunha: foto e texto

2 comentários sobre “gosto discute-se, sim

  1. Não tenho esperanças de que isso tudo se dissolva em tempo curto. Todas essas mortes…E ainda tem que aguentar o sujeito lá e gente apoiando o energúmeno. O Brasil é um país estranho e hipócrita. Arrancaram uma mulher da Presidência por pura e simples ignorância. Elegeram um b**ta por pura e simples ignorância. E essa ignorância não é de hoje. Porque há muito tempo a Educação nesse país não é prioridade, a Ciência não é prioridade, o Esporte não é prioridade – a menos que seja futebol, não é? -, mas enfim… Não importa a sigla partidária a entrar naquele palácio. O desrespeito ao povo continua. Cada vez mais decepcionante. Vamos sempre de mal a pior e, agora, como diz minha amiga, muito mais pior de ruim.

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  2. Evelyn Postali, Gente com G Maiúsculo

    eis um verso gigante, melancólico mas ferrenho de olhos abertso, não obstante ter sido escrito num contexto bem diferen – no poema Lágrima, do vencedor do Prêmio Camões, o humilde poeta (nem ia receber os Prêmios, bem diferente do arrogante Dylan), o português Eugénio de Andrade, poemas pequenos, delicados, portanto, eis uma amostra a qual trago para cá, repetindo, veio de um contexto diferente. Bom, já que não está sendo possível chorar, porque os olhos secaram, tornaram-se, cada um deles, um Atacama (que conheci e amei), o jeito é rir, mas antes, ambos e todo o Mundo que enxerga, leiamos, comovidos, essa pérola que diz isto da lágrima: ” A BREVE ARQUITETURA DO CHORO.”

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