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Campinho de todos (não se paga). RIO ACIMA – MINAS GERAIS – BRASIL

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@1.

Estava mais angustiado / que um goleiro na hora do gol / Quando você entrou em mim / como um sol… (BELCHIOR, na canção Divina Comédia Humana).

@2.

Hoje numa padaria específica encontrei, entre pães sírios, italianos e alemães, pães com uma infinidade de recheios e gostos: de batata de cenoura de milho de mandioca de abóbora, ou com azeitonas, com azeite, com rodelas de linguiça defumada, com frutas cristalizadas, pães de forma e pães de alho e muitos outros, encontrei uma joia que eu não via havia anos, pode crer que reencontrei ‘marta rocha’, e a levei para casa, tremendo que nem um goleiro na hora do gol, eu saboreei a marta rocha de tempos idos, e ela por aí. Que pão delicado ! Pensavas tu em algo ? Procure uma padaria mais variada.

@3.

Não vou encerrar essa ‘crônica’ em tom de baixo astral, não, mas o mundo vai demorar no mínimo uma década para se recompor, porém, dificilmente mudará radicalmente de rumo, logo se esquecerá de ter rastejado debaixo da batuta de um vírus, logo se esquecerá da tremenda e mortal lição – já se falou disso aqui, faz um certo tempo.

Bom, os preços estão convidativos, é fácil de se notar isso, este convite que incita cidadãos e cidadãs a não entrarem em vendas, bares, restaurantes, quiosques, brechós, lojas disso e daquilo, “promoções disso e daquilo”, não irem a ginásios clubes teatros estádios hotéis motéis (os dízimos das igrejas permanecem liberais, abertos à capacidade de cada um), tudo isso porque os preços convidam a nos mantermos com escorpiões e cascavéis nos bolsos, bolsos que, por natureza, são vazios, raros. Nas nuvens os preços.

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Darlan M Cunha: foto e texto

BELCHIOR. Divina Comédia Humana.: https://www.youtube.com/watch?v=lDNKiB4pL1o

numeral

cotidiano mundial // world daily life

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@1.

As sociedades em transe, a Terra em transe, vales e montanhas tristes porque fracos em seu potencial de alimento e de beleza, e nos rios e nos mares os poucos peixes foram vencidos no jogo desleal contra os monômeros & os polímeros, ou seja, o plástico nosso de todo dia – novo salmo, nova ladainha, a morte por asfixia.

@2.

Ontem, num mercado aqui do bairro, ouvi que “tudo vai dar certo.”, o que me deixou encantado por tal leveza na fala, leveza e certeza inabalável. Não mudei meu conceito a respeito disso ou daquilo, mas ainda agora, horas depois, lembro-me do sal e do açúcar contidos numa concepção alheia de bem quanto à vida, uma opinião bem clara e resoluta – coisa rara. Sim, tudo vai dar certo.

@3.

No dia da criança, anteontem, uma turma de alegres impenitentes aqui da região, saímos com cartazes, sem alarde, sem intrigas, brigas, isso é para desqualificados, e a bandeira foi o cartaz onde se lia NÃO SEJA CRIANÇA, É PERIGOSO, PODE SER PREJUDICIAL À SAÚDE. Num mundo cheio de iscas venenosas, virtuais e (a)normais, todo cuidado é pouco.

Alguém perguntou se neste ritmo o milhão de mortos de cada um destes gigantes, via pandemia, chegará: do Brasil, da China, da índia e dos EUA. Uma pergunta terrível, nua e crua, sem contemplação, porque o Pavor Geral não dorme.

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Darlan M Cunha: foto e texto

Viva o povo brasileiro (com licença, João Ubaldo Ribeiro)

BRASIL, REAL MADRI, ALEMANHA, MILAN

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@1.

Há décadas ele não entra num campo de futebol no Brasil, décadas, por poucos mas fortes motivos, e nem mesmo pela televisão – nela, só mesmo jogos como Real Madri x Barcelona ou, de 4 em 4 anos, a Copa do Mundo. Jogou uma barbaridade no time do Exército, meia armador, e tanto o Flamengo quanto o Atlético Mineiro estiveram com o pai dele, mas ele não quis saber, disse: Quero é continuar a ler, viajar e tocar instrumentos, saber psicanálise, sociologia, antropologia, arte marajoara, arte chinesa, russa, arte andina, entender de leve alguns idiomas, e algo sobre o Teatro de Sombras Tailandês, mais livros, e umas caipirinhas e peixe ensopado com batatas – peixada, etc.

@2.

Mudando de ambiente, isso foi dito no Mercado Central, informalmente, com muita sátira envolvida na roda de mulheres e homens: “Já que o País não tem presidente, e sim um pseudo durão, semi analfabeto, posso, sim, pensar num esforço ou no sacrifício de me candidatar.” Risos gerais. Marca registrada do povo brasileiro é o bom humor. Ande, viaje, leia, conviva com brasileiros e estrangeiros, saberás de fato desta particularidade admirada por estrangeiros: o bom humor nato – marca natural, não registrada, natural.

@3.

O BUDA sentado, esperando mamadeira

Quando o Buda dorme ele ronca feito um leão asmático, diz indecências enquanto moureja sobre o catre do tipo cama de faquir, a dois metros do meu catre, porque isso não é cama, mas a realidade exige que a gente adapte-se ao que há, onde se está. Eis o Buda bem esticado, como se morto, duro, parecendo estar em adiantado estado de rigidez cadavérica, mas não, de vez em quando O ILUMINADO solta um balão ou uma bufa, de modo que as cortinas dançam de meter medo, e eu aqui, querendo sair do forno, mas os guardas não deixam, já que sou convidado especial do iluminado Buda, e tudo dentro e fora de mim toma conta do prisioneiro que sou de mim mesmo.

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Darlan M Cunha: fotos e texto

Sem névoa nos olhos // No mist in the eyes

sem bolsonaros
Brasil infantil (sem políticos)

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Os imprescindíveis

Há homens que lutam um dia

e são bons, há outros que

lutam um ano e são melhores,

há os que lutam muitos anos e

são muito bons. Mas há os que

lutam toda a vida e estes são

imprescindíveis.

  • BERTOLT BRECHT

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As lutas

E assim de luta em luta a vida entra

e sai de becos e sombras, quase se afoga

no choro, mas ela de novo sorri

como o sol da manhã, porque a vida é

teimosa como uma martelo, é suave

como um bolo caseiro, e imprevisível

feito um vulcão adormecido, um tsunami,

uma mulher com o sono avariado.

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The struggles

And so from struggle to struggle life enters
and out of alleys and shadows, and almost drowns
in tears, but she soon smiles
like the morning sun, because life is stubborn
like a hammer, it’s gentle
like a homemade cake, and unpredictable
like a sleeping volcano, a tsunami, a woman with broken sleep.

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Darlan M Cunha: fotos e poema As lutas

doce lembrança // sweet memory

ELVIRO FERREIRA CUNHA, mestre em ESTATÍSTICA, pelo IBGE – meu pai (1922/2012)

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BREVES PALAVRAS

Meu pai era um homem calado, simples, gostava muito de ler, nunca o vimos nem ouvimos levantar a voz para a nossa Mãe Maria José, 63 anos de casados. Hoje, 26 de agosto 2021, já se vão nove anos do seu falecimento. Trabalhou a vida inteira no INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Alzheimer.

My father was a quiet, simple man, he loved to read, we never saw or heard him raise his voice to our Mother Mary Joseph, 63 years of marriage. Today, August 26, 2021, it will be nine years since his passing. He worked all his life at the BRAZILIAN INSTITUTE OF GEOGRAPHY AND STATISTICS – IBGE. Alzheimer’s.

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OUTRAS PALAVRAS

Uma grande amiga minha, Ana M., jovem doçura, e um bom humor maravilhoso, médica pediatra, me disse que uma garotinha de cinco anos foi consultar-se com ela – evidentemente acompanhada dos pais, ambos engenheiros, e que depois da consulta e da prescrição, etc, a garotinha agradeceu, e os pais também, e ela falou assim: “Doutora, eu quando é grande, eu vai ser médica, eu e o meu irmãozinho, a gente vai ajudar todo mundo.”

IN OTHER WORDS

A good friend of mine, Ana M., a sweet young woman with a wonderful good humor, a pediatrician, told me that a five year old girl went to see her, accompanied by her parents, both engineers, and that after the consultation and the prescription, etc., the girl thanked her, and so did her parents, and she said: “Doctor, when I grow up, I’m going to be a doctor, me and my little brother, we’re going to help everyone.

Darlan M Cunha: foto e texto

Ó, mamma mia!

roscas feitas em casa // home made
sorria ou chore // smile or cry

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E PORQUE HOJE É DOMINGO

E porque hoje é domingo, muitas pessoas ficarão em casa, afáveis, cansadas de mil correrias, eis os chinelos, a bermuda e a camiseta, mas onde estão os sorrisos e as piadas ? Nada de cílios postiços, nem de relógio, e muito menos de internet – basta de inutilidades ! isso porque hoje é o dia depois do dia de sábado, e quem vive sozinho, sozinha não fique. E porque é domingo, uma esticadinha na praça aqui perto, bom exemplo. Sol é bom, e as lagartixas gostam. De volta, um tropeção, e um pequeno palavrão, para desafogar. Lavar a roupa e ajeitar os móveis. Música com poucos decibéis, música é para se ouvir e viajar dentro dela, não seja arma para irritar a vizinhança, ora. E porque é domingo – feijão, arroz, salada e macarronada, ou seja, o que houver para comer. Certo ? Felizes iguais às borboletas, os sapos, as rãs, os bichos-preguiça, as bibas dependuradas no teto, de cabeça para baixo, nós todos felizes, iguais aos cofres do governo, cheios do suor do Povão. Mas está tudo bem, porque hoje é domingo, hoje é domingo.

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AND BECAUSE TODAY IS SUNDAY

And because today is Sunday, many people will stay at home, affables, tired of running, here are the slippers, the shorts and the T-shirt, but where are the smiles and the jokes ? No false eyelashes, no watch, and even less internet – enough with the uselessness! because today is the day after Saturday. and those who live alone, don’t be alone, and because it is Sunday, a little stretch in the square nearby, a good example. Sun is good, and lizards like it. On the way back, a stumble, and a little swearing, to relieve the pressure. Doing the laundry and tidying up the furniture. Music with low decibels, music is for listening to and traveling in, not for annoying the neighborhood. And because it is Sunday – beans, rice, salad and noodles, whatever you have to eat. Right ? Happy as butterflies, the frogs, the toads, the sloths, the bibies hanging from the ceiling, upside down, we are all happy, just like the government coffers, filled with the sweat of the People. But that’s okay, because today is Sunday,today is Sunday.

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Darlan M Cunha: foto e texto