convite

Sabará, MG – BRASIL

Algum dia irei a Sabarábuçu, Raposos, Rio Acima, e ao Rio das Velhas com muitas histórias de ouro, e também voltarei a São Sebastião das Águas Claras, que todo mundo conhece como Cachoeira dos Macacos, pequenina e dócil ao tato e ao olhar, tudo aqui bem pertinho de BH, mas longe da monstrópole, sim, é claro que fui até lá várias vezes, mas sempre me esqueço como estes lugares são, vivem, aí então eu invento de ir conhecê-los, e lá vamos nós aos queijos, chouriços, couves, linguiças, jabuticabas, torresminhos, taioba, goiabada, ao angu, ao ora pro nobis e àquela cachacinha. Ó, melhor do que isso é só beijo de Mãe, e umas bicotas das moças, e muita música, porque em todos estes lugares há músicos a rodo, é difícil uma família onde não haja alguém músico, ainda que amador, mas de muito boa técnica – moças e rapazes tocando com vovôs e vovós, crianças bem ali no seu dó maior na flauta, etc. Um espanto é o país, esse mesmo de Brasília – aliás, não o mesmo.

Darlan M Cunha: foto e texto

solar

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@1.

Dois pedreiros batucando ferros, pedras, conversas e risos em frente à minha casa, bons rapazes atentos ao mundo das pedras, ao jorro do sol, às tiras já meio capengas das havaianas, e de vez em quando às e aos passantes. A rua por testemunha.

@2.

Ainda acho que controvérsias, em geral, são perda de tempo, temas de se rejeitá-los, sendo de uma miséria psicológica capaz de encher um livro de desassossego, uma enciclopédia. Alguém escreveu, embora noutro contexto, que eles são cada vez mais, sim, curto e grosso, porque esta é uma das boas fruições de se ir aos mercados e às feiras: ouvir o que nunca se ouviu, ou que não se quis ouvir. Há controvérsias.

@3.

Sol solar solão solama Solimões solto solvente solução solícito solitude solidão soleado solado solapar ensolarado soleira solarium soldo salarium (desde a Antiga Roma, aos dias de hoje, o salarium continua sendo filho da evaporação).

@4.

OUVIDO no MERCADO CENTRAL, horas após certa notícia no/na mídia entrar: “Mas, e o Grande Serial Killer em Brasília e no Brasil, ainda é o 19, somente ele ? Sabemos que há um bom tempo que muito disso lhe foi subtraído, pelo menos em parte, este epíteto, esta criminalização, este desabono ou esta fatuidade que, parece, já não é de sua sanha exclusiva, porque algo mais em cena entrou e ficou. A ínclita CPI em curso ainda terá muitos gomos, vãos, cracas, caroços, quistos, pituitárias, dessincronias, psiquismos doentios, recursos insidiosos, até mesmo ameaças veladas e incisivas a desvendar e colocar à disposição da Justiça, sim, o Grande Horror, A Grande Peste Bubônica ainda dará trabalho à ínclita CPI. O Povão, irritadíssimo, rasga os dedos, insone, maldiz a deus e ao diabo na terra do sol.”

invasão

Zé Lu Iº

O dileto amigo aí acima, Zé Lu 1º, amado pela molecada do bairro, tem o bom hábito da prosa, de conversar, assim como eu, que tenho a sua amizade, e por isso ficamos de bons papos e boas gargalhadas (qualquer semelhança com o famoso livrinho PLATERO Y YO // PLATERO E EU, do espanhol prêmio Nobel de Literatura, Juan Ramon Jiménez, é pura casualidade, e também um ponto honroso, sendo que Platero é um burrinho famoso, sabedor das coisas). Acontece que o nosso amigo sabe ler e escrever, mas não lê nada humano, pois o nosso papo é alto e profundo demais para os tais Homo sapiens sapiens, por isso não prestamos ATENÇÃO à PLACA na propriedade a qual de vez em quando a gente passa o dia, mastigando palavras, digerindo conceitos e capim meloso, por isso, que o proprietário ou a proprietária nos perdoe total, porque somos assim mesmo, contestadores e, bons mineiros que somos, somos irremediavelmente conspiradores. Marca registrada do nosso psiquismo.

Darlan M Cunha: foto e texto

historial

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Há sempre alguma dúvida que se agarra a nós de maneira insistente, às vezes, até penosa – um paciente disse isso, após atendido, disse de um modo informal a quem o acompanhava, e se foram devagar num mundo sujeito à Mãe Pressa, impiedosa com filhos e filhas. Segredos e espantos por companhia, pois não há como não estar à mercê do que não se sabe, não se vê, mas uma rajada vigorosa pode vir do fato da pessoa lembrar-se de vez em quando do primeiro alimento, o colostro, e assim poder repensar sua trajetória, reconsiderar conceitos a respeito disso ou daquilo, se a vida é leque, labirinto, paleta e caleidoscópio, sempre haverá uma dívida com a clareza.

Darlan M Cunha: foto e texto

modos

RELÓGIO-CARANGUEJO NO MUNDO NO PAÍS CARANGUEJO. Bar do VALTINHO – MEDINA, MG

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Às vezes, quase sempre, a humanidade mostra quem ela é de fato, o que ou o quanto ela quer e/ou pode, até porque, como diz o povão, na sua insígne escuridão, querer não é poder, mas ninguém segue este conceito ou preceito, vai mais além, e torna as coisas ainda mais difíceis, um sapo difícil de ser engolido. Só rindo, depois, chorar. Neste satírico relógio aí acima, num bar da cidade onde nasci, Medina, no Vale do rio Jequitinhonha, MG, essa beleza dá um tapa de luva e um chute venenoso na bunda da Showciedade. Só rindo, sem chorar, a não ser chorar de rir, de tamanha cegueira cotidiária (não te lembras do José Saramago, no Ensaio sobre a Cegueira ?), de tantos caranguejos danando-se intra e extramuros, eis que nas ruas, nos lares e escritórios não há lugar em que a santa e pagã estupidez não tenha vez de primazia, ó agonia.

Calma, garota, calma, rapaz, vai dar tudo certo, tudo vai bem, tudo legal, cerveja, samba, e amanhã, seo Zé, se acabarem com o teu carnaval ?, diz a canção Comportamento Geral, do saudoso Gonzaguinha, que morou aqui na Pampulha. Mas, vamos que vamos, Uai, ainda que no rastro ou no dizer da plebe ignara, da súcia mefistofélica, da ralé social, dos párias (uma das castas da Índia, bem rente ao chão). Vâmo qui vâmo, coroados e coroadas, à sempre-viva, sempre rindo, ó vidinha obscura é este enredo pela metade, e quase tudo se torna ou fica no dandismo, feminismo, machismo, e mil outros ismos, e no domingo aquela galinhada e aquela macarronada, segunda-feira é só outro dia – sábias palavras. Bom, vou cuidar da minha horta, porque plantar jardim só nos dá a feroz inveja alheia, o Cão nosso de todo o sempre; então, nada de pôr a barba de molho ou de esquentar sofá, abrindo a geladeira, o mundo é vasto mundo, mesmo ou ainda se mais pegando fogo:

REGIÃO do bairro ESTRELA DALVA, VISTA A PARTIR DO APÊ no bairro BURITIS, BELO HORIZONTE.

Nada como uma noite diferente, a qual talvez seja capaz de nos fazer pensar de um modo diferente a respeito de tantos fatos a dois palmos do nariz, que passam despercebidos. Neste fogaréu aí acima, felizmente, ninguém se feriu. Fiz a foto, e continuei a fazer o que sei: pensar, e então, que a ação sugerida no verbo agir só venha em função disso: pensar. Calma, boa gente, tem coisa boa para essa tua sexta-feira, dia 14:

E MAIS NÃO E DIGA… BENVINDOS, AMIGAS & AMIGOS.

Darlan M Cunha

ELZA SOARES canta COMPORTAMENTO GERAL (GONZAGUINHA): https://www.youtube.com/watch?v=Ttn6V_r3D9Y

artífices & ditados

ZAUSS GOMES – Luthier, Bairro Santa Cruz, BHte, MG. Pessoa afável, de bom trato.

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Conheci ZAUSS GOMES, luthier, por acaso, numa visita ao meu tio e às minhas tias maternas, que moram próximas à casa e à lutheria dele. Acho que foi em 2014, num domingo – tenho certeza do dia, não do ano. Não importa, porque amigo não tem data, gente boa extrapola essa miudeza de nomes & sobrenomes, dias com data – como já escrevi em textos aqui no WP e nalguns dos meus livros publicados e não publicados. Vi o cartão de visitas que ele me deu, à época, e faço então estoutra postagem em consideração a todas as pessoas às quais eu chamo de “manuais“, embora todos nós sejamos manuais, de uma forma ou de outra, mas estes e estas, para mim, são diferentes, não melhores, mas me encantam de uma maneira especial: marceneiros, carpinteiros, pintores, pintoras, escultoras, pintores de parede, oleiros, luthiers, rendeiras, fazedores de pipas e de piões (aqueles que precisam ser jogados ao solo, enrolados num barbante ou cordinha especial, lembra ?). Ah, os luthiers ou construtores e consertadores de instrumentos musicais têm que ter um olho e um ouvido muito especiais, têm que conhecer madeiras, lixas e colas, aparelhos próprios, miúdos, antigos, enfim, esses caras são mesmo para lá de anormais, isso mesmo: para lá de anormais, além de terem uma paciência também ela anormal. E quando o instrumento chegar às tuas mãos, cuida bem dele, pois, do amigão.

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Já que estamos remanescendo, eis alguns ditados populares, todos eles na boca da minha mãe que, sempre contente, superior às inúmeras vicissitudes dela e da Showciedade em geral, está sempre dizendo algo assim da vivência popular:

1. Sou madeira que jegue não rói. (imagine os dentes de um jegue roendo um mourão).

2. Quem dorme com criança amanhece molhado.

3. Cada um no seu canto chora seu tanto.

4. Quem não tem pão, caça com o quê ? (paródia cruel com o original. A responsabilidade é deste “esmiuçador de pândegas alheias”).

5. Antes uma andorinha voando do que duas nas mãos.

6. Quem corre, se cansa; quem anda, alcança.

7. O pouco com Deus é muito.

8. Com as roupas e bocas dos mortos se vai à igreja rezar pelos vivos.

9. Se vai chover ? Pergunte aos pingos.

10. Quem canta seus males espanta.

11. Deixe o que comer, mas não deixe o que fazer – OU – não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje.

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Darlan M Cunha