Darlan visita Ai Wei Wei

Darlan visita Ai Wei Wei (quebrando uma porcelana da Dinastia Han – 206 a.C.- 220 d. C.)
Clique na foto e leia o poema por trás dela.


Fugindo da fome, do ódio, vão ao mar, rumo à Europa ou… ao fundo.
Montagem com caixotes tipo guarda-roupa: uma ilusão sensacional

No domingo, 14, fui visitar Ai Wei Wei no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil, no complexo de museus modernos, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. É uma exposição que dá uma ideia geral da atividade deste artista tão controvertido (a China devolveu-lhe o passaporte em 2015, se bem me lembro, mudou-se para a Alemanha, indo depois meter-se de carne e osso na rota de fuga para tanta gente no cansado mar Mediterrâneo, etc). Muito lúcido, ele diz que os artistas não precisam se tornar mais políticos; os artistas precisam se tornar mais humanos.

Darlan M Cunha

Choro Loco. YAMANDU COSTA: https://www.youtube.com/watch?v=pUgSr2-ifnY

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MAO – BH

Museu de Artes e Ofícios – BELO HORIZONTE, MG, BRASIL

carruagem, 1
cilindros para lavar couro, 2

Este Museu é uma glória, uma verdadeira sensação de paz e de orgulho entra na gente quando se está diante do tamanho de sua representatividade no que diz respeito ao antigo fazer diário, dando a ideia geral dos avanços vindos com as novas técnicas de construção de uma sociedade, o que pode o homo faber, o Museu nos mostra inúmeras ferramentas, utensílios, objetos, materiais, profissões, estilos de vida. Idealizado e posto em prática por uma pessoa entusiasmada pela História de Minas e naturalmente pela história do Brasil – Ângela Gutierrez, de família muito ligada aos chamados “valores” que dão um rosto à sociedade é de família muito forte. Muito trabalho nas fazendas, muita prosa, resoluções legais, palestras, sempre com o intuito de conseguir, trazer, reformar e mostrar tanta história na forma de uso diário. O MAO está situado no prédio que foi base de chegada de pessoas para esta até hoje muito jovem e bonita BELO HORIZONTE – 121 anos – no extenso prédio da Estação Ferroviária, na parte central da cidade. MINAS são muitas, segundo o que disse o médico, diplomata e escritor João Guimarães Rosa.

DESENREDO (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro). Canta: BOCA LIVRE. MINAS (com MILTON NASCIMENTO).

Foto e Texto: Darlan M Cunha

aorta

Da janela lateral do quarto de dormir…*

Pois é, a ingratidão, o desligamento consigo e com o entorno, o “deixa estar”, é de se evitar – você pode ouvir isto num consultório. Nada de dar corda pro azar, nada de estenose aórtica, de infarto severo, infarto fulminante (que tal dois hollywood: um de fumaça e outro de ilusões na tela ?). Agradece, pois, à tua aorta, porque

@DMC – minas tênis clube, BH

ela trabalha o dia todo, todos os dias, não dorme, e é ainda mais exigida quando tu estás numa ótima, e também quando estás opresso ou opressa, dúvidas e dívidas sociais, mas ainda piores são as dúvidas afetivas. Te cuida, coração.

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Darlan M Cunha

interrogante

Interrogação >>> [clique na foto e leia o texto por tras dela]

Encontrei essa interrogação num domingo de manhã quando ia zanzar no Parque das Mangabeiras, bem situado na base da famosa Serra do Curral del Rey [ao fundo] – o primeiro nome de Belo Horizonte. Uma alusão à serra está na música Clube da Esquina [nº 1]: ” E no Curral del Rey / janelas se abram ao negro do mundo lunar“. Pois é, aquele impacto inesperado foi grande demais, e fiz a foto, há uns dez anos. Ela continua florindo, rindo, enquanto posso me perguntar o que foi feito de mim, por mim, por tantos, tanto eu todo tudo tantas medidas, encontros e despedidas, mas a paleta sobre o cavalete não se esgotou, e agora mesmo o vermelho e o verde exigem que eu as misture, o que resultará na cor amarela. A noite não existe, nada de breu insistente se vê por aqui. Só de vez em quando, normal.

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DARLAN M CUNHA

ponto

Universidade UNI-BH (Medicina, Odontologia), bairro Buritis, BELO HORIZONTE

REUNIÃO ou ENCONTRO NÃO MARCADO

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O que vale é o caminho, a procura*

e aqui e ali e acolá e além-lá quase todos estão cientes

disso, alegres ou taciturnos, todos se acham normais*

mesmo diante do impasse não se pense

ou se diga a si mesmo e ao Outro

o verso que está no poema do espanhol Machado:

Caminante, no hay camino*

tudo é mutação, exige luta, ou nada seria digno de ser sequer

amorfo, fantasma ou redemoinho sem núcleo, sem força

centrípeta, nada, e que não se abalem os visionários

nem a trapezista no teto de seu mundo

cada vez mais alto, talvez, até vazio

embora com as estrelas roçando-lhe os cabelos, ó

la canción de las simples cosas*

adormece a casa onde tudo conflui contra o abecedário

das manhãs mal receptivas ao primeiro toque

do sol, à palavra inaugural do dia.

O que vale é a procura, o caminho – seja Sidarta ou Gêngis-Cã.

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Darlan M Cunha

ALUSÕES EXPLÍCITAS NO POEMA: 1. Cristileine Leão // 2. Márcio Borges, Lô Borges e Milton Nascimento // 3. António Machado (Esp.) // 4. Armando Tejada Gómez e César Isella (Arg.)


território de agonia

Livro é Livro   >>>   [Clique na foto, clique em Comentário, lá trás, e leia o texto por trás da foto]

Este livro de fotos e poemas – SOLO – foi escrito há dez anos. Tenho-o em grande estima, tanto pelos textos bilíngues, quanto pelas fotos. A foto desta capa, por exemplo, eu a fiz numa bela manhã enquanto bebia vinho tinto seco numa mercearia sossegada de uma pequena rua, e este caminho marca o final dela, no bairro Palmeiras, em Belo Horizonte, MG, com um transeunte que não conheço, autêntica. Levantei-me do vinho e cliquei. Este é um dos melhores livros que escrevi, tanto textual quanto fotograficamente, ele é o mais bem elaborado graficamente. Fiz tudo, inclusive o nome Editora VOORARA, nome indígena do curare, o veneno mortal de algumas tribos amazônicas, pois é, inventei esta editora.

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Território de agonia, águas sem março, alegria sem novembro, e julho cheio de férias, maio sempre perdido no clima de casamentos previamente condenados ao céu da boca, e dezembro suportando todos os riscos, rabiscos e delitos do ano todo, há inúmeros pedidos não atendidos, decepções sem fim e frustrações idem, a viagem que não aconteceu, a casa não comprada, a visita de doença na família, o novo vizinho pedindo encrenca, R$45,00 de aumento(?) salarial em janeiro, outro relacionamento saiu pela porta dos fundos, o time com a corda no pescoço, enfim, melhor é ir ao circo imaginar alturas, já chega de rastejar no duro território da agonia.

DARLAN M CUNHA

EGBERTO GISMONTI, Água e vinho:https://www.youtube.com/watch?v=9pCv7lweyQA

vozes

Voz interior (clique nessa foto, leia o poema por trás dela)
Vozes para a cidade

A solidão é inerente à Humanidade. Há fatos que, mesmo tentando explicá-los, não haverá jeito dos outros viverem-nos como você os viveu – ainda que seja seu marido ou sua esposa, sua namorada ou amante, irmão ou irmã, amiga ou amigo dispostos a escutar você. A verdadeira amizade conta muito. Num mundo de 8 bilhões, vive-se toda uma vida em torno de, digamos, não mais do que 50 pessoas com as quais se possa contar a qualquer instante, e ninguém entenderá por completo o que significou para você este ou aquele acontecimento, porque aquela sensação, boa ou ruim, é somente sua na totalidade, daí se dizer aqui que somos basicamente solitários.

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DARLAN M CUNHA

se você só tem um dia // if you have only one day

  Estátua viva. Praça Sete, Centro, Belo Horizonte – MG / Clique na foto                             
Acrobata. Av. Amazonas com Av. do Contorno, Belo Horizonte – MG

Quiseste o fogo e o tiveste ainda no meio do dia, e com ele soltaste uma certeira descarga no teu siso, celebrada como uma oração plena de fervor, mas na praça e nas ruas o espanto se fez, também nas casas vazias, pias, portas e janelas abertas às mandíbulas do desastre, invasores carregaram o aquário com seus peixes de olhos medrosos, urinando e perdendo escamas (o medo faz coisas, extrema reações), e tu aí cheio de gonzos e sinos, alegre, achando-te top de linha, até que uma cacetada lhe deu a extrema unção, e foste a outros fogos de artifício, não de armistício. Quiseste entrar no fogo, deixaram, meio-dia já era, mas o dia logo te pareceria longo demais, e até mesmo sem sentido pelo fato de se ficar sentado diante de adversários num jogo, apenas um tipo de jogo, sendo que lá fora mil jogos, truques e jeitos diferentes de viver esperam por todos nós, por isso achaste aquele dia algo quase de todo inútil, sim, até porque há dias em que a gente se sente / / como quem partiu ou morreu – diz uma canção – e eis que nenhuma palavra sobre o amor foi dita, alguém no telefone, mas só o jogo interessa, com o rei que comeu o bispo que comeu um soldado que comera a rainha, e outro soldado, montado noutro cavalo do xadrez, subiu numa torre, e de lá de cima ele viu a barbárie instalada nas 64 casas do tabuleiro, e por extensão a barbárie no mundo todo, mas tu te aplicaste no teste, percebendo que a vida é um jogo constante cheio de variantes, que é preciso adaptar-se imediatamente, sim, novo dia raiou, e nem percebeste (lembra, corpo, do cansaço, da evolução e da dissolução, da inenarrável algazarra que a vida é, mas a vida também às vezes é feliz, e reparte isso), e assim foste percebendo que ela é teorema, viagens, insônia, compromissos, fruta no pé, água, música, leitura, aluguel, dores, beijo de mãe.

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DARLAN M CUNHA