ó mais ó

“Vênus platinada” (vox populi). Liberdade Square. BELO HORIZONTE, MG, BRAZIL. [Clique na FOTO  // click on the photo]
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“Vênus platinada (vox populi)

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uvas e ameixas  // grapes and plums 

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Doubts insist, the eagerness scales the walls of the house,

because craving does not create mold

and then sometimes poetry seems to me to be a mixture of grapes

and tears, mimesis, faces of chameleons.

In fact, doubts sometimes get plowed with faces of a chameleon

questions sometimes get pampered with the red buttocks of baboons

questions sometimes get pampered with this look.

The fool on the hill.*

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As dúvidas insistem, a ânsia escala as paredes

da casa, porque a ânsia não cria mofo

e então algumas vezes a poesia me parece uma mistura de uvas

e lágrimas, mímeses, as faces dos camaleões.

De fato, as dúvidas às vezes se parecem com as faces de um camaleão

as perguntas às vezes se parecem com a bunda vermelha dos babuínos

as perguntas às vezes se parecem com este olhar.

O tolo na colina.

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Fotos e Poema: Darlan M Cunha

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pedras e músculos

Igreja N. S. do Rosário dos Pretos – SABARÁ, MG – BRASIL
[CLIQUE NA FOTO. AGORA, PARA VER MEU ÁLBUM SOBRE SABARÁ, CLIQUE NO LINQUE AÍ ACIMA]

     Note bem que a parede lateral que se vê atrás da porta central está clara, ou seja, com luz solar, isso porque esta igreja ficou e ficará inacabada, sem teto e sem outros acabamentos devido a que os escravos pararam a construção assim que a notícia da abolição da escravatura chegou. Mas então começou nova labuta, porque os negros e negras não tinham nenhuma instrução, sem um ofício, sem nada, restou-lhes, segundo muitos, vaguear, criar núcleos, vilas, aldeias, quando não continuar servindo os antigos senhores – não foi quase nada tão diferente do antes. Pense bem em quantas Serras da Mantiqueira, em quantos Picos da Bandeira teve de subir, e em quantos Rios Amazonas teve de atravessar a nado o primeiro médico negro do Brasil. Quanto ranço enfrentou, com outros na Bahia, em Minas, etc. Nenhum Senhor permitiria que colocasse suas mãos sobre a Senhora ou sobre a Senhorinha. Pense que assim e de outras maneiras foi feita a sociedade. Rumos e extravios, eis que tudo é caminho, pedras no seio do caminho. OBS.: Leia sobre o médico JULIANO MOREIRA, cuja história eu já conhecia de outras bibliotecas, andanças, conversas: https://pt.wikipedia.org/wiki/Juliano_Moreira

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CASA DA ÓPERA ou TEATRO de SABARÁ – MG, BRASIL. Visitado por Dom Pedro I, em 1831, e Dom Pedro II, em 1881.


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Vox Populi

“Quem corre cansa, quem anda alcança.”

“Sou madeira que jegue não rói.”

“Enquanto descansa, carrega pedras.”

“Antes um passarim na mão do que dois avoano.”

“Cê né ôme, não, muié ?”

“Antes sozinho, do que mal acompanhado.”

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Fotos e texto: Darlan M Cunha


pois é

Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos  – escritores. BIBLIOTECA PÚBLICA DE MG – Belo Horizonte

[CLIQUE NA FOTO ACIMA]
Carlos Drummond de Andrade [farmacêutico] e Pedro Nava [médico] – escritores.
Rua Goiás, centro de Belo Horizonte, MG
Murilo Rubião, escritor, um dos fundadores do Suplemento Literário de MG. BIBLIOTECA PÚBLICA DE MINAS GERAIS. Belo Horizonte


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O amor contém glúten ? o amor se faz mímese de quê, sinônimo

ou antônimo de si mesmo ? o amor se faz antinomia e apostasia

de quantas necessidades humanas já demasiado distantes entre si ?

O que mais cansa no amor: o caos na cozinha e no banheiro

as flores murchas na copa, o aquário vazio

a dúvida à mesa, entre o copo com água e duas palavras,

um ímã inócuo com o vizinho ou vizinha, ou a espera infinita  

por areia e sol, deixando para trás, para o nunca, o vazio

já definido, talvez com seguro de vida garantido pelo velho retângulo ?

O amor contém luto ? dá votos, retira fotos? ele vive de quê, afinal ?

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Fotos e poema: Darlan M Cunha

CLUBE DA ESQUINA nº 1 >>> MILTON NASCIMENTO [Márcio Borges, Lô Borges, Milton Nascimento]: https://www.youtube.com/watch?v=YkLjtrJjXEM


pétreos os homens e pétreas as mulheres

THE “PATRIARCA” –
Symbol of the mineralogy museum Djalma Guimarães. QUARTZO SiO2 – Praça da Liberdade, BELO HORIZONTE, MG, Brasil. [CLIQUE NA FOTO]


Exemplar encontrado pelo garimpeiro José de Anselmo em 1940, transportado para Belo Horizonte em carro de bois e ferrovia. Exposto na Feira Permanente de Amostras. Incorporado ao acervo do Museu Djalma Guimarães desde a sua fundação em 1974, quando recebeu o nome de Patriarca. Transformou-se em símbolo do Museu.
  (IMG_0285e, disco 28)


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A mim só me dizem o que não quero ouvir e não entendo: distonia, distopia, disritmia e viagens até Marte, mas não nos dizem nada de mil feras na sombra, à espera de mais sombras, porque isto sim é que é um fato de muito valor para quem procura libertar a luz e partilhar este bem pelos caminhos, e se mais eu ainda não fiz, ânimo não falta, melhor direi se disser que, às vezes, ele falta, quase sempre, cada vez mais, isto é sintomático e perigoso, porque uma vez perdido o nariz vermelho de palhaço, dificilmente se consegue achá-lo.

As pedras são nossos ícones preferidos, porque nos instigam a pensar em sua incrível longevidade, embora as próprias montanhas virem pó, são essa mesma areia que entra nos cabelos, que recebem os pés no deserto e no fundo do mar e do rio, quando não em sonhos e pesadelos.

Petra foi uma cidade por muito tempo perdida, por mil anos ficou escondida no deserto da Jordânia, construída pelo extinto povo Nabateu. Pedras para a casa, para o quebra-mar e para as barragens, contra os vidros numa arruaça na avenida, pedras cintilantes no pescoço, seixos com os quais brincar, jogar ou  brigar, preciosas e semipreciosas, e até sem valor, não, não há nada sem valor.

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          Foto e texto: Darlan M Cunha

TATYANA RYZHKOVA [Bielorússia] – Quarteto feminino de violonistas tocando LIBERTANGO, do mestre argentino ASTOR PIAZZOLLA, mas NÃO DESMAIE, APENAS ASSISTA, OUÇA E VIAJE…: https://www.youtube.com/watch?v=pPu1om4WZsQ



Abandone os rumores, siga, nu ou nua, contigo

Retrospectiva no Palácio das Artes, BELO HORIZONTE, MG, BRASIL, sobre a obra de CELSO RENATO - pintor / painter / male / pittore
Palácio das Artes – Belo Horizonte, MG, Brasil  ***  Novembro 2018 (Clique na foto)
Retrospectiva 100 ANOS. CELSO RENATO. Acrílica sobre a tampa da mesa de trabalho.

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     A partir de anteontem, 22, entrei em nova etapa, mas estão sempre nos cotovelos e nos calcanhares o incentivo e o desânimo, marcas de lutas sem fim, ambos são de onde vem o peixe e o cristal, de uma canção gravada por Fernando Brant e Tavinho Moura. Iniciada outra etapa, pois cada ano meu começa no dia do aniversário.

     Foi um ano bom ou ruim para quem ? A minha nova era começou anteontem, e até agora não me aborreci, e ri um bocado com a minha mãe, a quem levei a uma padaria-lanchonete-restaurante, sem  aquela multidão de idiotas lutando com o garfo e o celular. Enfim, um lugar para se levar a Mãe, de quem ganhei beijos e abraços e santinho [Mãe é Mãe até mesmo para pecadores como eu], e assim é que acho que, enfim, peguei uns dois gramas de juízo, é pouco, mas como dizem os chineses, o caminho mais longo começa com o primeiro passo.

     Como diz o povo, “sou de maior”, agora posso ir a outros recados, entrar na boemia e jogar sinuca y otras cositas más, posso continuar sendo preso, agora com mais respaldo ainda da lei, já que pela lei eu estou emancipado, pois é, o ano foi bom para os maus. E assim eu digo que o ano novo começa no dia do aniversário, considero essa lógica, ao invés de comemorar com a manada no dia um de janeiro. Com o santinho que a Mãe me deu, e os pitos que ela me passou discretamente, estou me sentindo bem. Cheio de ares de coragem, vou melhorar. “Ah se eu estivesse lá dentro da rebelião !

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       Fotos e texto: Darlan M Cunha


clave de sol >>> 22 de novembro, dia da música

“La musica è la figurazione delle cose invisibili.” Leonardo da Vinci [1452-1519]

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     Não por diletantismo ou atitude parecida, coloco aqui essas três imagens, distantes no tempo de suas realizações, pegas assim ao léu, num vu, entre muitas outras guardadas aqui no baú de ossos – para usar o título de um dos livros do falecido médico e escritor memorialista, o mineiro Pedro Nava. Tenho uma relação de unha e carne e tutano com a Música, que é chamada de mãe das artes, embora trilhe outros caminhos, sempre que posso atuo com ela, e uma vez e outra paro para pensar a quantos lugares fui, e quanta gente conheci devido a ela, e um dos meus livros, por exemplo, fala algo de algumas das canções do Clube da Esquina.

    Meu avô materno – Dino – um modesto alfaiate em Medina e São Pedro, lá no Vale do Rio Jequitinhonha, tocava baixo tuba na banda do lugarejo, e a minha mãe até hoje vive cantando ao preparar biscoitos e doces, almoço e jantar.  Às vezes eu a acompanho, e isto, caros e amadas, é que é luxo: acompanhar, descalço e sem camisa, dentro de casa, músicas cantadas pela própria mãe. Repetirei aqui um trecho da letra do cubano Silvio Rodríguez, da Pequeña Serenata Diurna: “Soy feliz, soy un hombre feliz, e quiero que me perdonen por este día los muertos de mi felicidad.”

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Fotos e texto: Darlan M Cunha


uma longa e sinuosa estrada

cemitério do Bonfim, Belo Horizonte

[clique na foto]

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A impermanência já nos revelou muitas verdades, mas há um tesouro final sob sua guarda, que fica profundamente escondido de nós, cuja existência não suspeitamos e não reconhecemos, embora seja nosso do modo mais íntimo.

SOGYAL RINPOCHE. O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, p. 65

https://dharmalog.com/2013/01/31/as-verdades-que-a-impermanencia-nos-revela-no-livro-tibetano-do-viver-e-do-morrer-de-sogyal-rinpoche/

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Algumas vezes certas questões deixadas de lado encostam sua voz na nossa teimosa desatenção, e só nos resta ouvir, sentir, arrepiar, tentar sermos objetivos ao analisar tanta pressa e tantos erros diários, pelo que sentimos vergonha ou raiva de nós, sentimos uma impotência amarga, alguma música tocando ao contrário, sem escala, sem pauta, sem som que se possa aturar.

A felicidade dá vários passos à frente, todas as vezes em que ensaiamos um passo rumo a ela, eis o fundo das coisas, dos nossos tormentos, o sistema de prisão a que estamos condenados, motivo pelo qual, pessoalmente, não me importam as “ciências” de estudar o outro mundo, reencarnações, punições dantescas, guia espiritual abrindo o mar com simples gesto para que o povo se safasse de perseguidores, e outras mil e uma balelas. Fico aqui, pasmo de ver e ouvir, pasmo de que alguém passe sem desejar um mero bom dia, o fio da meada bem ao alcance, parece que o amor perdeu as mãos, amputou a fala doce, corpo e mente cederam à mãe pressa.

Cuando ya no importe é o título de um livro excelente, cujo título já é uma obra completa, escrita pelo uruguaio Juan Carlos Onetti [1909-1994], Prêmio Cervantes de Literatura, que não se enredou em se preocupar com almas mortas, a não ser que, pouco de luzes como sou, não tenha percebido bem sua profundidade. A felicidade dá vários passos à frente, todas as vezes em que nos damos em sua direção.

Foto e texto: Darlan M Cunha

persona

Teatro de Arena Alfredo Tenuta - Buritis, BH

teatro AROLDO TENUTA – bairro Buritis, Belo Horizonte

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       O Mundo como Vontade e Representação é o título de um famoso livro lançado em 1819, composto de quatro volumes, de autoria do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, que li já faz algum tempo. Essa foto me fez lembrar da obra, embora tenha outras vazões com que me ocupar. O inconsciente age sobre nós constantemente, não te esqueças.

      Eis o preço. Acostuma-te então à fadiga com os dedos cruzados e os olhos fechados. Valha-me, senhor dos anéis, todos dizem isso nos momentos de impasse, porque aflição pouca é bobagem, o macarrão está no fim. Ah, hoje é domingo ? Amanhã, segunda será, e aquele acerto terá que à mesa sentar-se. Não molhe os cactos. Esta é uma cidade grande, capital de estado poderoso, mas definitivamente sem nenhum pendor para o turismo, porque passam ao largo os turistas nacionais e estrangeiros, indo para Sabará, Mariana, Tiradentes, Bichinho, Diamantina, Rio Acima, Ouro Preto, às vezes, pernoitam na capital carente de sacudidelas via atrativos. É um dos preços do mormaço mental, do pouco, do pobre turismo a oferecer. Voltando a outras amarras, lembro-me de ter ouvido que um antigo vereador, já falecido, em certa época de sua carreira política, aventou, a partir de uma mesa de bar no edifício Arcângelo Maletta, se não me engano, aventou sobre a possibilidade, tratada por ele naquele então como possibilidade real de se abrir um braço de mar até aqui, vindo do Rio de Janeiro ou de Vitória. Votei no destemido visionário, mas não deu em nada, a não ser em chacotas, pilhérias, sátiras, nonadas, silvos, piadas, trocadilhos em bares e restaurantes, padarias e estádios, chocolaterias [é como se diz e se escreve, por exemplo, no RS], feiras de rua e – pasmem, ridentes – até em velórios ou gurufins, que são famosos pelos altos papos em nada inerentes com a dor que ali teóricamente deveria vazar de todos. 

       A dor é o preço, a conta da lei na ponta da intimidação, uma faca só lâmina. Ganhei par de meias, como é bom vestir roupa nova, melhor ainda é ter opinião própria, carente, nada peço ao senhor dos anéis, de nenhum senhor sou suserano ou vassalo, longe disso, aprecio canções do Elomar e do Gismonti, não há xerox, 2as vias não há. Pois é, ontem foi hoje, foi chamado de amanhã, é estranho, pois o ontem está tão perto e já tão distante está essa estrela decadente no calendário geral mundial, porque até mesmo os boreais e os austrais têm pressa, a caça está escassa, ó trocadilho supimpa, genial, irado, infame: a caça está escassa ! Ó é título de um livro. Quando você foi embora ela não aparentou, não deu no couro, não arrefeceu o entusiasmo, aparentemente, o mesmo sol e a mesma lua com ela, quando você foi embora, pessoas que gostavam de você fizeram o pelo sinal, vade retro, Satanás! Confesso que vivi, confesse tu também, tudo a ti mesmo, nada de confessionário do vigário, tudo a temer em tal covil, quem teme pouco, quem tem pouco cuidado anda de muletas, cheia de tretas e mutretas é a rua, também a vila, a aldeia, a cidade, o país, o mundo, as mil casas de vender deus, o morto, segundo disse um compositor e cantor assassinado. Tungada é pancada, mossa é vestígio de pancada. Mossas em moças são comuns de serem vistas por aí, embora se escondam, envergonhadas, sim, há muitas infâmias, desgraças diante das quais fazemos vistas grossas e ouvidos moucos, porque é mais fácil irmos à praia do que irmos doar sangue uma vez por ano, com direito legal de não se ter o dia de trabalho descontado. Deixa pra lá. Não, nada disso.

       Atenção ao preço do cotidiano, ao peso psíquico que sobre nós incide e nos adoece, à tabela movimentada na calada da noite, enquanto fornicas, e o vizinho, também ele um ateu, bebe que nem gambá num alambique, comendo que nem gato no celeiro, rato na casa do queijeiro. Ó vida de margaridas no quintal, trabalhar cansa, mas a horta deve continuar, a aorta deve pulsar, carótida em dia com a PA, pressão arterial, vamos dar um passeio no parque, montar as crianças nos jericos para darem voltas no parque. Depois, crianças na casa da vovó, vamos ao circo, ao globo da morte ouvir motos barulhentas e motociclistas procurando maca. Depois, o trivial. Amanhã não vai ser outro dia. Será ? Os preços estão na Constelação de Apus ou de Andrômeda. Cabe procurar, ou não, preços indigestos dispõem para ti mil e uma noites de ressalvas, castigos, insônia. Pense bem, aja três vezes antes de pensar. Persona. Todos e todas são personas agindo no Grande Teatro, à espera da inenarrável algazarra da morte.

 

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Foto e texto: Darlan M Cunha

abstract: oblivion [3]

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I am the grass; I cover all (Carl Sandburg)

MILTON – Clube da Esquina nº 1: https://www.youtube.com/watch?v=YkLjtrJjXEM

Coisas da Vovó (Carta à Mãe nº 102)

COISAS DA VOVÓ. Primeiros dez dias de outubro 2018.

Plural incomum [Trabalhos de Dona MARIA JOSÉ M CUNHA – 86]

 

Carta à Mãe nº 102

Querida MÃE,

agora no fim desta madrugada de sábado veio-me a vontade de preparar para a senhora uma boa gemada, pois a senhora ainda está no sonho dos justos. Livrei-me da preguiça e preparei a gemada com três ovos, canela, mel, pitada de sal – de filho para mãe, espero que goste, que a anime neste dia frio. Não quero ouvir tosse neste lar.

Dona Maria,

no segundo turno eu não fui votar, devido a que nenhum dos partidos envolvidos atraem o meu paladar, mas vamos apoiar o novo presidente, ou seja, esperar para ver, e daqui a algum tempo o país poderá opinar sobre se a saia está justa ou se precisa ser levantada ou abaixada, hehe…

Mãinha,

sei que está cansada, até porque as peripécias de ontem no centro de Bêagá, sob chuva, não foi fácil, e sentimos na pele como é complicado colocar em dia documentos disso e daquilo, como registrar a escritura de um imóvel, ato caro e demorado, etc, e a senhora, com 86 anos feito uma bailarina no centro da multidão de guarda-chuva e dos malditos celulares. Arre ! Alguns detalhes ficaram pendentes, mas teremos de voltar à carga, e eu bem entendo a sua forte preocupação. Peripécias rumo a três cartórios.

Flor-Mãe

prepararei um competente tutu à mineira, embora eu saiba que logo de manhã a senhora irá passar umas horas com amigas e amigos da igreja, porque hoje é dia de festa por lá, inclusive com petiscos, comes e bebes. Prepararei o tutu, e o comerei sozinho, lembrando-me sem hipocrisia de quem não terá algo à mesa mundo afora. “Faça a tua parte que te ajudarei – não é assim que a senhora sempre diz aos incréus como eu ?”

Querida entre queridas,

vou levantar-me daqui, fechando esta cartinha, e desejando a ambos um ótimo dia, e ao mundo desejar que tome juízo.

Um beijo do filho querido, meio desmiolado, mas bom garoto.

DARLAN