samba pa ti*

Moça inquieta com balões.

Aniversário de BH – 12 DEZ – no Mercado Central de Belo Horizonte, MG

 

A gente não escapa do passado, pelo menos não de todo, ó, pensando bem, tudo vai com a gente” – disse, o entorno calou-se, abrindo memórias entre bebidas e tira-gostos.

     A propósito da postagem de ontem – Mochileiros – falou-se sobre andanças pessoais, as quais, como outras, podem ser sentidas e ‘vividas’ por pessoas que não conhecemos ao vivo.

     Pois bem, ainda ontem, num canal de tevê ouvi um fundo musical que me levou de novo a uma época vivida tão bem quanto me foi possível, muito embora eu não tivesse consciência disso, mas o que importa é que o que saía do solo da guitarra era a suave Samba pa ti, do Carlos SANTANA, e eu logo viajei no lombo de Cronos, deus do tempo, e hoje eu posto esta homenagem que é também para mim que sobrevivi a muitas batalhas – como você certamente também sobreviveu.

 

*****

Foto e texto: Darlan M Cunha

SAMBA PA TI (SANTANA BLUES BAND): https://www.youtube.com/watch?v=j5AUm_xaE9A

MERCADO CENTRAL de BELO HORIZONTE (Site Oficial): Mercado Central de BELO HORIZONTE, MG

Anúncios

Caminhos do Mundo – 1

Caminhos do Mundo - 1

ir e vir

 

       Se a alegria vive fantasiada, perdida numa sombra maior do que ela, crianças notam o rumo das coisas, os fatos, as rugas no rosto do dia, ainda que esteja vestido de palhaço, noel ou disfarçado de coelho saindo da cartola. Dentes ao sol, há o que ler, ver e fazer.

 

*****

Foto: Vó Maria José M C     >>>>>     Texto: Darlan M Cunha

Visite: http://www.gargantadaserpente.com/toca/poetas/darlan_cunha.php

Um só

DSC02266

Região do bairro Belvedere, BH – Mata do Jambeiro

 

    A solidez da solidão é sóbria, vasta é a sordidez da comunhão de bens para uns e outras – Ó, isso é meu, e o que é teu também é meu. A solidão às vezes depura, outras vezes enlouquece e leva à loucura, e de certa forma todos nós somos atrelados a ela, suas vítimas, sua razão de existir, porque sem nós ela não existiria, ou será que ela é mais antiga do que a própria genética, do que a própria noção do psiquismo atuando, do que a própria invenção de deus e do diabo dividindo os terráqueos ? Durma, melhor dizendo, deite-se com essa. 

     Essa foto mostrando um homem caminhando na vastidão, num domingo de manhã, me lembra o dito chinês que diz que o caminho mais longo começa com o primeiro passo.

 

***

Foto e texto: Darlan M Cunha

Leia-me aqui: POEM HUNTER: https://www.poemhunter.com/darlan-m-cunha/

algum dom doce

DSC01198

No parque na Rua Manila, 224, bairro Estrela Dalva, BH

 

     Este parque é pequeno, sossegado, fica a poucos minutos a pé daqui de casa. Sentar-se num parque, em meio ao sossego temporário (mas logo se tem de voltar à salva de traumas das buzinas e celulares dos transeuntes tão ligados que esbarram no que houver pela frente), pode nos fazer viver e reviver instâncias de clara e gema, de ouro e barro, trazer de volta algum caso engraçado, ao qual estavas presente, já faz séculos, e tu ficas rindo sozinho/a, ao relembrar, rever o rosto e o timbre de voz de todos/as, as manias de cada qual, enfim, é uma viagem.

 

***

Foto e texto: Darlan M Cunha

3 em 1

IPÊ

Hana wa Saku  //  Flowers will Bloom  // As flores em floração

Autora: YOKO KANNO. Arranjo: YOSHIHIRO KOSEKI – Solo de violão: KAORI MURAJI

 

*****

 

     Espavorido, temente a Deus, ao que não seja escrúpulo, Dom Quixote entrou aqui, e na penumbra pareceu-me sem um braço, mas intacta estava a personalidade, entrou e disse algo que soou ininteligível, que só mesmo Sancho para traduzir sua verve sempre inflamada (na penumbra, confundira-me ele com o gordo Sancho Panza ?).

     Pois é, o famoso cavaleiro de triste figura não é de sentar-se, a não ser no lombo do fiel Rocinante, e não aceitou cadeira. Quanto ao que se perdera na viagem, que ao que me parece se tornara para ele algo assim como um rito de iniciação, ele não sabia dizer, e porque chovia, trouxe Rocinante até um canto do meu jardim. Adeus margaridas.

     Dom Quixote, não sei como, aceitou um copito de vinho tinto, ameaçou sentar-se, mas recuou mum átimo, e continuou de pé, delirando: “El que de vos vive ausente, dulcísima Dulcinea, a mayores miserias que éstas está sujeto.” (Será que me confundira com a sua amada Dulcineia del Toboso ?) Disse, agradeceu pela acolhida e prostrou-se no sofá, onde está até hoje, melhor dizendo, eu pu-lo na estante principal.

 

Foto e texto: Darlan M Cunha  

Dom Quixote e Sancho Panza, trazidos daqui: MALUDICO http://maludico.tumblr.com/post/83349479787

morro minas

bairro BELVEDERE, BH

Vista da ‘parte de trás’ do elegante bairro Belvedere, BH

***

    Tudo está salvo, menos um detalhe, menos outra pendência, menos aquilo que os amantes não se disseram, tudo foi salvo das chamas e das águas sulfurosas, ora, nada como estar em dia com a razão, o sono bem posto, o riso em toda a sua explosão, os bolsos cheios de viagens, nada como ir ao bar ou tirar a maçã da boca de uma leitoa assada, cujo estalido da pele crocante se faz ouvir pela casa, ó, a vida é boa – dizem -, mas para isso as coisas devem estar a salvo dos descuidos do Homem.

Foto e texto: Darlan M Cunha

Guerreiras F e Guerreiros 9

Exército Branco

Exército Branco

 

     Hoje, domingo 3, por volta das 10 h, eu estava colocando textos em ordem, totalmente ligado no assunto, quando, de repente, saltei da cadeira e corri até a janela para ver que diabo de alvoroço era aquele que enchia as varandas e janelas dos apartamentos… e eis que vejo e ouço essa maravilha de Banda, com adultos, jovens e crianças. Fui para o céu, logo eu. Sim, gente boa, hoje eu vi a Banda passar.

Foto e texto: Darlan M Cunha

Guerreiras D

DSC05582.JPG

Bar do BIGODE – bairro Prado, BH

 

     Eis a couve, retalho da terra que sobre o balcão se debruça, à espera dos toques de amor de uma faca guerreira. Eis o ambiente no qual os odores se mesclam e atiçam as criaturas: couve, alho, cebola, coentro, salsa, azeite, vinagre, pimentas, maionese, ovos, bifes, a enorme panela onde o arroz flutua ou dança sua dança do cisne, eis a conversa, o riso, café com pastel e pão de queijo, pão com salame, a cachacinha sagrada para ir à luta, operário começar o dia, o vinho para a bela executiva executar o que tenha que ser feito, e assim os dias e os trabalhos. Eis o norte de cada um, o sul, o leste e o oeste; eis as latitudes e as longitudes, lua cheia e morna, sol a pino, solstícios de verão e de inverno, eis o Homem no afã de melhorar, custe o que custar. Ecce Homo, Nietzsche escreveu.

 

Foto e texto: Darlan M Cunha

Guerreiros 1

GUERREIROS 1

GUERREIRO JAPONÊS – da Exposição Guerreiros – BH Shopping, março 2015

 

    Num domingo qualquer, qualquer hora (10h), fui a um mall ou shopping, o que não é de mim, mas estava perto, era hora de abertura, e no último andar daquela arquitetura, estava uma das melhores exposições a que se pode desejar ver em pessoa – a exposição GUERREIROS, viajando de capital em capital, internacional. Era o último dia, e eu que moro no bairro ao lado não sabia dela, de modo que quando me lembro disso eu fico entre o espanto e o riso. O azar existe, e assim a sua contrapartida.

*****

À reiniciação do fogo na aldeia fique-se atento
sob pena de ter sobre si lascas de mármore
e sopros com vidro e corte, ciência de morte
de pé à tua porta, como um aviso
de que os brasões, a heráldica com a sua velha prática
deixou as paredes das salas e corredores
e já mostra ser a mesma. 

Foto e texto: Darlan M Cunha

Icone-communication (The sounds of the silence)

Icone-communication

Silêncio é pão e água

*****

 

     Silensidão pode significar o que pensas que tal palavra seja, pode não ser, às vezes, até eu, que inventei e publiquei em livro a junção dessas duas palavras fui ao fundo dela. Silensidão é a mistura de silêncio e imensidão, talvez também de receio e meditação. Mas onde pousar para em silêncio ficar ? Nem no Nepal nem no Butão nem no Tibete, e muito menos numa toca de tatu ou de urutu, já cercadas por minhocas de ferro e aço.

*****

Foto e texto: DARLAN M CUNHA

AQUI-Ó: https://www.flickr.com/photos/aqui-o/

POEM HUNTER: https://www.poemhunter.com/darlan-m-cunha/

ESCRITAS: https://www.escritas.org/pt/ver/perfil/darlandematoscunha