equilíbrios

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Casa de artistas em geral é doce balbúrdia, mas os ódios e as rachaduras morais, os trevos mais perigosos e o sangue mais sujo do mundo em geral não moram com eles e com elas, isso porque um artista de verdade luta para estar somente em sol sustenido maior, nada de mínima e semínima em ré, ré menor, viver preso entre colchetes, não, chega de canção fúnebre no cotidiano de tanta gente, todos os dias, e então o artista sente que suas pedras não são as únicas, e vai à luta.

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An artist’s house in general is sweet tumult, but the hatreds and moral cracks, the most dangerous clovers and the dirtiest blood in the world in general do not live with them and with them, because a real artist fights to be only in G major, no minim and quarter notes in D, D minor, to live stuck between brackets, no, no more funeral songs in the daily life of so many people, every day, and then the artist feels that his stones are not the only ones, and goes to fight.

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La casa de un artista en general es un dulce tumulto, pero los odios y las grietas morales, los tréboles más peligrosos y la sangre más sucia del mundo en general no conviven con ellos, porque un artista de verdad lucha por estar solamente en sol mayor, nada de mínimos y cuantas notas en re, re menor, por vivir metido entre paréntesis, no, no más canciones fúnebres en la vida cotidiana de tanta gente, todos los días, y entonces el artista siente que sus piedras no son las únicas, y va a luchar.

Darlan M Cunha: foto e texto

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Silêncio, Mundo

São assim as variantes: se se mistura a tinta verde com a vermelha, surge o amarelo. O silêncio compreende que só se vá a ele por etapas, que o buscador chegue a ele após ultrapassar o possível a um monge tibetano, até chegar ao universo da costureira. Eis a concentração, onde o bolor não tem vez, e muito menos a Mãe Pressa Social.

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This is how the variants are: if green paint is mixed with red, yellow emerges. Silence understands that one only goes to it in stages, until the seeker reaches it after surpassing what is possible for a Tibetan monk, until he reaches the universe of the seamstress. This is the concentration, where mold has no place, much less Mother Social Haste.

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Así son las variantes: si la tinta verde se mezcla con la roja, aparece la amarilla. El silencio entiende que sólo se llega a él por etapas, hasta que el buscador lo alcanza tras superar lo que es posible para un monje tibetano, hasta que llega al universo de la costurera. Aquí está la concentración, donde el moho no tiene cabida, y mucho menos la madre prisa social.

Darlan M Cunha: foto e texto

cotidiário

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@.1

O pão tem a idade da Humanidade, tem mãos calosas e pés grossos, sua trajetória é de uma diversidade incrível, da mesma forma que são seus ingredientes, misturas, formas, tamanhos, cores, odores, preços, enfim, o pão é o cara, e merece museus do pão mundo afora, no RS tem um museu do pão, em Ilópolis (http://www.ilopolis-rs.com.br/siteantigo/site/pagina.php?id=15,) e também na pequena cidade de Seia, em Portugal (https://www.museudopao.pt/,), o pão está de tal forma tão dentro da gente que, faltando, ele faz revolução, já nos deu museus, livros e enciclopédias, deu canções e poemas, esculturas e pinturas, e então nós temos pães de milho, soja, trigo, chocolate, aveia, alho, arroz, cenoura, batata, mandioca, pão com orégano, ameixa, enfim, ao entrar numa padaria as nuvens vão te buscar.

@2.

Grupos de autoajuda <> Selbsthilfegruppen <> Self help groups <> Grupos de autoayuda

Vi na televisão alemã, por acaso, algo sobre este assunto, e me perguntei uma vez mais acerca da presença de mãos desconhecidas em nossas vidas, sim, porque o mundo está feroz a tal ponto que todos os dias necessita de remendos.

Darlan M Cunha

avesso

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@1.

Caminhos bipolares é o que há: trevos com ene entradas, e becos sem saída, enfim, um infindável claro-escuro, preto-branco, belo-feio, bom-ruim, bem-mal, quente-frio, alto-baixo, grosso-fino, duro-mole, raiva-riso, guerra-paz (há controvérsias), ou seja, um caminho estreito ao qual o humano está condenado, preso a uma ambiguidade de onde ou da qual retira sua grandeza e sua pequenez, suas dúvidas irresolvidas. Ainda não ouvi nada mais enganoso, mais vazio do que esse tanto falar de direitos humanos. O que vem a ser isso, essa ponderação ou esta afirmação vaga sobre o que não existe ? Falou-se no Mercado Central. Bocas em transe.

@2.

Lembra que alguém disse ou escreveu algo assim: Sou humano, e tudo o que é humano me diz respeito.

Darlan M Cunha

VISITE: https://www.escritas.org/pt/n/l/darlan-de-matos-cunha

juventude(s)

Artista: Maria José M Cunha (89), incansável, para a bisneta Alícia (6).

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O alarme soou o alarme do cansaço e das impossibilidades, já soaram os cravos e os entraves da ausência já vêm todos aí dando o grito porque é o saldo a vir das indiferenças, sim, é tempo das comorbidades quererem entrar é tempo do desalento no quarto ou nos três metros da varanda eis os pés a tez os punhos puídos e as pálpebras cansadas de insônia os cílios com poucos arco-íris em sua trajetória eis a boca algo assim cansada de berros de guerras até no amor, e assim, quando o alarme soar, não sejas tu igual a este ou esta aí acima na descrição tão triste e desanimadora. Botem para quebrar, vovó e vovô, chutando o balde e as canelas desta showciedade maluca e, por isso mesmo, boa, pois é diversificada. Vamos que vamos, ao diabo com a  velhice, com as cãs, com a bengala, com os chinelos e com os óculos, mas não com os ósculos ou beijos. Vamos, vovó e vovô, a balada está esperando, hoje recomeça a vossa juventude.

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Visite-me: ESCRITAS: https://www.escritas.org/pt/n/l/darlan-de-matos-cunha

Darlan M Cunha: foto e texto

convite

Sabará, MG – BRASIL

Algum dia irei a Sabarábuçu, Raposos, Rio Acima, e ao Rio das Velhas com muitas histórias de ouro, e também voltarei a São Sebastião das Águas Claras, que todo mundo conhece como Cachoeira dos Macacos, pequenina e dócil ao tato e ao olhar, tudo aqui bem pertinho de BH, mas longe da monstrópole, sim, é claro que fui até lá várias vezes, mas sempre me esqueço como estes lugares são, vivem, aí então eu invento de ir conhecê-los, e lá vamos nós aos queijos, chouriços, couves, linguiças, jabuticabas, torresminhos, taioba, goiabada, ao angu, ao ora pro nobis e àquela cachacinha. Ó, melhor do que isso é só beijo de Mãe, e umas bicotas das moças, e muita música, porque em todos estes lugares há músicos a rodo, é difícil uma família onde não haja alguém músico, ainda que amador, mas de muito boa técnica – moças e rapazes tocando com vovôs e vovós, crianças bem ali no seu dó maior na flauta, etc. Um espanto é o país, esse mesmo de Brasília – aliás, não o mesmo.

Darlan M Cunha: foto e texto