Mão, 3

castanhas de baru (Dipteryx alata)
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Pródiga, ainda que espancada a diário, a natureza não se faz de rogada. No deserto chove com força, as dunas se vão, camelos e homens afogam-se no areal, sombra não existe, a não ser aquelas sombras no psiquismo, comum nos humanos. Enquanto isso, cascavéis, besouros e ratos do deserto palitam os dentes. Nas monstrópoles, sôfregos, os zumbis sobem e descem escadarias cotidiárias, homens e mulheres pisando no tapete vermelho do desespero. Ó vida, Margarida !

Foto e texto: Darlan M Cunha

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Mão, 2

uma visita

Um sopro de vida é um sopro, naturalmente, surpresas acontecem, mas algumas são insólitas, ou quase, e aí a gente percebe que ainda é capaz de se emocionar nestas sociedades ressecadas por um vento estéril.

Foto e texto: Darlan M Cunha

De mulheres e homens

pitanga

O DIA COMEÇA É NA MADRUGADA

A moça chegou sem alarde, talvez da montanha ou do mar, ou tenha vindo de algum lugar maior do que a imaginação, silenciosa feito um peixe ou um feixe de sol nas paredes, ela veio e ficou, e nada parece incomodá-la, mas é preciso estar atento aos ecos de uma mulher, espertas por natureza e por necessidade social, uma antiga necessidade de defesa diante duma História desfavorável a elas. Mulher é menos ?

Não é, não para essa e para muitas outras mulheres e para alguns homens, e assim ela vai por aí, fazendo seu próprio ar, sua própria maneira de sentir a vida (Com sol e chuva você sonhava – diz a canção do internacionalmente respeitado Clube da Esquina), e assim, ela vai sorrindo dentro dos tênis brancos, levando seu enigma.

Foto e texto: Darlan M Cunha

MAO-BH, 11

Enquanto descansa, carrega pedras. Lembrei-me deste lindo ditado popular ao rever o pessoal da prefeitura – a turma bacana dos lixeiros – naqueles caminhões enormes, novos, lindos, e a rapaziada sempre de bom humor, pegando os sacos de lixo de prédio em prédio, de casa em casa, e fazendo gozação um com o outro. Algo típico do povo brasileiro é o seu irreversível bom humor, sejam homens ou mulheres.

FOTOS E TEXTO: Darlan M Cunha

MAO-BH, 10

Mulher em traje típico

Mala d couro

Tear
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“Não existem famílias que não venham, a um só tempo, do trono e da lama.”

Pedro Nava (médico e escritor mineiro – 1903-1984.)

Fotos: Darlan M Cunha

MAO-BH, 9

A famosa “lambe-lambe” dos parques, ancestral da tua mini

Prensas e tijolos

Fole e afins {casa de ferreiro, espeto de pau ?}

Fortíssima e, segundo o todo do Brasil, discreta.

Nos arraiais a vida foi ouro, e ouro era trabalho. E a febre do ouro pouco tempo deu para se pensar em “hoje”. E as casas foram de pau, que o tempo comeu. E a febre do ouro pouco permitiu que se pensasse em “amanhã”.

Peter Scheier. Imagens do passado de MINAS GERAIS.

Fotos: Darlan M Cunha

MAO-BH, 8

Pharmácia ou Botica

Pharmácia ou Botica

Pharmácia – unguentos, óleos, essências, pós, sais…
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E ainda um girassol / de louça e nostalgia: / flor do 56 / que é pia / oráculo e urinol / Isso deixo – não é meu / E, que o fosse, deixava: / tenho uma alma escrava / de perder o que é meu.

Ferreira Gullar. Toda Poesia.

fotos: Darlan M Cunha