estrados e estradas

RECOLOCANDO 3

 

     Todos os dias nós mudamos algo, sintonizamos de outra forma algum objetivo, muito embora continuemos básicamente os mesmos, com as mesmas nuanças, a mesma índole selvática ou apaziguadora. É de se rever a trajetória da humanidade, a qual nos dá muito bem a medida, nos mostra que muitas vezes muitos caminhos foram retornados, muitas opiniões ou conceitos bem fundamentados, mas errôneos em sua base, foram deixados de lado, ou não; enfim, muitos retornos foram e ainda são o prato do dia, e não sei por que cargas d’água pensei agora em calça boca de sino, topete pega rapaz, nas anquinhas, nos pés enfaixados à força das japonesas, durante centenas de anos, para agradar amos, mas pensei sobretudo no ainda moderno Código de Hamurabi, escrito pelo rei Hamurabi, da Mesopotâmia, nos idos de 1772 a.C.

     Uma epígrafe minha está nos meus livros e numa página minha na internet: O mesmo de ontem: mas, diferente. Assim, já que ir é o melhor remédio, vamos então de estrados e estradas.

 

*****

Foto e texto: Darlan M Cunha

Visite PALIAVANA4: https://paliavana4.blogspot.com

aparências

LIYUAN Library - China

A moderna biblioteca da aldeia de Liyuan, CHINA

***

     Dizem que quem fala sozinho está abraçado por doença, e que o que sai deste conversar consigo mesmo, deste monólogo, é alguma reclamação contra algo ou alguém, frustração transferida, a parte final do funil.

     Às vezes, acho que sou do tempo em que se roubava as botas dos soldados moribundos ou mortos, tempo de, até mesmo quando adultos e casados, de se pedir a benção à mãe, de se escovar os dentes com o dedo indicador, de amarrar guizos no rabo de cães e gatos (nos gatos era temerrário fazê-lo, pois os danados são ferozes, felinos), tempo de mãos dadas pelo caminho, de se encantar com os pirilampos, e tentar pegar uma daquelas lanternas.

     Hoje é sexta ? Dia de feira, de eira sem beira, de nascer e morrer, de passar no concurso, de ler ao mesmo tempo dois livros – um livro com cada olho; dia de ouvir aquela música, de se lembrar dos amigos e amigas que se foram, nada demais, tudo igual, mas o domingo pedirá cachimbo, e massa.

***

foto e texto: Darlan M Cunha

Biblioteca de LIYUAN – CHINA: http://www.notesontheroad.com/Li-Xiaodong-Atelier-Liyuan-Library.html