aparências

LIYUAN Library - China

A moderna biblioteca da aldeia de Liyuan, CHINA

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     Dizem que quem fala sozinho está abraçado por doença, e que o que sai deste conversar consigo mesmo, deste monólogo, é alguma reclamação contra algo ou alguém, frustração transferida, a parte final do funil.

     Às vezes, acho que sou do tempo em que se roubava as botas dos soldados moribundos ou mortos, tempo de, até mesmo quando adultos e casados, de se pedir a benção à mãe, de se escovar os dentes com o dedo indicador, de amarrar guizos no rabo de cães e gatos (nos gatos era temerrário fazê-lo, pois os danados são ferozes, felinos), tempo de mãos dadas pelo caminho, de se encantar com os pirilampos, e tentar pegar uma daquelas lanternas.

     Hoje é sexta ? Dia de feira, de eira sem beira, de nascer e morrer, de passar no concurso, de ler ao mesmo tempo dois livros – um livro com cada olho; dia de ouvir aquela música, de se lembrar dos amigos e amigas que se foram, nada demais, tudo igual, mas o domingo pedirá cachimbo, e massa.

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foto e texto: Darlan M Cunha

Biblioteca de LIYUAN – CHINA: http://www.notesontheroad.com/Li-Xiaodong-Atelier-Liyuan-Library.html