Os Inconfidentes / As Noites / Os Alergologistas

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A Devassa da Devassa:* O Riso (Quem ri primeiro…)

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@1.

     Como não é de praxe perguntar o indevido, pergunto: quando teremos todos nós 21 dedos, para talvez melhor darmo-nos conta do alheio ? 21 é um jogo de baralho ? Ó, 21 é feriado nacional originado na inquieta Minas, onde um punhado de pessoas sigilosas, de profissões e interesses muito diversificados, se reuniram para o grande avanço, tentando um basta à gula da Coroa, pois o mundo sempre teve gente dinâmica ou utópica assim, taciturna, revoltada, algo ciente de seus deméritos e inflexões, quanto das armaduras, de sua visão quiçá social, e assim é que, como diz a canção Coração tranquilo: Tudo é uma questão de manter a espinha ereta.*

@2.

     E a noite não rompe as horas, quase morta, estagnada, é algo assim como um burro empacado diante de um mata-burro. Sofres tua insônia de modo diverso de quem sofre sua clarividência, ou demência, enfim, todos querendo diálogo com o sossego.

@3.

Falando em alergia… pólen. Conheço uma menina que, pelo método seguido pelos pais, come flores diariamente, embora não só de flores viva o Homem. Lembra.

@4.

“Todo mineiro é conspirador”, publiquei em livro.

 

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Imagem: Internet: 1 7zZuP84TRa-5TjIuPrTbEg.jpeg

Texto: Darlan M Cunha

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Icone-communication (The sounds of the silence)

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Silêncio é pão e água

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     Silensidão pode significar o que pensas que tal palavra seja, pode não ser, às vezes, até eu, que inventei e publiquei em livro a junção dessas duas palavras fui ao fundo dela. Silensidão é a mistura de silêncio e imensidão, talvez também de receio e meditação. Mas onde pousar para em silêncio ficar ? Nem no Nepal nem no Butão nem no Tibete, e muito menos numa toca de tatu ou de urutu, já cercadas por minhocas de ferro e aço.

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Foto e texto: DARLAN M CUNHA

AQUI-Ó: https://www.flickr.com/photos/aqui-o/

POEM HUNTER: https://www.poemhunter.com/darlan-m-cunha/

ESCRITAS: https://www.escritas.org/pt/ver/perfil/darlandematoscunha

Arqueologia, e a sensação do primeiro livro

FIGURAS RUPESTRES ENCONTRADAS NAS CAVERNAS DA REGIÃO DE LAGOA SANTA

Pinturas rupestres encontradas na região de Lagoa Santa, MG, Brasil

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     Nunca se esquecerá da sensação sufocante ao receber em casa os exemplares de seu primeiro livro, sufocante teor de alegria, pasmo, trêmulo, ali estava diante daquilo que tantos veem como sendo “um filho”. Bebeu um trago e deitou-se já sem peso, e não havia ninguém no mundo, só ele e as pessoas que lhe haviam povoado o imaginário, e todos estavam longe, embora do outro lado da rua, ele os alijara para poder pensar em algo ou em nada, um pouco sobre o fato de estar vivo, pendente para um lado ou para outro lado, bem ou mal, claro ou escuro, e lembrou-se da música A Flor e o Espinho,* pelo que se vê que há marcas mais duradouras do que a marca no couro de bois e vacas, e a razão pela qual as garotas não se esquecem do primeiro sutiã e nem da menarca. Assunto não falta ao imaginário, à memória, e assunto não falte ao errante violeiro.*

 

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Foto e texto: DARLAN M CUNHA

ESCRITAS: https://www.escritas.org/pt/n/t/59099/tua-vez

86 anos

MERCADO CENTRAL, 12-12-2017

Felicidades muitas, Dona MARIA JOSÉ

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     Dona Maria José sempre foi elétrica, incansável, mesmo aos 86 anos completados hoje, dia 13 de abril de 2018, mesmo tendo tido dez filhos, com treze netos e netas, dezesseis bisnetas e bisnetos e duas trinetas, nos EUA. Sempre diz que o dia deveria ter 25 horas, mas ela logo iria querer os dias todos com 30 horas, ou mais, hehe…

     Digo que me canso só de ver a Dona Maria trabalhar, porque quando não há serviço ela inventa. Faz croché, tricô, pintura a óleo, costura, borda, está sempre fazendo bolos, biscoitos, tortas, doces, sempre levando um pouco para a vizinhança – ato raro. Não tem pingo de maldade nem de malícia. Sempre ensinando as netas e as vizinhas que querem receita tal, mas ela faz tudo é “de cabeça”. Uma graça a Dona MARIA, que é o verdadeiro esteio de toda a família. Vive cantando, e eu a acompanho de vez em quando, no violão.

     Não abre mão de ir à igreja. Um dos pratos preferidos é quiabo com moranga, angu e carne moída – bem tradicional mineiro. Também não abre mão dos queijos, mormente o queijo Canastra, o queijo do Serro, etc.

     No espaço de um ano e dez meses ela perdeu três rapazes, dois afogados em lugares e datas diferentes: Múcio, 29 anos; Eduardo, 23 anos; Heber, 33 anos.

     Há quatorze anos (2004) abri para ela uma página no MUSEU DA PESSOA, onde conto a trajetória de sua vida, desde o nascimento, casamento, etc. Modesta, viajou por vários países, com a ajuda de filhas, netas, nora, filhos, genros, etc, tendo ido, por exemplo, à Jordânia, Israel, aos Emirados Árabes Unidos (Dubai), Paraguai, Argentina, EUA, etc.

AQUI: http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/historia/maria-jose-matos-cunha-e-o-seu-entorno-magico-40077

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MIL E UMA FELICIDADES, Dona MARIA JOSÉ

Texto, site, foto: DARLAN M CUNHA

desaparecidos

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Região BH / Nova Lima, vista do bairro Belvedere, BH

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     Entra num ônibus municipal e senta-se na parte da frente reservada às pessoas com deficiência, idosos, etc. À sua frente, um cartaz de notícias da prefeitura, logo atrás do motorista, dando conta de alguns eventos culturais pela cidade, outras notas ensinando bons modos ao povo, como se comportar nos ônibus – mensagem sempre dizendo que gentileza é, e por aí vai. Mas o que mais chama a atenção, e comove, é o espaço dedicado às pessoas desaparecidas: crianças, adolescentes, adultos, idosos, senis, todos e todas com a data do sumiço, alguns e algumas já com anos sem notícias, mas as famílias não desistem, e assim, enquanto o ônibus cumpre o trajeto, fica pensando no peso da angústia que invade a mesa, o sofá, a cama, enfim, o que abala todo o psiquismo da família e das pessoas de fato amigas, quase toda a aldeia, quase toda, isso porque há os cegos e os egoístas.     

     Alguns podem ter sido raptados, outras também, mas com intuito inconfessável, assim também com as crianças, alguns jovens já estavam fartos de desentendimentos gerais em casa, e se foram, sem aviso, para nunca mais; os idosos podem estar acometidos, por exemplo, pelo mal de Alzheimer, uma patologia na qual a pessoa está viva, mas está morta, porque o cérebro já não existe, tudo o que há é o esquecimento, a amnésia constante, irreversível. Mais devastador do que o mal de Parkinson e o câncer é este sofrer, já que a rede neurológica ruiu.

     Sempre salta do ônibus com uma estranha sensação que fica entre a insustentável leveza de ser o que se é, e a sensação de ser personagem da história da beleza* quanto da história da feiura.* Outras vezes, acha que está no Inferno, de Dante.*

 

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Texto e foto: DARLAN M CUNHA

Alusões a livros:

A Insustentável Leveza do Ser   >>>   Milan Kundera

História da Beleza   >>>   Umberto Eco

História da Feiura   >>> Umberto Eco

A Divina Comédia   >>> Dante Alighieri

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O Mercado Central nos 120 anos de BELO HORIZONTE (12 dez 2017)

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     Já ouvi e já contei histórias inúmeras no Mercado Central de BH, o qual foi eleito pela população como sendo “A cara de BH”, concorrendo, por exemplo, com a internacional Pampuha, a Praça Sete, o imenso Parque das Mangabeiras, o Mineirão, etc.

    Mas vamos a outros pontos ou a outras paragens, opiniões, divergências, gargalhadas, choros, desejos reprimidos (tantos !). 

     Pelo menos uma vez por dia deixe a boca de lado, racional, porosa, previdente, e fale com o coração, pelo menos uma vez por dia chute os baldes e execre o que se acha são, batendo a porta na tua cara e nas caras do entorno. Ó, miséria pouca é bobagem, diz o povo, mas o povo não sabe de nada, só ri, ri até cair e ficar por aí, com dor nas costas, cefaleia, dívidas.

    Lembra: enquanto dormes, coisas acontecem, fendas se abrem, mas a felicidade luta.

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Foto e texto: DARLAN M CUNHA

Ser ou ser

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Hay gobierno? Se hay soy contra!

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     Casou-se bem jovem, teve quatorze filhos e filhas, por duas vezes nasceram gêmeos e gêmeas. Doce pessoa. Fora do casamento, o pai teve filho e filha, psiquismo exacerbado, cérebro convulso, pinto bailarino, benfeitor de domésticas, inquilino das nuvens, totem. Teria de ganhar bem para amparar essa multidão. Bendito seja o fruto do vosso vento.

     Gosto de chutar latas de lixo da cidade, chutar vira-latas, pôr guizos no rabo de cães e gatos, pois é bom vê-los desesperados pelas ruas, fazendo barulho ao arrastarem latas de sardinha, enquanto me encrenco com panacas, sintonizando alto o som, no velho estilo de sexo, droga e rock and roll, sim, sou do contra.

     Hay gobierno? Se hay soy contra!

     Domingo pede cachimbo, diz o dito popular, sendo também o dia nacional da macar-ronada com frango, e de futebol visto de cima ou de dentro do velho sofá.

Leiamos Clarice: “Eu era talvez a primeira pessoa a pisar naquele castelo no ar.” *

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Foto e texto: DARLAN M CUNHA

 * citação: CLARICE LISPECTOR. A Paixão Segundo GH, p.127

N. S. do Rosário – Santa Bárbara, MG

Nossa Senhora do Roário dos Pretos

SANTA BÁRBARA, MG (na praça ao lado da minha ex-casa)

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     Já faz muito tempo que perdi a fé no que quer que seja – menos na amizade, que é uma construção humana digna de ser preservada, embora que nesses tempos de se ir e vir sem que se olhe para o vizinho as coisas ficam complicadas. Mas vamos em frente, que atrás vem gente – diz o ditado popular. Esquecer o celular, e de frente conversar.

Darlan M Cunha

Santa Bárbara, MG

Nossa casa. A janela era no quarto dos nossos pais.

Morei nesta maravilha bicentenária (100 km de BH), cidade histórica, onde nasceu um presidente da república, noutra casa muito bonita: Afonso Pena.

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     O ano mal começou, e dois meses e meio já se foram. Ainda “ontem” – dia sete de janeiro -, ou seja, um dia após o dia de Reis, eu estava desarmando a árvore de natal da casa de minha mãe. A vida voa. E novamente me lembro da canção que diz: “o tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém”

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Darlan M Cunha

 

 

 

 

Para subir na vida, um cajado por empréstimo, sim, pergunte ao Dr. Fausto, o Diabo é solícito

Buritis

Buritis, Belo Horizonte, MG

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       Crer ou descrer passa por não saber, lá onde a dúvida ainda é soberana, algo normal fluindo seu magma, de leve, até que a pressão seja maior do que a boca, e então a boca explode palavras como pedras em chamas sobre as camas os asfaltos os consultórios os estádios, enfim, a boca toma juízo, e se cumpre, botando verbos pelo avesso, degolando  sintaxes, pobres adjetivos – ele é bom, ela é má -, seccionando colhões de advérbios e pronomes, é isso: crer ou descer e ficar na apatia, enquanto o mundo vasto mundo inventa moda atrás de moda.

 

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foto e texto: Darlan M Cunha

Leia-me no Poem Hunter: https://www.poemhunter.com/poem/mimesis-and-symbiosis/