A insustentável leveza (peso) de ser

O AR EM SEU ESTADO NATURAL – Textos sobre letras do CLUBE DA ESQUINA,

ANDA, UMMA, MÍNIMOS CONTOS ORDINÁRIOS, ESBOÇOS E REVESES: O SILÊNCIO

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     Deixe para atrás toda esperança todo aquele que por essa porta passar. Esta advertência terrível está na Divina Comédia, de Dante Alighieri, e eu, que não creio em castigos celestiais e infernais, não queria não quero não quererei estar na pele de quem atravessou o portal do inferno, se não por nada, é que já houve quem disse que o inferno somos nós (Jean-Paul Sartre).

     Bom, voltanto para Gea – Terra -, ao cotidiano de ralações, danações, mandingas, risos e riscos, amanhã, para a estreia do Brasil na Rússia, prepararei arroz vermelho, qual seja, com urucum (Bixa orellana) legítimo, e não o coloral que se compra em todo lugar; também uma salada de milho verde, palmito, almeirão, alface crespa, tomate-cereja, azeite, limão capeta. Piramutaba ou surubim, de cujo caldo farei pirão, e batatas cozidas inteiras. Bom, o santo pede, e a vodka com água de coco fará presença. Sem esnobismo, digo, porque essa atitude não faz minha cabeça, não é para mim, mas de vez em quando a gente pode e deve sair dos trilhos, como diz a minha vizinha Anísia, a bela.

     Quanto aos livros mostrados aí acima, foi uma luta insana, mas agradável. Meu novo livro está quase pronto. Depois, vem a insônia para encontrar Editora, conversar sobre prazos, preço, mais insônia… hehe… Tenho mais o que fazer do que escrever livros, mas se não o fizer, O GRANDE VAZIO me pega.

 

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Fotos e texto: DARLAN M CUNHA

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Guerreiras G

Bolo de mandioca.com coco ralado

Bolo de mandioca com coco ralado (Dona Maria José, 86)

 

@1

Em categorias e tags o melhor é usar aqui uma única palavra: delícia. Dizem que mães e avós nos acostumam mal, de maneira que, volta e meia, mesmo já marmanjo, casado ou não, a gente está sempre fazendo uma visita àquelas mesas que estão sempre abertas.

@2

Ficar numa estação de viagem (Pedro pedreiro, penseiro, esperando o trem)*, alta ou baixa madrugada, ouvindo o silêncio interior, o vento, os passos de algum passageiro afobado, ouvindo um grito recém solto lá no Iraque. Mala na mão, vais partir…

@3

Tens saudades, rapaz, do tempo mochileiro ? Ainda é tempo, garoto, guarda no baú estas lembranças, ajeita o fluxo sanguíneo na cabeça (É a cabeça, irmão)*, toma o pulso do dia e da noite, e vá para onde o nariz apontar. Ainda há tempo, menina. Conhecer é mais.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

 

abstrato

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     Viver escondido em abstrações, os punhos e os pés envoltos em veludo, seda ou algodão, porque todo cuidado é pouco nesses tempos de privacidade nula, portanto, melhor agir de leve, levando nossos cristais entre algodão, que a louça é frágil, que o andaime pode cair (e se acabou no chão feito um pacote bêbado).*

 

Duas fotos interiores, texto e arte: Darlan M Cunha

Base para as fotos: PhotoFunia

Guerreiras F e Guerreiros 9

Exército Branco

Exército Branco

 

     Hoje, domingo 3, por volta das 10 h, eu estava colocando textos em ordem, totalmente ligado no assunto, quando, de repente, saltei da cadeira e corri até a janela para ver que diabo de alvoroço era aquele que enchia as varandas e janelas dos apartamentos… e eis que vejo e ouço essa maravilha de Banda, com adultos, jovens e crianças. Fui para o céu, logo eu. Sim, gente boa, hoje eu vi a Banda passar.

Foto e texto: Darlan M Cunha

Guerreiros 4

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Vikings

 

    É a cabeça, irmão. É isso, proteger o centro das coisas, o pensamento. Pensar dói, mas alarga a visão, pensar o impensado por esta ou por aquela pessoa, embora já pensado por tantas outras em Eras diversas, por tantas e tantas pessoas. É preciso pensar, mas estamos numa época na qual o que vale, o que vence, o único que se aceita é correr, chegar em casa como um farrapo diário, e o sono e a insônia sendo recebidos como uma dádiva.

     Eis o dia e a noite – cada qual com suas necessidades, mais dependências sendo criadas e substituídas. Eis a horta, o horto, a forja sempre em brasa, o Homem sempre pronto a um feixe de lenha, um feixe de vigas finas de aço, um rastilho de pólvora, eis o escritório onde suores próximos e distantes são decididos,  pois o trabalho mitiga a sede e serve de propaganda, e para exemplo famoso disso temos este e muitos outros slogans mundo afora em tempos diversos: Arbeit macht Frei / O trabalho liberta (está na entrada de um campo de concentração). Para tanta gente, ainda hoje, trabalho escravo ou semi-escravo é a sua realidade, mas ao salário do medo o riso não cede passo, e passa por dentro do título do livro do Cesare Pavese,  Lavorare stanca  // Trabalhar cansa. Eis o dia e a noite.

Foto e texto: Darlan M Cunha

Bee Gees: First of May >>> https://www.letras.mus.br/bee-gees/3614/#radio:bee-gees

Guerreiros 2

GUERREIROS 2

Sob malha ou cota de aço

 

      Num dia já distante, já sem nome e sem data, a mãe disse algo de que nunca se esquece: “Filho, tudo é sagrado, mas três coisas sagradas de verdade são a mãe, a água e a música. Esta é a Santíssima Trindade.” Lembrei-me da canção cubana Soy feliz, soy un hombre feliz, y quiero que me perdonen por este dia los muertos de mi felicidad.* Por-tanto, também sou feliz, por ter todas as três em casa. Era, porque este estado de graça durou até que o pai veio e disse: “Garoto, nada urge e nem vale mais do que a Ameaça, a Força, a Posse.” E fui à guerra cotidiária.

 

Foto e texto: Darlan M Cunha

Os Inconfidentes / As Noites / Os Alergologistas

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A Devassa da Devassa:* O Riso (Quem ri primeiro…)

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@1.

     Como não é de praxe perguntar o indevido, pergunto: quando teremos todos nós 21 dedos, para talvez melhor darmo-nos conta do alheio ? 21 é um jogo de baralho ? Ó, 21 é feriado nacional originado na inquieta Minas, onde um punhado de pessoas sigilosas, de profissões e interesses muito diversificados, se reuniram para o grande avanço, tentando um basta à gula da Coroa, pois o mundo sempre teve gente dinâmica ou utópica assim, taciturna, revoltada, algo ciente de seus deméritos e inflexões, quanto das armaduras, de sua visão quiçá social, e assim é que, como diz a canção Coração tranquilo: Tudo é uma questão de manter a espinha ereta.*

@2.

     E a noite não rompe as horas, quase morta, estagnada, é algo assim como um burro empacado diante de um mata-burro. Sofres tua insônia de modo diverso de quem sofre sua clarividência, ou demência, enfim, todos querendo diálogo com o sossego.

@3.

Falando em alergia… pólen. Conheço uma menina que, pelo método seguido pelos pais, come flores diariamente, embora não só de flores viva o Homem. Lembra.

@4.

“Todo mineiro é conspirador”, publiquei em livro.

 

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Imagem: Internet: 1 7zZuP84TRa-5TjIuPrTbEg.jpeg

Texto: Darlan M Cunha

Icone-communication (The sounds of the silence)

Icone-communication

Silêncio é pão e água

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     Silensidão pode significar o que pensas que tal palavra seja, pode não ser, às vezes, até eu, que inventei e publiquei em livro a junção dessas duas palavras fui ao fundo dela. Silensidão é a mistura de silêncio e imensidão, talvez também de receio e meditação. Mas onde pousar para em silêncio ficar ? Nem no Nepal nem no Butão nem no Tibete, e muito menos numa toca de tatu ou de urutu, já cercadas por minhocas de ferro e aço.

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Foto e texto: DARLAN M CUNHA

AQUI-Ó: https://www.flickr.com/photos/aqui-o/

POEM HUNTER: https://www.poemhunter.com/darlan-m-cunha/

ESCRITAS: https://www.escritas.org/pt/ver/perfil/darlandematoscunha

Um certo Raphael

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Raphael Rabello (Rio de Janeiro, (1962 / 1985)

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@1.   

     Desconheço o projeto dos deuses, mas esses tipos só têm uma meta, um foco, alguma viga na qual se agarrarem, são pífios demais para o meu livre exercício de inquietação, surdos demais para a música ou, como Leonardo da Vinci a chamava, ele que também era músico – ele e os do seu tempo a chamavam de la figurazione dell’invisibile. Por falar em arqueologia da arte, em especial sobre música

@2.

     um garoto, sim, um púbere acabou de encontrar o tesouro de Harald Blue Tooth, Haroldo Dente Azul, mil anos após ter este sido escondido num ermo na Alemanha. Atraído pela arqueologia, o garoto certamente vive fuçando o quintal de sua casa, colinas, descampados, vales e inconscientemente também a si mesmo, porque isto é marca registrada da juventude – a busca em meio ao caos adulto, adultos que tudo adulteram, de tal maneira que as crianças e os púberes, com tantos maus exemplos, tornam-se piores do que os pais e os avós. Preto no branco e vice-versa. Retrato em preto e branco.

     Um canal estrangeiro logo mostrou o local das escavações com as indefectíveis marcações de limites, num lugar que hoje é plano, descampado, o qual certamente foi um bosque ou uma floresta. De repente vi sair do fundo daquelas escavações um moço com um violão, sentaram-se, e recomeçaram de onde pararam, e sequer pediram água de botija, pão com salsichas brancas e uma garrafa de schnaps, algo assim, mas a boa hospedagem logo se fez presente, e uma toalha bem bordada foi esticada diante da jovem dupla, e assim revi, sem surpresa nenhuma, mas com uma alegria imarcescível o violonista Raphael Rabello tocar todo o disco Todos os Tons.

 

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Imagem: YOUTUBE: JOSÉ FREITAS / VIOLÃO BRASIL:

TODOS OS TONS, RAPHAEL RABELLO (postado por José Freitas. YOUTUBE)

Texto: DARLAN M CUNHA

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O Mercado Central nos 120 anos de BELO HORIZONTE (12 dez 2017)

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     Já ouvi e já contei histórias inúmeras no Mercado Central de BH, o qual foi eleito pela população como sendo “A cara de BH”, concorrendo, por exemplo, com a internacional Pampuha, a Praça Sete, o imenso Parque das Mangabeiras, o Mineirão, etc.

    Mas vamos a outros pontos ou a outras paragens, opiniões, divergências, gargalhadas, choros, desejos reprimidos (tantos !). 

     Pelo menos uma vez por dia deixe a boca de lado, racional, porosa, previdente, e fale com o coração, pelo menos uma vez por dia chute os baldes e execre o que se acha são, batendo a porta na tua cara e nas caras do entorno. Ó, miséria pouca é bobagem, diz o povo, mas o povo não sabe de nada, só ri, ri até cair e ficar por aí, com dor nas costas, cefaleia, dívidas.

    Lembra: enquanto dormes, coisas acontecem, fendas se abrem, mas a felicidade luta.

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Foto e texto: DARLAN M CUNHA