refletir

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@1.

Ontem, sexta 23, achei uma nota de dois reais no passeio par da Avenida Sinfrônio Brochado, bairro Barreiro de Baixo, BH, e me senti lembrado pelos deuses, rindo que nem garoto ou garota com a boca cheia de biscoitos. Meu dia foi muito bom, no meio de tanta carnificina generalizada mundo afora. Não, não pode haver dia bom para ninguém, foi ilusão minha, uma tentativa de fuga, catarse…

@2.

Uma canção do ilustrador e compositor baiano Assis Valente (suicidou-se, 1958), gravada por Carmem Miranda, diz Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar / Por causa disso a minha gente lá em casa começou a rezar. Pois é, o título dessa música com uma letra falando de algo muito bem imaginado a respeito do comportamento de cada um/uma diante da iminência do fim do mundo é Mas o mundo não se acabou, pelo que os espertos deitaram e rolaram, outros rezando e se martirizando como prova de amor a uma vida pia, outros sem comer e sem beber, muitos viraram zumbis – insones ou sonâmbulos -, mas como ainda não acabamos de vez com o mundo, todos voltam à sua vidinha desgraçada de atazanar a vida do outro, todo mundo à espera da Luz.

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Darlan M Cunha: foto e texto

17 de Outubro: Dia da MPB – Música Popular Brasileira

Era um homem que vivia lá com seus botões… (Música e letra: DMC)

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O dia 17 de outubro é dedicado a celebrar a incrível MPB – Música Popular Brasileira – cuja diversidade de ritmos, assuntos, tons, instrumentos, etc, é espantosa. Há muito tempo eu noto a pobreza das letras de gigantes da música internacional, a qual fica restrita no dueto EUA e Inglaterra, ou seja, uma mendicância risível, insuportável. As letras dos Stones sempre foram boas, por incrível que pareça, até hoje os vovôs evitam musicar tolices, e assim o Pink Floyd, Frank Sinatra, Bruce Springsteen, Joan Baez, Sting, e me distancio um pouco mais dos estadunidenses e dos ingleses, para falar de Mercedes Sosa e Elis Regina, que não compunham, mas que tinham um foco, um faro incrível para selecionar o que gravariam, assim também as canções do cubano Silvio Rodríguez, e também o extinto grupo inglês Moody Blues, e Cat Stevens, autor, entre outras, da canção Father and Son, e mais uma dúzia de artistas, gente da Música, não mais. Água e Vinho, GISMONTI.

Então, se você quiser se sentir bem, ouça com atenção melodias e letras do SIDNEY MILLER, falecido muito jovem, as canções do TAIGUARA, idem, o inacreditável ELOMAR FIGUEIRA MELLO, maestria nas letras e nas harmonias, sua visão larga, alta e profunda da vida, a enciclopédia musical e literária mineira, com suas canções também ímpares de todos os integrantes deste clube de fama internacional que é o CLUBE DA ESQUINA; e eis as letras do Paulo César Pinheiro, e a sutileza do Walter Franco, cujas letras andam sozinhas e ventilam obtusos, e as letras do CARTOLA (praticamente um analfabeto) são tão fora de série, são de um idioma que não é o comum, pois ele tratou o idioma com tanta leveza que, quando faleceu, eis que o farmacêutico e poeta CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE escreveu na coluna dele no Jornal do Brasil, a respeito de um verso da canção As Rosas Não Falam, o mestre escreveu algo assim, se não me falha a cachola: Este é o verso que eu gostaria de ter escrito: Queixo-me às rosas, / mas que bobagem, as rosas não falam / simplesmente as rosas exalam / o perfume que roubam de ti.

Bom, para terminar, Águas de Março são o começo do Mundo, e eu fiquei sabendo, à socapa, por fontes fidedignas, que o próprio Senhor Deus andou tentando fazer-se coautor da distinta canção, nos órgãos competentes para o registro de direitos autorais, de registros musicais do país. Em vão. Essa tentativa sorrateiramente divina não deu certo. A outra construção, sim, dentro da lei, tijolo por tijolo. Digo isto com uma caipirinha, saudades de pessoas com P maiúsculo, que partiram, mas aqui estamos ouvindo a música Ouro de Tolo, do RAUL SEIXAS, depois veio Roda carreta, do gaúcho Paulo Ruschel, gravada por ELIS REGINA, e o incansável ZÉ GERALDO cantando CIDADÃO, do autor LÚCIO BARBOSA.

@2.

Minha mãe Maria José (89) é apegada incondicionalmente à música e às plantas, de tal forma que é algo comum ela estar cozinhando e cantando (todo mundo da Família sabe cozinhar), e algum filho ou neta ou bisneta cantando com ela e tocando um instrumento. Eu não consigo imaginar algo mais chique, mais doce do que a visualização de um quadro assim – comum na nossa família, e na de outras famílias Brasil afora.

@3.

A música brasileira – é de se notar que até aqui eu não me referira a Heitor Villa-Lobos, Radamés Gnattali e Marlos Nobre, ora, por que falaria de tais maestros ? Pois é, a MPB é um Rio Amazonas, suas ondas sem fim, caudal para banhos, e cada banho de acordes vem com peixes e algas diferentes.

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Darlan M Cunha: foto e texto

meta>>>gol

Campinho de todos (não se paga). RIO ACIMA – MINAS GERAIS – BRASIL

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@1.

Estava mais angustiado / que um goleiro na hora do gol / Quando você entrou em mim / como um sol… (BELCHIOR, na canção Divina Comédia Humana).

@2.

Hoje numa padaria específica encontrei, entre pães sírios, italianos e alemães, pães com uma infinidade de recheios e gostos: de batata de cenoura de milho de mandioca de abóbora, ou com azeitonas, com azeite, com rodelas de linguiça defumada, com frutas cristalizadas, pães de forma e pães de alho e muitos outros, encontrei uma joia que eu não via havia anos, pode crer que reencontrei ‘marta rocha’, e a levei para casa, tremendo que nem um goleiro na hora do gol, eu saboreei a marta rocha de tempos idos, e ela por aí. Que pão delicado ! Pensavas tu em algo ? Procure uma padaria mais variada.

@3.

Não vou encerrar essa ‘crônica’ em tom de baixo astral, não, mas o mundo vai demorar no mínimo uma década para se recompor, porém, dificilmente mudará radicalmente de rumo, logo se esquecerá de ter rastejado debaixo da batuta de um vírus, logo se esquecerá da tremenda e mortal lição – já se falou disso aqui, faz um certo tempo.

Bom, os preços estão convidativos, é fácil de se notar isso, este convite que incita cidadãos e cidadãs a não entrarem em vendas, bares, restaurantes, quiosques, brechós, lojas disso e daquilo, “promoções disso e daquilo”, não irem a ginásios clubes teatros estádios hotéis motéis (os dízimos das igrejas permanecem liberais, abertos à capacidade de cada um), tudo isso porque os preços convidam a nos mantermos com escorpiões e cascavéis nos bolsos, bolsos que, por natureza, são vazios, raros. Nas nuvens os preços.

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Darlan M Cunha: foto e texto

BELCHIOR. Divina Comédia Humana.: https://www.youtube.com/watch?v=lDNKiB4pL1o

nuvens // clouds

bairro Buritis, BELO HORIZONTE-MG, visto da minha sala

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Janela é televisão, pode ser aprendizado, mas a tevê, nem tanto. Da janela se pode rir de um tropeção, rir com quem está rindo do outro lado da rua, podes pensar em descer depressa e ajudar a moça com três sacolas, eis um mendigo do bairro, sirena de bombeiros passando a mil, a janela ouve a suicidade, escuta a monstrópole arder, ela estala durante 24 horas, e você na janela, um cafezinho na janela, os transeuntes indo e vindo, sempre apressados, o infarto não dorme, o perigo ronda, para que tanta pressa ? Cuidado com os bêbados e drogados ao volante, pneus carecas, e o maldito celular na mão, na outra, o volante: tarde demais, eis a batida ou o atropelamento. Você, da janela, vê tudo – quase tudo.

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Window is television, it may be learning, but television, not so much. From the window you can laugh at a stumble, laugh with someone laughing on the other side of the street, you can think of hurrying down and help the girl with three bags, here is a beggar in the neighborhood, the firemen sirens are going a thousand miles, the window hears the city, listens to the metropolis burn, it burns for 24 hours, and you at the window, a cup of coffee at the window, the passers-by coming and going, always in a hurry, heart attacks don’t sleep, danger surrounds, what’s the rush? Beware of drunks and junkies at the wheel, bald tires, and the accursed cell phone in one hand, and the steering wheel in the other: it’s too late, and you are hit by a car or run over. You, from the window, see everything – almost everything.

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Darlan M Cunha: foto e texto

PAULO DINIZ. E agora, José ? (Poema de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, musicado). https://www.youtube.com/watch?v=1L9mZIxgaq0

no paredão

tijolo por tijolo, num desenho lógico (Chico Buarque)

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OS RIOS

Veias vazias ou cheias / os rios se abrem e se fecham aos bichos diversos/ das duas faunas: a humana, e a natural. / Veias limpas ou entupidas / os rios mal conseguem andar /em cada esquina eles param para respirar / canseira pelo peso / canseira, porque esquecidos / não os querem úteis os humanos / sempre de olho no próprio umbigo / rurais ou urbanos / eis os homens ocos / com sua verve de lavoura arcaica / vão pela estrada sem sol, vão / dando nós no vento / prontos para se venderem ao Diabo: uns trocados.

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Rio JEQUITINHONHA

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Onde um rio que me salve de mim mesmo ? / Onde um bojo de águas espertas, / seu vinho assim de leve, / de pernas abertas, um rio flutuando sobre ele mesmo, / sem temor, só fervor de rio ser ?

Darlan M Cunha: foto e poemas

doce lembrança // sweet memory

ELVIRO FERREIRA CUNHA, mestre em ESTATÍSTICA, pelo IBGE – meu pai (1922/2012)

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BREVES PALAVRAS

Meu pai era um homem calado, simples, gostava muito de ler, nunca o vimos nem ouvimos levantar a voz para a nossa Mãe Maria José, 63 anos de casados. Hoje, 26 de agosto 2021, já se vão nove anos do seu falecimento. Trabalhou a vida inteira no INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Alzheimer.

My father was a quiet, simple man, he loved to read, we never saw or heard him raise his voice to our Mother Mary Joseph, 63 years of marriage. Today, August 26, 2021, it will be nine years since his passing. He worked all his life at the BRAZILIAN INSTITUTE OF GEOGRAPHY AND STATISTICS – IBGE. Alzheimer’s.

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OUTRAS PALAVRAS

Uma grande amiga minha, Ana M., jovem doçura, e um bom humor maravilhoso, médica pediatra, me disse que uma garotinha de cinco anos foi consultar-se com ela – evidentemente acompanhada dos pais, ambos engenheiros, e que depois da consulta e da prescrição, etc, a garotinha agradeceu, e os pais também, e ela falou assim: “Doutora, eu quando é grande, eu vai ser médica, eu e o meu irmãozinho, a gente vai ajudar todo mundo.”

IN OTHER WORDS

A good friend of mine, Ana M., a sweet young woman with a wonderful good humor, a pediatrician, told me that a five year old girl went to see her, accompanied by her parents, both engineers, and that after the consultation and the prescription, etc., the girl thanked her, and so did her parents, and she said: “Doctor, when I grow up, I’m going to be a doctor, me and my little brother, we’re going to help everyone.

Darlan M Cunha: foto e texto