Os Inconfidentes / As Noites / Os Alergologistas

1 7zZuP84TRa-5TjIuPrTbEg

A Devassa da Devassa:* O Riso (Quem ri primeiro…)

*****

@1.

     Como não é de praxe perguntar o indevido, pergunto: quando teremos todos nós 21 dedos, para talvez melhor darmo-nos conta do alheio ? 21 é um jogo de baralho ? Ó, 21 é feriado nacional originado na inquieta Minas, onde um punhado de pessoas sigilosas, de profissões e interesses muito diversificados, se reuniram para o grande avanço, tentando um basta à gula da Coroa, pois o mundo sempre teve gente dinâmica ou utópica assim, taciturna, revoltada, algo ciente de seus deméritos e inflexões, quanto das armaduras, de sua visão quiçá social, e assim é que, como diz a canção Coração tranquilo: Tudo é uma questão de manter a espinha ereta.*

@2.

     E a noite não rompe as horas, quase morta, estagnada, é algo assim como um burro empacado diante de um mata-burro. Sofres tua insônia de modo diverso de quem sofre sua clarividência, ou demência, enfim, todos querendo diálogo com o sossego.

@3.

Falando em alergia… pólen. Conheço uma menina que, pelo método seguido pelos pais, come flores diariamente, embora não só de flores viva o Homem. Lembra.

@4.

“Todo mineiro é conspirador”, publiquei em livro.

 

*****

Imagem: Internet: 1 7zZuP84TRa-5TjIuPrTbEg.jpeg

Texto: Darlan M Cunha

Anúncios

Icone-communication (The sounds of the silence)

Icone-communication

Silêncio é pão e água

*****

 

     Silensidão pode significar o que pensas que tal palavra seja, pode não ser, às vezes, até eu, que inventei e publiquei em livro a junção dessas duas palavras fui ao fundo dela. Silensidão é a mistura de silêncio e imensidão, talvez também de receio e meditação. Mas onde pousar para em silêncio ficar ? Nem no Nepal nem no Butão nem no Tibete, e muito menos numa toca de tatu ou de urutu, já cercadas por minhocas de ferro e aço.

*****

Foto e texto: DARLAN M CUNHA

AQUI-Ó: https://www.flickr.com/photos/aqui-o/

POEM HUNTER: https://www.poemhunter.com/darlan-m-cunha/

ESCRITAS: https://www.escritas.org/pt/ver/perfil/darlandematoscunha

Um certo Raphael

maxresdefault

Raphael Rabello (Rio de Janeiro, (1962 / 1985)

*****

 

@1.   

     Desconheço o projeto dos deuses, mas esses tipos só têm uma meta, um foco, alguma viga na qual se agarrarem, são pífios demais para o meu livre exercício de inquietação, surdos demais para a música ou, como Leonardo da Vinci a chamava, ele que também era músico – ele e os do seu tempo a chamavam de la figurazione dell’invisibile. Por falar em arqueologia da arte, em especial sobre música

@2.

     um garoto, sim, um púbere acabou de encontrar o tesouro de Harald Blue Tooth, Haroldo Dente Azul, mil anos após ter este sido escondido num ermo na Alemanha. Atraído pela arqueologia, o garoto certamente vive fuçando o quintal de sua casa, colinas, descampados, vales e inconscientemente também a si mesmo, porque isto é marca registrada da juventude – a busca em meio ao caos adulto, adultos que tudo adulteram, de tal maneira que as crianças e os púberes, com tantos maus exemplos, tornam-se piores do que os pais e os avós. Preto no branco e vice-versa. Retrato em preto e branco.

     Um canal estrangeiro logo mostrou o local das escavações com as indefectíveis marcações de limites, num lugar que hoje é plano, descampado, o qual certamente foi um bosque ou uma floresta. De repente vi sair do fundo daquelas escavações um moço com um violão, sentaram-se, e recomeçaram de onde pararam, e sequer pediram água de botija, pão com salsichas brancas e uma garrafa de schnaps, algo assim, mas a boa hospedagem logo se fez presente, e uma toalha bem bordada foi esticada diante da jovem dupla, e assim revi, sem surpresa nenhuma, mas com uma alegria imarcescível o violonista Raphael Rabello tocar todo o disco Todos os Tons.

 

*****

Imagem: YOUTUBE: JOSÉ FREITAS / VIOLÃO BRASIL

Texto: DARLAN M CUNHA

folia

e tome PISTON....JPG

O Mercado Central nos 120 anos de BELO HORIZONTE (12 dez 2017)

***

 

     Já ouvi e já contei histórias inúmeras no Mercado Central de BH, o qual foi eleito pela população como sendo “A cara de BH”, concorrendo, por exemplo, com a internacional Pampuha, a Praça Sete, o imenso Parque das Mangabeiras, o Mineirão, etc.

    Mas vamos a outros pontos ou a outras paragens, opiniões, divergências, gargalhadas, choros, desejos reprimidos (tantos !). 

     Pelo menos uma vez por dia deixe a boca de lado, racional, porosa, previdente, e fale com o coração, pelo menos uma vez por dia chute os baldes e execre o que se acha são, batendo a porta na tua cara e nas caras do entorno. Ó, miséria pouca é bobagem, diz o povo, mas o povo não sabe de nada, só ri, ri até cair e ficar por aí, com dor nas costas, cefaleia, dívidas.

    Lembra: enquanto dormes, coisas acontecem, fendas se abrem, mas a felicidade luta.

***

Foto e texto: DARLAN M CUNHA

ARTE & DITOS POPULARES

AEROPORTO INTERNACIONAL TANCREDO NEVESAeroporto Internacional Tancredo Neves – CONFINS-BH

***

 

     Querer é poder, diz o ditado popular. Quero melhorar minha estrutura, mas vários fatores atuam contra tal premissa, tal vontade, sendo que o fator principal contrário a mim sou eu mesmo, além da família, da rua, do bairro, da suicidade, do país e do mundo, isto sem contar com o inexistente paraíso.

     Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, outro dito popular. Às vezes, sinto que sou água, água limpa, água salobra, água de aquífero, água de cenote (México), e por aí vai minha agonia (pra mim basta um dia, não mais que um dia, um meio dia…, diz uma antiga canção do Chico); porém, às vezes, sinto-me como uma pedra, aquela sem rumo, estagnada, servindo de pouso a lagartixas, cobras, aves, homens. Fico indeciso sobre qual partido tomar, ou se fico bissexual.

     Guarde o que comer, mas não guarde o que fazer, velho dito popular, carregado de suor de muitas gerações. Minhas avós eram mestras, e minha mãe, às vésperas dos 86, sempre me passa sabedoria e “pitos”, hehehe.

***

Texto e foto: DARLAN M CUNHA

 

 

Santa Bárbara, MG

Nossa casa. A janela era no quarto dos nossos pais.

Morei nesta maravilha bicentenária (100 km de BH), cidade histórica, onde nasceu um presidente da república, noutra casa muito bonita: Afonso Pena.

***

 

     O ano mal começou, e dois meses e meio já se foram. Ainda “ontem” – dia sete de janeiro -, ou seja, um dia após o dia de Reis, eu estava desarmando a árvore de natal da casa de minha mãe. A vida voa. E novamente me lembro da canção que diz: “o tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém”

***

Darlan M Cunha

 

 

 

 

cotidiano 4

DSC02045

***

 

     Rabiscar os rostos da aldeia, de sua santíssima trindade, pode parecer heresia – porém, como é que algo ou atitude pode se parecer com aquilo que já não existe ? Salvo engano, nada mais, em lugar nenhum do mundo vasto mundo é heresia. Degolar caules frescos é corriqueiro (imagino-me de joelhos, sem garganta com que validar quem a mãe cingiu de desvelos). Não, nada aqui escrito é para desfile de tropas. Tudo. Ir às ruas é abandonar o medo ou repintar de nervos as esquinas, tornando-as cordas esticadas como uma linha untada com cerol ? É a cabeça, irmão. Tudo é teu, credor de tudo, as ovelhas no cercado, dizem os textos sagrados. Enquanto esperas, reler o Decamerão, o Dicionário do Diabo.

     Rabiscar os pilares da santíssima trindade da aldeia – amor amor amor – não dá fim a ela, só o fogo nos pastos urbanos, o rural trespassado pelas queimaduras do cotidiano, ó, neves da caatinga e águas do Atacama, o ministro fará cair véus, assombros que o Nunca nunca imaginou, ó, a realidade trocará a tua pele tantas vezes quanto o fazem as cobras, e o grito que contivestes será enfim julgado apto por ele que porá de vez sobre os ombros teus a cátedra ministerial belzebuana. Tudo será teu que sou o teu credor invisível.

     As cidades invisíveis existem, de fato e de direito, mas até elas começam a cercar-se de todos os meios, cientes dos gases em ebulição, frases de efeito, palavras sem palavra, as suicidades e monstrópoles de carne e ossos serviram de noção às cidades invisíveis, mas foi em vão, que o invisível já está em debandada. Carona para onde, se não há onde, se nenhuma alusão vai até onde queres ir, se nenhum caminho tem força centrípeta forte o bastante para jogar-nos para fora do curtume ?

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar…

 

*****

Foto e texto: Darlan M Cunha

Música: Gonzaguinha. O que é, o que é ? – https://www.youtube.com/watch?v=2iMOXqKTh34

cotidiano 2

DSC02049

***

images

pre.univesp.br

 

 

 

 

***

       O verbo murar está na moda, muito embora sempre tenha deixado suas pegadas na história, como os fossos e as pontes levadiças dos castelos medievais, a suicidade de três risíveis donos, a muralha da China, a muralha de Trajano e muitas outras barreiras ainda mais antigas, bem como as fortalezas japonesas da era dos samurais, nas quais, mesmo se o inimigo conseguisse entrar, após ene peripécias, dificilmente sairiam vivos dos labirintos e seus truques contra invasores. No tempo do homem das cavernas, é de se pensar que os morcegos tenham sido treinados para cuidar do sono dos inquilinos do momento, abrindo seu sonar ainda primitivo, gritando feito malucos, caso alguma tribo tentasse invadir a toca de seus amos, e assim por diante (depois o som dos morcegos tornar-se-ia inaudível a nós). Sabemos que os muros sempre tiveram simpatizantes, por esta ou por aquela razão. Pensando nisso, cada qual constrói para si e, muitas vezes, contra si, verdadeiros baluartes, dos quais nunca mais escapam. Beco sem saída é coisa de gente, é um ovo muito antigo. Ah: os castores, entre outros prevenidos, constroem fortalezas ou barragens, modificando rios, pelo que não estamos sozinhos no afã de construir muralhas muros paredes grades cercas redes labirintos becos abismos e túneis de fuga. Muro, no melhor dicionário de um idioma inexistente, significa ilusão de segurança. Tanto é que todos os dias muitos veem cair o grande muro que os separa da demência total: o emprego. E agora, José ? Há muitas obras sobre tal assunto, mas essa crônica me basta. Entre les Murs. Border Walls. Murs, voyage le long des barricades. Os Muros que nos Dividem. The Wall. Wall Street. Father and Son... De uma forma ou de outra, todo conceito tem germe mural.

*****

Foto e texto: Darlan M Cunha

Duas imagens trazidas da INTERNET:  mundo geografia  //  pre.univesp.br

ação e reação

IMG_2269_Moment

cabo de guerra

*****

 

     Pelo que me lembro, os últimos cabos de guerra de que participei foi no Exército, no milênio passado (lexicógrafos e dicionaristas, enfim, os doutos no idioma fizeram tanta força, de lado a lado, que a grafia deste substantivo perdeu os hífens, foram para o chão), mas outros cabos de guerra e de falsas baianas existem e nos afligem todos os dias (falsa baiana é o tormento de se caminhar numa corda suspensa, e segurar-se noutra, acima da cabeça, entre as quais os infelizes andam, balançam e gemem e tremem, às vezes, caem no rio cuja boca sorridente espera pelos fracos e descuidados), mas esta é outra história.

     Nesse tipo de brincadeira o que não falta é o ar de pilhérias e gargalhadas sem fim, tombos e bundas doendo, às vezes, alguma aposta esdrúxula faz com que os dois lados se esforcem em dobro.

     Pensando nisso, está na hora de ir ao Grande Mercado, ao Enxame do Dia, à Lavoura do Incerto. Haja corda, haja pescoço… e pilhérias e gargalhadas. É como diz a canção, e a gente vai tomando, que também sem a cachaça, ninguém segura esse rojão.

 

*****

foto e texto: Darlan M Cunha

…3…2…1

Contagem regressiva 3

contagem regressiva // put your hands up

*****

       O povo sempre acha ou faz motivos para se mexer, e para se aquietar nesse tempo de isolamento, de individualismo sem paralelo, teleguiado cada vez mais. As pessoas estão apegadas de tal forma à tela, que não se dão conta de quem vai ao seu lado num ônibus, não sentem quem está à frente e atrás de si numa fila, não percebem a contagem regressiva que de fato interessa, a qual se aproxima do fim, em progressão geométrica. Com isso em mente, ouço a música começaria tudo outra vez, se preciso fosse…*

*****

foto e texto: Darlan M Cunha