história é areia

Foto: ORIENTE MÉDIO by MARIA JOSÉ e sua neta NANCY

GNÔMON

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LETRA A DE ALA ARRITMIA AMIZADE

LETRA B DE BILBOQUÊ BESTUNTO BIBA

LETRA C DE CÚRCUMA CIO COSTAL

LETRA D DE DESCENÇO DICOTOMIA DOTE

LETRA E DE ÊMULO EITO EMENTÁRIO

LETRA F DE FÉCULA FEIURA FODA

LETRA G DE GÁRGULA GEMA GAIA

LETRA H DE HORROR HERA HÍMEN

LETRA I DE ÍON INERME IMERSO

LETRA J DE JIA JACA JACU JOIA JURA

LETRA K DE [buscar no idioma feito mundial]

LETRA L DE LÂMINA LASTRO LÂNGUIDO

LETRA M DE MIASMA METÁSTASE MÃE

LETRA N DE NORTEAR NÓIA NECTARINA

LETRA O DE ONIPRESENTE OI ÓXIDO

LETRA P DE PUA PINOIA PANDEMÔNIO

LETRA Q DE QUERO-QUERO QUESTIÚNCULA QUILHA

LETRA R DE RAZIA REPTO RASCANTE

LETRA S DE SISTEMA SESTRO SANGA

LETRA T DE TUDO TODO TUTANO

LETRA U DE URINA URÂNIO URRO

LETRA V DE VENAL VALHACOUTO VIL

LETRA W DE [buscar no idioma padrão]

LETRA X DE XILINDRÓ XÔ XENOFOBIA

LETRA Y DE (consulte o idioma feito mundial]

LETRA Z DE ZÉFIRO ZARABATANA ZERO

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23 Brazilian Must-Reads or 23 Brazilian to read

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Raduan Nassar

Vicente Franz Cecim

Machado de Assis

Denise Emmer

Clarice Lispector

João Ubaldo Ribeiro

João Cabral de Mello Neto

Jorge Amado

Evaldo Cabral de Mello

João Guimarães Rosa

Carlos Drummond de Andrade

Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira

Luís da Câmara Cascudo

José Guilherme Merquior

Dra. Nise da Silveira

Darlan M Cunha

Moacyr Scliar

Manoel de Barros

Érico Veríssimo

Lygia Fagundes Telles

Ana Maria Miranda

Ferreira Gullar

Armindo Trevisan

e os cientistas alemães pesquisando o Brasil: von MARTIUS e von SPIX


Darlan M Cunha

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interrogante

Interrogação >>> [clique na foto e leia o texto por tras dela]

Encontrei essa interrogação num domingo de manhã quando ia zanzar no Parque das Mangabeiras, bem situado na base da famosa Serra do Curral del Rey [ao fundo] – o primeiro nome de Belo Horizonte. Uma alusão à serra está na música Clube da Esquina [nº 1]: ” E no Curral del Rey / janelas se abram ao negro do mundo lunar“. Pois é, aquele impacto inesperado foi grande demais, e fiz a foto, há uns dez anos. Ela continua florindo, rindo, enquanto posso me perguntar o que foi feito de mim, por mim, por tantos, tanto eu todo tudo tantas medidas, encontros e despedidas, mas a paleta sobre o cavalete não se esgotou, e agora mesmo o vermelho e o verde exigem que eu as misture, o que resultará na cor amarela. A noite não existe, nada de breu insistente se vê por aqui. Só de vez em quando, normal.

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DARLAN M CUNHA

florzinhas cotidianas

teima >>> [Clique na foto e leia o que há por trás dela]

Ainda não vencida em seu tempo de encantamento, a florzinha encara o novo dia, deve preparar-se porque abelha virá soprar-lhe novo pedido de pólen, e assim essa troca de favores, enquanto homens e mulheres passam com o seu habitual teor de testa franzida, as crianças com o riso, a escola é breve, e a florzinha sempre teme o pior que a uma flor se pode fazer. Ainda não vencida em seu tempo solar, a florzinha, aberta em leque, sorri e canta: “o automóvel corre, a lembrança morre / o suor escorre e molha a calçada… / quem tem mais pressa, que arranje um carro…

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Darlan M Cunha

Sidney Miller. Pois é, pra quê. Com o MPB-4: https://www.youtube.com/watch?v=wvtILq1qXdA

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Os pássaros tocam o fio em dois pontos, assim, não há diferença de potencial que faça surgir uma corrente elétrica
Foto: MUNDO EDUCAÇÃO

Um mistério intrigava os moleques, sentados na praça em frente ao casarão bicentenário, em Santa Bárbara, MG: Por que os passarinhos não tomam choque ? Ficávamos fulos da vida com aqueles folgados, ao mesmo tempo em que admirávamos tal qualidade ou especialidade ou fosse lá o que fosse que os imunizava dos choques que de quando em quando se leva nos banheiros, de fios desencapados, de modo que pode até haver óbito, conforme a descarga.

©DMC – arco-íris duplo

Meu amigo Vilmondes, sapateiro, baterista no conjunto Young Generation, anos depois trabalhando na Vale, mestre em “pequenas pesquisas”, fazia arco e flecha – esta era feita com taquara de bambu seco, e até mesmo com zarabatana de um guarda-chuva – um pedaço bem afiado, preso na ponta da taquara. Deitados na grama, quietos, em todos os fios havia andorinhas, e aí era só tentar trazê-las para as malhas daqueles precursores em cirurgia também em rãs, as quais eram amarradas pelas pernas, barriga para cima, a paciente dormindo no outro mundo, abria-se-lhe a barriga para uma autópsia cuidadosa, verdade, o mundo é cheio de curiosos, tantos cientistas loucos, muitos já demonstrando isso desde garoto, mas ninguém vê, sempre atados a outras ânsias cotidiárias, até que o bonde sai de vez dos trilhos. Veja, sem essa de asco ou de raiva contra esses malucos, você também escreveu muitas páginas tortas. Confesse, como Pablo Neruda fez no livro Confieso que he vivido. Ah, em tempo, quanto aos pássaros não levarem choque nos fios das ruas: os pássaros tocam o fio em dois pontos, assim, não há diferença de potencial que faça surgir uma corrente elétrica. (ME).

©DMC – sabão de cinzas

Infância, puberdade e juventude com quintais cheios de risos e até roubos de frutas e galinhas. Pegávamos pequenos pedaços de dormentes ao léu no terreno em torno da estação, então os embrulhávamos em muitos jornais bem dobrados, vendíamos os jornais na grande Casa Rocha, com os frutos férreos bem camuflados por tantos jornais bem dobrados, a balança era daquelas enormes para pesar mecadorias que iam de Belo Horizonte para SB, e assim era fácil para os dois infratores. Cheios de dinheiro, Darlan e Marcelo – hoje, emérito advogado, este meu dileto e muito engraçado amigo, éramos os donos do pedaço.

O mundo é um moinho ? Riso nele ! É cantoria ? Então, abramos o bico, como fazem os pássaros.

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DARLAN M CUNHA


rio e risos

Garotas no Rio Jequitinhonha, MG >>> [clique na foto]

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“Ensaboa, mulata, ensaboa, ensaboa / tô ensaboando” (CARTOLA)

Tocar e cantar canções do Angenor de Oliveira – Cartola – para mim é um prazer de primeira grandeza. Ele, praticamente analfabeto, suas letras são impecáveis, dignas de Machado de Assis, do Clube da Esquina, do Chico Buarque, do Elomar Figueira Mello, Guinga, João Cabral de Melo Neto, etc, tanto que quando ele faleceu, Carlos Drummond – que era farmacêutico – escreveu uma crônica dizendo algo mais ou menos assim sobre um trecho de uma canção, sim, disse que este é o verso que ele gostaria de ter escrito: queixo-me às rosas / mas que bobagem as rosas não falam / simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti. Outro som que nos faz viajar é o deste aí acima: som de rio fluindo, e de risos e mais risos seguindo-o até o mar.

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DARLAN M CUNHA
CARTOLA. As rosas não falam: https://www.youtube.com/watch?v=PpE-lAfqR1gJ

ulisses, zheng he, camões, vasco da gama, colombo, amyr klink, zé…

Ofício . BAHIA, BRASIL >>> (foto: DARLAN M CUNHA) >>> [clique na foto, clique em Comentário, e leia o poema por trás dela]

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Há idiomas nos quais a palavra mar é feminina – la mer -, mas acho que ele não acha tempo para especulações filosóficas, semânticas, etc. Nasci longe do mar, apesar de estar em lugar no qual ele morou há alguns milhões de anos, e é por isso que sinto o cheiro do sal, peixe ensopado com batatas e cenouras, vento na cara, silêncio, marulho, de ver o pessoal calafetar os barcos, ou seja, enfiar estopa bem untada nas fendas entre as tábuas das moradas marinhas, sustento e ímã irresistível. Sou Camões, sou Ulisses, sou Vasco da Gama, sou o grande general e navegador chinês Zheng He, ou seja, também sou marujo, sei de quadrantes, bússolas, naufrágios, mas estou perdido numa selva entre restos de silêncio e cacos de vidro – quase morto.

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DARLAN M CUNHA

Odoyá

“ODOYÁ”, de RAY VIANNA. Praia Vermelha, SALVADOR, BA. (Foto de DARLAN M CUNHA).

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Se o mar é a tua razão maior

ou segunda, entra nele então

e fica de alga peixe gaivota

traineira baiacu náufrago coral,

pois se te sabes do mar, larga

deste pouco onde subvives

à beira dele numa falésia

numa aldeia de pescadores

enquanto as falésias desabam

e as aldeias trucidam-se, sim

vá com urgência ao útero geral,

pois se o mar é mãe e música

que se abracem é de todo natural.

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DARLAN M CUNHA

DORIVAL CAYMMI. O Bem do Mar.:
https://www.youtube.com/watch?v=ckLQA94YAMY

tecer & retecer

falas risos réplicas risos tréplicas

O rumo da ostra confunde-se / com a fome da prosa / eis o som e a fúria / alguém está com sal ou com mel nos poros / mas o domingo deixará de existir ? / pudéramos saber de outras coisas / que não só comer e beber / ó, saibamos que pensar é o que vale / é a moeda de troca por essência / mas pensar dói.

DARLAN M CUNHA