natural

Musa paradisíaca

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Quando a gente se vê diante de um pé de qualquer fruta, carregado, a mão logo vai rumo às delícias, não há como escapar do chamado natural. Estas belezas aí, e várias outras de outras espécies e famílias e gêneros, estão no sítio de uma prima minha, aqui perto de BH. É uma luta criar coragem para voltar para a monstrópole.

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  • Darlan M Cunha: foto e texto

circular

Oriente Médio – Jordânia, Israel, Emirados…

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Duas vezes ao dia os pastores e seu sustento colinas acima e morros abaixo, que a vida é isso, simples de se levar, mas é engano, pois onde tem gente tem ebulição, caudal de venenos, é do homem saquear o homem, e aqui não vai nenhuma apologia, e sim constatação simples até para alguém pouco de juízo, de letras, de percepção maior, que é o caso deste incréu. Uma vez por dia vai-se para a turbulência necessária das hastes espinhosas, também conhecidas como ruas praças becos alamedas e avenidas, uma vez por dia o formigueiro acende seu facho no metrô, nas passarelas, viadutos, túneis, teleféricos, nos mil e um olhos vermelhos e nas rotatórias, filas e mais desenganos, enfim, é de se notar que nem todos sorriem quando voltam, se voltam.

Darlan M Cunha: foto e texto

normal

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@.1

Um ditado popular diz que a razão tem razões que a própria razão desconhece, foi isto o que ouvi ontem no mercado central de BH, uma voz indignada, sem querer compreender o incompreensível, essa voz se perguntar como é que um pai, em desalinho com a ex mulher, pode raptar e jogar suas duas crianças no mar, a alguns quilômetros da costa, a mil metros de profundidade, já encontradas pela tecnologia náutica da Espanha, uns quarenta dias após o rapto – uma de seis e a outra de um ano. Vi, na TVE-Espanha, vídeos das duas brincando na cama, leveza suprema. Espanha sob choque, e o Mundo também. somos mesmo maiores do que o Absurdo. A vacina anti empatia é fortíssima, anula completamente as pessoas que se tornam indiferentes, alheias e até mesmo imunes a venenos diários, são mitridatizadas – denominação que é uma analogia com a vida do incrível Rei do Ponto, na Anatólia, Mitrídates VI (132 A.c – 63 A.c). Uns dizem surto, mas o que a Psicanálise, a Psiquiatria, os mil e um conceitos das Igrejas, a Moral e a Ética, a Pauta da Justiça, da Lei, os Conselhos Tutelares, etc, têm a nos dizer, nos ensinar, a nos prevenir quanto a tantos trilhos fora dos trilhos, tantas paredes sem prumo no seio das sociedades de todos os lugares, uns mais, outros menos ?

@.2

É assim que se vive quando o coração é frio.
Como eu: em sombras, rastejando sobre rochas frias,
sob os grandes bordos.

O sol mal me toca.

(Versos iniciais do poema Lamium, da estadunidense Louise Glück, Prêmio Nobel de Literatura 2020)

@.3

Vontade de sair para pescar, mas parece que peixes já não há, cada vez é preciso ir mais longe para se conseguir umas piabinhas e uns bagres ou, com mais sorte, umas traíras, tilápias, cascudos. Os peixes reuniram-se numa grande convenção, e afinaram suas defesas, como diz a música Passaredo, do Chico Buarque: muito cuidado / que o Homem vem aí. Tá danado.

Darlan M Cunha: arte e texto

simplesmente

Ah… de ACARAJÉ (PRAIA DO FORTE, MATA DE SÃO JOÃO – BAHIA)

Há muito não vais ao mar / sentes que algo te chama, / és das montanhas, e o grande azul te invoca, / batendo com suas pedras de sal na tua cabeça, / esfregando as moedas da ânsia em tuas pernas e braços / sentes que deves ir a outros tipos de ondas.

PROJETO TAMAR – PARIA DO FORTE, BAHIA

Teu mar atual é o de nadar / em noitícias ? Há muito tempo és noctívago / teu bar é a saleta de memórias, cinzas, / alguma tela torta na parede / o sofá é o teu oceano, claro / é preciso ir a algum lugar / trabalhar cansa, lavorare stanca – diz uma turista, / deves partir, amanhã.

RAY VIANNA. Escultura “ODOYÁ”. PRAIA de SANTANA. RIO VERMELHO, SALVADOR, BAHIA. (Mesmo desatento que estava no momento, de repente, pressenti, e fiz a foto).

Disseram para não colocar nenhuma palavra na boca da ficção, estupefato, amargou no aparelho digestivo certas lições que diluem o raciocínio que porventura ainda se tenha, e foi devido a isso que a estupefação, o desânimo e por último o desespero subiram no seu costado, esporas e chicote, tinham avisado para não se endividar com a clareza, não fazer nenhuma frase na terra da ficção, em vão, que ser humano é ser ficção, delírio e delíquio, relíquias malditas e benditas, poço fundo e areal viscoso é o humano, erros e seus ecos, o riso na boca de cada poro, desgraças mil graças, foi dito para cortar a língua da palavra, fechar o caminho a cada palavra que ouse ser lavra, palavra, notícia, nuvem, pó… em vão, pois ser Ser Humano é plantar verde para colher maduro. Uai, Ó Xente, Barbaridade Chê !

Darlan M Cunha

CHICO BUARQUE / ROBERTO MENESCAL. BYE BYE BRASIL: https://www.youtube.com/watch?v=5oYLRRo8sTY

FRANK SINATRA. MY WAY. : https://www.youtube.com/watch?v=LQzFT71LCuc

pó / dust

Belvedere – BELO HORIZONTE

SEM NENHUM AMÉM, NENHUMA CONTEMPLAÇÃO

E o Homem criou a Sombra que cobriu tudo, e se descobriu Senhor de Anéis sem valor prático algum, e se tornou blasfemo, bunda e peitos de fora, a cabeça tão vazia quanto uma cabaça rolando num areal, nalgum ermo do mundo, sim, è vero, o Homem inventou a Sombra, e o planeta ficou de joelhos ainda mais quando Ele deu de inventar a maior das Sombras: a Religião, ou seja, Catarse de nada ou de décima categoria abaixo do Nada, assim é o Sapiens, uma coisica hoje ajoelhada, submissa diante do Supremo Senhor da Vida e de sua Antítese – Corona.

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WITH NO AMEN, NO CONTEMPLATION

And Man created the Shadow that covered everything, and discovered himself to be Lord of the Rings without any practical value, and became a blasphemer, butt and breasts hanging out, his head as empty as a gourd rolling on a sandy beach somewhere in the middle of the world, yes, it is true, Man invented the Shadow, and the planet was even more on its knees when he invented the greatest Shadow of all: Religion, that is, Catharsis of nothing or tenth category below Nothingness, so is Sapiens, a thing today kneeling, submissive before the Supreme Lord of Life and his Antithesis – Corona.

Darlan M Cunha

A Lei da Princesa Isabel não passou por aqui… ainda não, parece que não.

Pois é…

@1. Apanágios diversos (Não te percas de todo, não me culpes de nada, só de tudo).DMC

Lembra: Todo dia “ele” faz tudo sempre igual (quase todo dia, sem exageros), lembra que todo dia é dia de viver, você deve rezar pela xepa da feira e dizer que tudo tem melhorado, você merece, Marina, serena Carina, você se pintou, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Pois é… pra que ?, eu não sei se vou te amar, amar no tempo do cólera ou da cólera, mas, pra não dizer que não falei de flores, ou cicatrizes, lembra que amigo é pra essas coisas, e que viajar é mais, encontrar a rosa e o espinho, lembra que o mundo é um moinho, Hay Gobierno? Soy contra?, repita: amigo é coisa pra se guardar, o deserto é logo ali o encontro marcado, a casa do atrapalhado Geraldo Viramundo, a conta chegou, e outra, o mundo é um moinho, aí estás sentado à beira do caminho, águas de março ou sol de primavera, Imagine, the fool on the hill, o sol não pode viver perto da lua, canto lunar, vou-me embora pra Pasárgada, lá eu sou amigo do rei, melhor dizer (e cumprir): vou-me embora para dentro de mim.

Jacas

@2. Clareira na noite / deserta procissão / nas portas da Arquidiocese (Fernando Brant & Tavinho Moura)*

Finja que estás na roça, que uma jaqueira convida, mangueiras cheirosas convidam, vacas aqui e ali, bois no bem bom do pasto, céu e estrume, biscoito frito, calma, nada de endoidar antes da hora, que ainda tem o bom suplício de se montar num cavalo, cachoeira é logo ali, convida, celular no lixo, per favore, finja que estás na mataria, no matagal, és de fato animal, o sossego ainda existe, mas só no imaginário, pensar cansa, viver dói, mói, mas, fazer o quê, senão viver ?, ponha o bornal e vá catar flores e gabirobas, volte logo para o almoço de pele de porco estalando, angu, couve rasgada nas mãos, frango ensopado nos caldeirões, batata doce, linguiça, cará com mel de abelha, banana da terra assada na chapa, banana dedo de moça, uma cachacinha para se lamber os beiços e leitoa assada, ora pro nobis, viola, todo mundo descalço, pés no chão batido, licor de jaboticada, Ê Minas, não é hora de partir, não, Calma, ninguém está te mandando embora, ora essa, essa aqui é uma terra hospitaleira, mas, lembra: todo mineiro é conspirador, por favor, mais umas lascas desta perdição de leitoa assada com maçã na boca, sim, estás de fato na roça, olhai os delírios do campo.

Darlan M Cunha

TAVINHO MOURA & FERNANDO BRANT: Beco do Mota: https://www.youtube.com/watch?v=b1WmqPQkwHc