05:09 h

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05:09h

     Eram cinco e nove, fui à janela levando uma caneca com café, o silêncio precioso na madrugada de domingo, mal cri ao ver isso aí – este cavalo num sonolento e decerto mui apetitoso café da manhã, pelas chuvas das últimas semanas a comida está bem fresca e olorosa. Cumpri minha obrigação, fiz a foto. O café nem esfriou.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

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costelas da terra

Prontas para a fogueira ou para uma lareira de gigantes.

costelas da terra

 

Porás na terra tua vazão para os frutos

para o que houver de mais e de menos

mas algum dia a chuva te abandonará

e o deserto lentamente tomará conta

das tuas unhas e dos teus ovos e óvulos

e sem o teu pranto e o de tuas ovelhas

os nabos e as cebolas ficarão ao vento

então alguém se lembrará que Deus existe

nas sombras, mas isso já não importará

e nem o mel da tua colmeia fará sentido.

 

Foto e poema: Darlan M Cunha

aluá

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Aluá ou refresco de casca de abacaxi

 

     “Nada se perde, tudo se transforma”, é verdade, mas poucos e poucas sabem disso. No que diz respeito a este refresco ímpar, de gosto espetacular, eu o conheço já faz bastante tempo, muito antes da internet. Como se sabe, esta é a Era do Desperdício, do que logo logo todos se arrependerão, porque todos tornaram-se especialistas em comer as ene variedades de plásticos e as espantosas variantes da borracha, enfim, o sintético pode e entra nas mais remotas sintaxes. Nada de novo na retaguarda, e nem no front.

     É claro que não se vai jogar a polpa fora, e sim cortá-la em rodelas, e mandar brasa num dos frutos mais suculentos dos trópicos, diurético reconhecido,  e assim é que o filho do abacaxi é feito ao se cozinhar a casca, e aí depende do tamanho do fruto: um litro e meio de água, e um pouco de açúcar, talvez um pau de canela, mas pouco, para não estragar esta iguaria, ou deixe para colocar açúcar após o refresco já ter sido coado, e esfriar. Leve-o para a geladeira e deixe-o por lá durante uma hora ou duas, e então é só agradecer a deus ou ao diabo – mas é melhor agradecer ao Ananas comosus.

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Foto, texto e aluá: Darlan M Cunha

obras & eleições

CUPINZEIROS invadindo a TERRA, ALIENÍGENAS.

ATENÇÃO: Obras de alienígenas, invasores da Terra, ou moradias de nativos ?

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Candidato A                                                     Candidato B               

 

@1

    Ontem, a poucos dias das urnas medirem forças, deste ato ser fatiado, ingerido e quiçá diluído (sintomas no ar), fui ao mercado ouvir verborragia eivada de loas e críticas ferozes, indo às vezes às vias de fato, porque urnas têm o poder de agravar agravos escondidos nos travesseiros, nas pílulas, nas gavetas, no palato, na ânsia dos sapatos.

     Se uns dizem algo em prol da candidatura tal, outros refutam-na com mil estatísticas, razões e desrazões, sarcasmos e injúrias, pois as memórias dos combatentes avivam-se, e alguém se lembra de algo da vida do candidato, ali num balcão da feira, entre petiscos & tragos, gente no sal do dia, slogans de cunho claramente evangélico, deus entrando na jogada, muitos se calam pois não há o que dialogar com quem morto está – segundo um conceito, Deus morreu já faz tempo.

     Folhetos com o número e a foto dos candidatos sorrindo para a chuva e quiçá para o sol “entopem o meio-fio”, como diz a canção Clube da Esquina nº 2, do LÔ, do MILTON e do MÁRCIO, mas referindo-se a outro contexto essa frase desta canção ímpar – que fique bem claro.

MÁRCIA canta MORDAÇA (canção censurada à época) com os autores EDUARDO GUDIN  e PAULO CÉSAR PINHEIRO: https://www.youtube.com/watch?v=WCDdEUaFPK0

 

@2 

Se amar é passado, desgaste inútil, que caminho tomar

para dele fugir de vez ou com ele noutras águas reentrar ?

 

Amar é verbo intransitivo, como escreveu um bárbaro, transitivo

ou tornou-se adjetivo ejetável por bocas amargas ?

Ele já não transita nesta esquina sobre a qual me debruço

preso ao riso, mas muitas outras vezes mais ao soluço.

 

Amar é circo que chega com animais estranhos e vestuário

peculiar, narizes rubros, mentes com música e trapézios

perigos que um dia nos levam para outro lugar

talvez para o Nunca o mesmo amor que por ali entrou.

“Tudo o que mais nos uniu, separou / o importante é que a nossa emoção sobreviva.” *

 

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Foto, crônica e poema: Darlan M Cunha

BETO GUEDES: O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre: https://www.youtube.com/watch?v=POgMvToR4-s

jaca

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Área do Hospital EDUARDO DE MENEZES – Belo Horizonte, MG

 

@1

     Num MANUAL DA TOSSE está: – Sê discreto ao tossir, dado que mil e um rastros não detectáveis a olho nu espalham-se a cada acesso, caindo onde não devem.

     Num PEQUENO MANUAL INTERNACIONAL DE BOAS MANEIRAS: – Sê ruidoso ao arrotar, se convidado a certas mesas orientais, pois é sinônimo de que a refeição foi boa, merece louvor. Como se vê, vive-se entre o fogo e a espada, a escada e a queda, insciente de quase tudo, há quem abra as mãos para que alguém lhe leia o amanhã, ou através de búzios, carteado ou pela borra de café no fundo da xícara. Há tanto jeito de se ler o que não existe.

     Noutro manual, consta que em certo país ou países é inaceitável que se passe a mão na cabeça de uma criança, pois isso pode ser tido, e é, como uma espécie de maldição quanto ao futuro dela (e do teu). Viajar, pois, com redobrada atenção ao MANUAL DO SIGNIFICADO E DO USO DOS GESTOS QUANDO EM TERRAS ESTRANGEIRAS.

@2

     Jacas não são muito consumidas, o povo em geral não lhe dá “o afeto que se encerra nesse peito juvenil”, diz o hino, mas é saborosa e nutritiva essa fruta cujo nome científico é Artocarpus heterophyllus. Talvez sua rejeição seja pelo seu forte odor, mas não só por isso, e assim também é com o pequi, cheio de vitamina A, entre outras necessidades. Ao natural, ou feita doce, ela sabe de si. Suas bagas brancas e babentas deslumbram.

 

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Foto e texto: Darlan M Cunha

raízes ramos talos galhos brotos espinhos folhas flores frutos musgo e silêncio, enfim, o espanto

existe

Parque Municipal JACQUES COUSTEAU. Bairro BETÂNIA, Belo Horizonte.

 

     Sempre fora do padrão, uma vizinha disse ter algo em torno de 23.725 dias, mas que ainda não construiu o mundo pretendido, está pela hora, sabe que há pedras demais no caminho, instrumentos sem cordas, couro ou pedal, ou faltando tecla feito um dente da frente, ó, fechar o verão em grande estilo não significa esquecer outras belezas que lutam para fixar raízes, e tomarem conta do horizonte, e aí outros serão os dias, outras serão as noites, e que as velhas dores nas costas não voltem, que não se consagrem em nós a ira e o desânimo, que não vivam às nossas custas os mortos que não jogaram limpo, enfim, que se alarguem as margens do Rio Amanhã e o leque do Jardim Agora, a tolerância em xeque, um leque de flores de cactos, um reboco na parede, gargalhada de criança, fio de azeite sobre a salada.

 

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Foto e texto: Darlan M Cunha

GOOGLE 20 YEARS // Dia Mundial do Turismo – World Tourism Day

lygiapape

Teia – LYGIA PAPE (1927-2004, RJ)

 

@1

        Neste dia dedicado à indústria limpa, lembro-me que ela cresce cada vez mais, e que um país como o Brasil tem um fluxo turístico simplesmente irrisório, face ao tamanho, às diversidades geológicas, fusos horários, realidades como a amazônia, o pantanal, a foz do iguaçú, o pampa, a caatinga, enfim, o agreste, além dos famosos e inigualáveis lençóis maranhenses, e ainda a História do nascimento do Brasil na Bahia, e um estado inteiro, poderoso, que é uma mina gigantesca, do tamanho da Espanha ou da França, de nome Minas Gerais. Para se ter turismo, é preciso ter infraestrutura: estradas, hotéis com todas as gradações de estrelas, tecnologia nos lugares mais remotos, gente bilíngue e trilíngue, enfim, uma série de condições. Lembremo-nos que dos dez maiores rios do planeta quatro estão no Brasil. A Espanha tem 12% de sua renda devido ao turismo, embora cada vez com mais problemas, pois uma parte do turismo tornou-se o que o povo espanhol chama de turismo de borrachera, ou seja, vândalos, bêbados e drogados princi-palmente da Inglaterra, França, Holanda, etc, que promovem verdadeiros pandemônios, seminuas, seminus ou nus e nuas pelas praias e ruas, quebra-quebra, deixando parte da população indignada, porque nos meses de verão ninguém dorme em lugar nenhum. É o outro lado das moedas, o lado escuro da rua, the dark side of the streets. Muitos bares, pensões legais e ilegais, trêileres, campings, restaurantes, spas, hotéis, motéis, boates e similares neste redemoinho. As vítimas – os moradores [prefeitura] – infartados, petições enviadas ao “ayuntamento” e à Policia, ao bispo, a deputadas e deputados . Os passadores de ervas, pós, comprimidos e picadas agradecem. É o outro lado que a gente vê todos os dias, com ou sem turistas. Impasse ?

@2.

         Há vinte anos, dois garotos abriram uma caixa mágica, sem fazerem ideia disso. São chamados de Google Guys, LARRY PAGE e SERGEY BRIN.  AQUI, a casa onde o GOOGLE nasceu: https://www.techtudo.com.br/noticias/2018/09/google-faz-20-anos-e-mostra-como-era-a-casa-onde-tudo-comecou.ghtml                                                                                                                                                                Thanks, Guys.

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Texto: Darlan M Cunha

o peso do nada, a leveza de muitos

barra do rio Jacuípe. Camaçari, BA - 2

Barra do rio Jacuípe, em Camaçari. Bahia, BRASIL. (Sempre grato à Tânia, Sandra e Ovídio, que me levaram para conhecer).

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     O olhar fixo na água, o mar também vive sozinho, uno, não tem sósia, é órfão, parece queixar-se quando sai de si e se alonga sobre aldeias, seus gritos ele não os dissimula, podem ser ouvidos nos sonhos. O mar é um saber, uma escultura todo ouvidos, avisa e não avisa, dependente de outros personagens – ventos e maremotos –, muita surpresa pode haver entre a baixamar e a preamar, vaivém infinito jogando com as lembranças de quem percebe o mar e para além-lá do mar.

     Há quem só se dê com o evasivo, seus ímãs são o bar, as nuvens, palavras e mutismos, sendo que ao lado um homem suspira, uma mulher convoca, a vida conspira.

    Eis o Amazonas – rio-mar com mil e cem afluentes, poderio sem medidas, ele te dá em que pensar. Pensar, para muitos, é impensável, confunde, dói.

     Eis o fio metade água e metade seca, metade presença e metade ausência flutuando dentro de mim e de ti, um fio metade breu e metade luz indo conosco.

 

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Foto e texto: Darlan M Cunha

luadeluar hoje é noite de sombra… ação, pois !

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TRAVESSIA – Milton e Brant (Fiz essa foto em 2006, Praça da Liberdade, BH)

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     Hoje é o dia do eclipse mais longo do século 21. Curioso quanto a isso, não sei bem o que farei, talvez suba no telhado, e fique por lá esticado como uma lagartixa ao sol, ao luar ou à falta de luar, ou me transforme num gato com direito a sete vidas e mil e uma artimanhas próprias dos gatunos, segredos serão revelados e cabeças irão rolar, e talvez até se veja o que o Pink Floyd pensa ter visto, ou seja, the dark side of the moon.

    Numa situação incomum como a que acontecerá em algumas horas, é comum que as pessoas fiquem entusiasmadas ou alarmadas, não há meio termo, crentes ou descrentes, satíricas ou carrancudas, todas as pessoas sentirão o passar do astro, e os bêbados irão se fartar, ou porque vivem nas ruas, ou porque são poetas por natureza. Vão faltar verbos e adjetivos para tamanho eclipse. Mamma mia!

     São 5 da matina, supersticioso, tenho tanto medo do escuro como uma criança que foi sistemáticamente assustada e escorraçada, sofro ene pavores e suores, mas, pensando bem, ao diabo com sonatas ao luar, vou é botar meu bloco no topo da colina, e uma vez mais, com os Beatles, cantar day after day, the fool on the hill, ou the lunatic is on the grass, do Pink Floyd, ou cantar, com o Milton, a lua girou girou, traçou no céu um compasso, a lua girou girou, ó, pensando bem, hoje não é dia de cantar, dia nenhum é dia de cantar, foi declarado que estamos abolidos deste fardo. Mas o que será da terra e da lua e do sol, de deus e do diabo, se ninguém cantar feito galo, canário, gato, cão, uirapuru, hiena e veado, sortudo e azarado ? Revogada então está a proibição de cantorias nas terras do sem-fim, na terra do benvirá, nas carrancas do rio gavião, no grande sertão cheio de morte e vida severina, no Curral del Rey (nome primeiro de Belo Horizonte, 1897).

Vamos pra lua, lunáticas & lunáticos ! Vamos pra Pasárgada, lá seremos amigo/as do Rei.

 

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Foto e texto: Darlan M Cunha

Vídeo-tour da NASA (09 julho 2018): https://www.tecmundo.com.br/ciencia/129113-nasa-divulga-video-tour-lua-4k-assista.htm

MOCHILEIRO

Tio DARLAN Motoqueiro

viejos tiempos  //  old times  //  alte Zeiten  

para TODAS e TODOS  //  para Divagações & Pensamentos  //  para Chronosfer2  //  para Cristileine Leão  //  para HangFerrero

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     Eu não fazia ideia que aqui em casa ainda existia baú – pois é, encontrei um ao abrir uma parede para fazer passagem para outro cômodo, e na qual penduraria uma cortina de sisal. Não, nada de cortina.

     Dentro da relíquia encontrei relíquias, ri, chorei, babei, bati cabeça nas paredes e botei a mão no fogo para sentir que não estava delirando, o baú é verídico, do século vinte ou talvez da época de Pedro II – já não me lembro, mas as fotos que lá estão dizem muito, e também as bandanas, correntes para o pescoço, pulseiras, decalques, cartas, uma carteira de couro de jacaré (em muito bom estado, mas o jacaré morreu), óculos de sol, um cubo de Kubik, uma garrafinha de bolso, uma camisa do Santos F. C.  e uma do Villa Nova Atlético Clube (Nova Lima, meia hora de BH), cartões postais, cartões de apresentação profissional (ora, queria eu saber de serviço ? não, mas os guardei em respeito ao Outro), anel de prata do Peru, cordas para charango, lágrimas bem guardadas num vidrinho, sim, lágrimas de uma bela adormecida, ou foi da própria Xerazade ? Não me lembro, embora me lembre, mas vamos em frente, aos chaveiros de vários lugares, UAI, Ó XENTE, BARBARIDADE CHÊ, o Brasil é grande, o mundo também, revirei uma parte da minha vida e, darlanianamente, sacudi a poeira, deitei-me na esteira, bela bebedeira para me lembrar com calma de gentes e assombrações, estradas, vilas, aldeias, cidades, rios, mares, cheiro de estrume, a barraca, escalavrões, gente má humorada, gente bem humorada, eis que na Argentina tem uma estátua dedicada à mulher grávida (acho que em Córdoba), ó vida, cadê o violão e a estação de trem, cadê a rodoviária, irei a pé, como fiz mais de uma vez, comendo banana debaixo de um sol mais caliente do que a casa do Demo, feliz da vida, bebendo garapa, topando com goiabeiras e mangueiras no meio das estradas poeirentas, sanduíches dormidos, pastéis de anteontem e de trasanteontem, cheios de vento, nada de SIDA//AIDS, bons tempos de bandeira e saúde na mochila, crianças seguindo a gente, curiosas por aqueles malucos mais sujos do que um gambá, felizes…

 

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Foto: Nem Sei Mais     >>>>>     Texto DARLAN M CUNHA