kafka

Visão turva da Showciedade

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  1. Darlan M Cunha: foto e texto

regime ?

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saber onde se está, e de onde se é, eis a questão simples, mas quase ninguém chega lá, não entra total no próprio enredo, no próprio entorno, desconhecendo assim suas formigas, as folhas no chão, os troncos no fundo do quintal, ah, essa pinga é boa, que belo vestido, biscoitos que tu sempre comeste em família, mas quase nada sabe deles. Tome juízo, não faça como eu que vivo cego surdo mudo sem miolos.

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Esse bacalhau me fez lembrar o que me contaram há muito tempo: um vereador aqui de BH, de nome Thibau – acho que já falecido, há tantos anos nunca mais ouvi falar dele -, segundo o que ouvi, pretendia entrar com um projeto o qual visava trazer água do mar para Belo Horizonte, linda, moderna, poderosa, através de um canal a ser aberto a partir do mar no Espírito Santo ou no Rio de Janeiro. Pois é, esse bacalhau me levou ao mar, naturalmente, e então me lembrei do digno vereador, e desta história que, parece-me, é estória.

Darlan M Cunha: fotos e texto

Mãe, teus pés são o meu rumo

MÃE

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CARTA À MÃE nº 169

Dona MARIA,

a Senhora está dormindo, cá estou eu bebendo sins e nãos, bebendo café, rindo de mim e mais ainda do mundo, este idiota com e contra o qual se tem de lidar 25 horas por dia, mas deus – em quem não posso crer, porque sou o diabo em pessoa -, mas “deus proverá”, como a Senhora sempre diz, com essa bondade e esta alegria e esta energia aos 89 anos, que nem o poderoso chefão do céu tem, a Senhora com estes ene predicados que encantam a todos, e a quem a molecada não larga por nada.

Mãe, meu sossego, meu passatempo único (o qual muito me basta)

não se preocupe, porque a máquina de lavar roupas, que a rapaziada levou para uma troca de borracha e acho que de engrenagem, no dia de ontem, estará pronta e será entregue amanhã – sem falta, pois dei uma dura, de leve, caramba, R$490,00 o conserto, Mamma Mia ! Tive de pedir emprestado no boteco do Fuinha, pedi também para as minhas duas namoradas (até quando ? se descobrirem, estarei frito, terei de me mudar de barraco e de aldeia), um pouco também dos empréstimos veio do padre Abílio, e outro tanto veio do Gerardo Doido, bom rapaz. Mãe é Mãe.

Mãe, meu cordão de diamantes variados, minha catapulta para a felicidade

Ah, outra coisa: o dia de ontem foi de amargar, e olha que eu sempre tenho a segunda-feira como sendo, disparado, o melhor dia da semana, por ser o dia em que a galera ou o povão vai ralar, depois da macarronada e do frango e do fútilbol e do namoro dominicais, pois não há Plano B. Escute essas: A operadora de tv e/ou o banco aprontaram uma para cima de mim, que estava atrasado uns doze dias no plano de televisão de fibra ótica, sem saber, porque sempre foi débito automático, e este seu anjinho sem saber DE NADA, em tempo da Lei bater as botas sujas aqui na porta do humilde mas asseado barraco, e ainda mais nesses tempos de patologia letal, que colocou o mundo inteiro de joelhos, quando todos e todas se achavam, sim, os bonitões e gostosonas e poderosos e não se mais o quê. Menos uns poucos como eu e a Senhora, e muitas outras pessoas de bom tino. Eu tive de ir ao banco, com mil papéis e pedidos humildes, mas tive de resolver a parada. Além disso, fui procurar o rapaz para ir na casa da Senhora para ele trocar uma chave da porta da sala, a qual simplesmente resolvera quebrar-se e deixar um cotoco lá dentro, e como a Senhora tinha uma de reserva, nem foi preciso fazer outra, e não ficou nem dez minutos, mas lá se foram R$ 40,00 pilas, pilas, como se diz lá no Rio Grande do Sul, ou caraminguás, como se costuma dizer lá pras bandas do Nordeste, etc. Penso em me mudar para os anéis de Saturno, mas só se a Senhora também for comigo, pois os preços estão nas nuvens, mas Saturno fica muito acima delas. Mãe é Mãe.

Mãinha, colibri da minha existência

Não há de ser nada, não sou reclamão, a não ser quando é preciso, e isso é todo dia. Hoje, prepararei para a Senhora um delicioso chá de hortelã com legítimo mel de abelhas de Santa Bárbara, MG, onde moramos já faz um século (o tempo não espera). Sei que a Senhora está embalada em desenhar e bordar tecidos, linduras assim tão lindas quanto o arco-íris, e sei que a Senhora está um tanto triste com a volta da neta Fá com o marido e o casal de filhinhos, depois de umas semanas no Brasil, voltaram para os EUA, com muitos presentes da Vovó. Almoçaremos boa macarronada, ou chuchu com ovos, ou cará com carne moída, ou então o trio do qual a Senhora gosta: quiabo com moranga e carne de panela. Eu vou preparar, não quero ver a minha Mãe no lufa-lufa e eu bebendo café e cerveja. Toma juízo, zebedeu filisteu.

MÃE MARIA, minha brisa matinal, meu doce de batata doce com coco ralado e canela em pau

vou me despedir, sim, este seu filho meio lerdo e desmiolado, quase analfabeto, mas decerto um bom garoto já vai se despedir. Mãe é Mãe.

Dona MARIA JOSÉ, prontinha para a Abertura dos JOGOS OLÍMPICOS de TÓQUIO, entusiasmada como sempre, serelepe aos 89 anos.

DARLAN

Brasiliana

ou Brasiliense – dia a dia

Chove pouco em Brasília, mas o lago Paranoá salva aquela suicidade única, o lago também foi projetado, ou a bela monstrópole não existiria. O ar é seco de tal forma que em determinada época do ano [agora], as pessoas são afeitas aos seus instrumentos musicais, em especial o piano, que colocam recipientes cheios de água em vários cantos da casa ou do apartamento, para minimizar os efeitos da sequidão, e poupar a madeira dos instrumentos, porque a evaporação ajuda instrumentos e moradores. É verdade, é real.

Por falar naquela aldeia nacional e internacional, mãe querida dos brasileiros e brasileiras – bom, isso é quanto ao que diz respeito à história maravilhosa de sua construção, porque depois as nuvens negras começaram a chegar e ficar, ou chegar e partir, com algum pedaço ou naco ou migas do bolo. Lembrei-me da bela música do Toninho Horta: Céu de Brasília, e também do mesmo querido autor a canção Beijo Partido.

Como não poderia deixar de ser, a palavra “pasta” é muito pronunciada em Brasília, bem mais do que a palavra Mãe, é, eu sei do que falo, às vezes, mas, de Brasília sou mais do que mentecapto, sou EXPERT, aliás, como todo mundo deste rio de risos e abraços que é o país do qual o dramaturgo Dias Gomes disse: “O Brasil é um país que desmoraliza o Absurdo.” Uma beleza, na mosca. Por falar em absurdo, meu vizinho Aprígio Nonato Villa-Real, disse que já comprou a caneta com a qual medirá forças com os papéis que lhe derem quando da implantação do NOVO//VELHO método de se ir à urna, e ficar matutando diante do grande estigma, do grande enigma, esgrimando diante destoutra herança bolsonarista, bolsonarina, bolsoruego, bolsopata, bolsorepto, bolsotático, bolsoraro. Irei, com fervor de patriota, votar numa gloriosa invenção brasileira que é a URNA ELETRÔNICA. E fim de papo.

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Darlan M Cunha: foto e texto

repouso

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Eis a cama cotidiária, o rosto da sobrevivência, parte da anatomia do Sistema, solvente, soluto e solução digna, Ecce homo // Eis o Homem na sua masmorra, o carnaval sadio de todo santo dia, de todo dia pagão, via de volta, lépido ou febril, eis o leite das crianças, a história da beleza & outras estórias, é com essa que eu vou andar até cair no chão, é com essa que eu vou desabafar com a minha mão, sim, parodiando a bela canção, eis o inigualável senso de humor do povo brasileiro, qualidade que eu tenho na mais alta estima, pois é de fato nossa marca registrada e intransferível, eis o pão à mesa, dez entre dez brasileiros preferem feijão, é o que nos diz outra canção.

Eis a cama, sua madeira, seus ferros e o elástico de suas rodas sobre as quais as viagens cotidiávidas são feitas, eis os dentes cariados, a cabeça em dia com o fósforo apto a incêndio, se necessário for. O amor é lindo, o Povo diz.

Consta que nos tempos antigos, antigos assim de nem precisar voltarmos à Idade Média, ao Renascimento, ao tempo Barroco, ou durante a Grande Peste que arrasou Londres e a Europa,1665/66, Peste Bubônica, os mortos eram carregados aos milhares nas mesmas carroças das feiras, chiqueiros, construções. Pouco tem mudado, parece, muito embora a bela e necessária Techno. Eis O COMA PLANETÁRIO nas ruas.

Não, nada de desrespeito, aqui não, violão. Vamos que vamos. Eis a carroça CACILDINHA levando sempre sacas de verduras e legumes, sacos de cimento ou de areia, tijolos, ferros, aparelhos elétricos já vencidos em seu tempo de serviço, e no quintal está o burrinho ARGÍLIO II, bem deitado debaixo da mangueira, está de folga, mastigou seu capim e sua ração, está arraçoado, e agora está filosofando, arguto e satírico que ele é, damo-nos muito bem, melhor do que muito casal, embora o amor seja lindo… hehe, rir é humano, mas é das hienas também.

Nesse tipo de trabalho a pessoa não pode nem pensar em gripe, sim, uma humilde gripe com cefaleia, dores musculares, da apatia, perda de apetite e até de sono, e não uma pneumonia, uma febre terçã ou quartã, ou uma tuberculose, não, isso porque é Você de um lado (para a sua família), e deus e o diabo do outro lado, ambos contra Você – mais Aquele do que Este -, é algo assim como no belo jogo de tênis: o Diabo de um lado, e Satanás do outro.

Darlan M Cunha: foto e texto

humano: road / camino

UMA LONGA E SINUOSA ESTRADA DE ENCONTROS & DESENCONTROS: Homo sapiens sapiens // A LONG AND WINDING ROAD OF MEETINGS AND MISSED MEETINGS: Homo sapiens sapiens

Para TODOS E PARA NINGUÉM // FOR EVERYONE AND FOR ONE // FÜR ALLE UND FÜR KEINEN (Zarathustra), FRIEDRICH W. NIETZSCHE

Para SEBASTIAN ITURRALDE: https://relatocorto.com

Para CRISTILEINE LEÃO: https://depressaocompoesia.com

Para HANG FERRERO: https://opontoafinal.wordpress.com

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O filósofo alemão Friedrich W. Nietzsche (1844-1900) dedicou seu grande livro ASSIM FALOU ZARATUSTRA, com estas palavras, as quais, sem mais e sem menos, lembrei-me agora, fim de madrugada: Um livro para todos e para ninguém. Mas não vim tecer comentário sobre este livro “da pesada”. Ontem, no Mercado Central, sempre com boas surpresas, muita luta e também muito riso, ouvimos alguém dizer algo acerca dos milhões de afetados em todo o planeta – mortos e contagiados -, uma frase terrível: Vai ficar difícil: se a negligência mundial continuar, não haverá quem contará os mortos.” E mais não se diga. Abraçamo-nos, e a cerveja ficou esquentando, o café brasileiro ficou esfriando.

The German philosopher Friedrich W. Nietzsche (1844-1900) dedicated his great book AS ZARATUSTRA SPEAKED, with these words, which, without more or less, I remembered now, late in the morning: A book for everyone and for no one. But I did not come to comment on this “heavy” book. Yesterday, in the Central Market, always with good surprises, a lot of struggle and also a lot of laughter, we heard someone say something about the millions of people affected all over the planet – dead and infected – a terrible sentence: “It’s going to get difficult: if the worldwide negligence continues, there will be no one to count the dead.” And say no more. We hugged, and the beer kept getting warm, the Brazilian coffee kept getting cold.

El filósofo alemán Friedrich W. Nietzsche (1844-1900) dedicó su gran libro, COMO HABLÓ ZARATUSTRA, con estas palabras, que, sin más ni más, recordaba ahora, a última hora de la mañana: Un libro para todos y para nadie. Pero no he venido a comentar este libro “pesado”. Ayer, en el Mercado Central, siempre con buenas sorpresas, mucha lucha y también muchas risas, oímos a alguien decir algo sobre los millones de afectados en todo el planeta -muertos e infectados-, una frase terrible: “Se pondrá difícil: si la negligencia mundial continúa, no habrá nadie para contar los muertos“. Y no digas más. Nos abrazamos, y la cerveza se fue calentando, el café brasileño se fue enfriando.

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Darlan M Cunha: foto e texto

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