muscular

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@1.

Manhã de domingo encontrei-o assim mesmo: pensando na vida, sossegado, dei um tempo na corrida e fiz a foto, rápido, porque fotos assim têm que ser feitas num átimo, porque esse tipo de modelo não espera, não faz pose, continua na dele, indiferente ao “mundo vasto mundo”, como está no poema do Drummond.

@2.

Uma vez no solo, o grão ou semente sabe o que fazer, mas é preciso água sol vento. O ser humano é o mamífero cuja chegada à idade adulta é a mais demorada, a vida lhe é curta, embora já ninguém mais durma, as madrugadas sejam pontilhadas de luzes nas casas e apartamentos.

@3.

Quando dizem que as mulheres grávidas têm desejos estranhos quanto a alimentos, pode-se tentar entender tal dinâmica hormonal, digamos assim, da fisiologia e/ou da psicologia. Bom, do outro lado do balcão, cá estou, em casa, uma hora da madrugada, e uma vontade repentina, que danada, de comer uma boa feijoada. Mamma mia ! Bom… pensando bem, sacrifício exigido, posso pensar num purê de batatas ou de cenouras amarelas, também chamadas de ‘baroas’, até porque o Mundo está cheio de pesadelos, portanto, vamos de leveza.

Darlan M Cunha: foto e texto

MIX

vamp800

AS APARÊNCIAS

Não há como escapar de tal assédio, tornado obsessão pela sociedade, qual seja, o da profusão de academias e afins, espalhadas pelas cidades, tendo espaço marcado em todas as quatro fases do dia nas tevês, eventos coordenados por prefeituras, associações disso e daquilo, etc. Fala-se aqui é da quantidade espantosa de experts, personal trainers, de especialistas, de estudiosos da anaeróbia e da aeróbia, enfim, sumidades da ignorância propagandeando a sua válvula de escape diante do fato de que a casca pessoal foi elevada a tal magnitude pela sociedade, que o núcleo ficou definitivamente esquecido.

 

Uma simples ida a um destes laboratórios ou academias ou templos do fisiculturismo, dá bem uma amostra do severo e continuado esforço de alguns e algumas em se parecerem com algo mais de acordo com certas exigências do mercado laboral, ou sexual, enfim, as tolices já conhecidas.

 

Acham que é só vestir um calção ou malha e começar a ir ao paraíso, quase sempre sem nada saberem de seu sistema vital como um todo: de sua pressão arterial (assassina silenciosa, se diz no meio médico acerca dela, que afeta bastante os rins, o globo ocular, etc), ou se tem diabete (8 % dos brasileiros sofrem desta patologia. Este é o número dos que sabem tê-la, pois, milhões são diabéticos e não o sabem, por motivos que aqui agora não vem ao caso explicitar). Sem falar nas cardiopatias. E assim por diante.

 

No rastro disso, é de pasmar o número cada vez maior de craques ou mesmo de estrelas da alimentação balanceada, e outra bazófias do mesmo gênero. Lembro-me de um trecho de música do compositor, violonista e arquiteto Billy Blanco: O que dá pra rir, dá pra chorar / questão só de peso e de medida”.

 

É isso.