dominical

Eu uso tênis – antigamente chamado de quedes.

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CLUBE da ESQUINA nº 3 – ou Venha vestir a roupa de algodão grosso dos mineiros, como fizeram D. Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina.

De vez em quando a cabeça dói, algum dente late, um dos sapatos põe a língua para fora em plena rua, e aí fica complicado, meu amigo, voltarás mancando para casa, minha amiga do bico fino (o sapato), sempre há pequenas surpresas cotidianas, cotidiárias, cotidiácidas, imprevistos que se muitas vezes são desagradáveis e até desesperadores, outras vezes, são até engraçados, se analisados tempos depois. Comigo aconteceu, na bela e pequena e próxima Rio Acima, de estar de terno e gravata, e ponha elegância nisso, sapatos de couro cru, um dos quais me fez o solene favor de abrir a boca na rua, mas tive tanta sorte naquele domingo, que um passante, caminhoneiro e, nas horas vagas, sapateiro, marceneiro, mestre carpinteiro e sabe lá o diabo o que mais de bom ele tem, notou o meu embaraço (embaraço, em espanhol, é embarazo, significa mulher grávida… afe!), me levou à casa dele, onde, entre risadas e cervejas, fez o conserto, ele nada cobrou, ou seja, de um imprevisto desagradável, numa cidade com história do Brasil (Rio das Velhas = ouro, minérios em geral, a meia hora de Bêagá, o imperador D. Pedro II e a imperatriz Tereza Cristina estiveram lá), ganhei um amigo de fé: José. Coisas da vida, minha nêga, como diz o Paulinho da Viola numa canção. Para terminar, não esquecer que “todo mineiro é conspirador.” É a nossa genética, nosso psiquismo muito bem arraigado.

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Come wear the thick cotton clothes of the miners, as did the Emperor of Brazil, Dom Pedro II and Empress Tereza Cristina.

Once in a while your head hurts, a tooth barks, one of your shoes sticks out its tongue in the middle of the street, and then it gets complicated, my friend, you will go back home with a limp, my friend with the thin beak (the shoe), there are always little everyday surprises, everyday, everyday accidents, unforeseen events that, if they are often unpleasant and even despairing, are sometimes even funny, if analyzed afterwards. It happened to me, in the beautiful and small nearby Rio Acima, that I was wearing a suit and tie, and put elegance into it, raw leather shoes, one of which did me the solemn favor of opening my mouth on the street, but I was so lucky that Sunday, that a passerby, a truck driver and, in his spare time, a shoemaker, joiner, master carpenter and who knows what else good he has, noticed my embarrassment (embarrassment, in Spanish, is embarazo, it means pregnant woman. … afe!), took me to his house, where, between laughs and beers, he did the repair, he charged nothing, that is, from an unpleasant unexpected, in a city with Brazilian history (Rio das Velhas = gold, ores in general, half an hour from Bêagá, Emperor Pedro II and Empress Tereza Cristina were there), I gained a friend of faith: José. Things of life, my nêga, as Paulinho da Viola says. To finish, don’t forget that “every miner is a conspirator.” It is our genetics, our very well ingrained psyche.

Darlan M Cunha

CLUBE da ESQUINA nº2. MILTON e LÔ: https://www.youtube.com/watch?v=-83HCIbrfWU

CLUBE DA ESQUINA nº 1. MILTON (Vídeo no Blog de MOACIR SILVEIRA): https://www.youtube.com/watch?v=YkLjtrJjXEM

teoria praticante

Vai um requeijão, um queijo, cafezinho, biscoitos de polvilho ? A Casa é sua.

@1.

Milhares de cafezinhos depois do primeiro, cá estamos, muito apreensivos, porém, vamos nos esquecer por momentos de tal nuvem carregada de dúvidas, vamos ao sustento do bom humor, que ninguém é de ferro, como diz o Povão, embora o Povão não saiba de quase nada. Quase, eu só disse de quase nada. Traga as amigas e os amigos de fé. Bico doce e clave em sol maior.

Biscoitos de queijo

@2.

Enviei duas camisetas para irmãs que moram nos EUA. Eu as comprei numa pequena loja – de uma porta só -, no Mercado Central de BH. Cristiano tem camisetas só com motivos de Minas Gerais, pelo que os estrangeiros, sim, de outros países, e os estrangeiros, que não são estrangeiros, porquê são brasileiros, sempre passam por lá. Há camisetas cujas inscrições são bordadas na máquina, uma beleza, lojinha pequena e simples. Pois bem, minhas irmãs enlouquecerem com a beleza. Em tempo: ninguém me pediu para fazer propaganda de A ou Z.

Ê Minas, é hora de partir, eu vou… (DORI CAYMMI, ZÉ RENATO e RENATO BRAZ – música DESENREDO)

@3.

Devo dizer, entre contrito e irado, devo dizer que nada me assombra mais do que a pobreza da percepção humana, digo e repito em altos brados que muito me admiro de tantas maldades das quais são capazes estes nanicos, e não lhes tiro o chapéu, assim eu dou esse tico de palavreado, avisando: Se cuidem, nanicos humanos demasiados desumanos ! Capetas nas ruelas de Minas Gerais, seja madrugada nascente ou alta, aparecem aos montes. Cuidado. Balada tem hora ? Não tem, não. Não venham até Minas: é cheia de Diabas e Diabos ! Quem não avisa, inimigo é, mas quem avisa, amigo é.

SENHOR BRASIL, ROLANDO BOLDRIN… MINAS, AQUI: MILTON NASCIMENTO e AMIGOS: https://www.youtube.com/watch?v=xW1w5yYd3cY

@4.

Uns dias, é fato que tu os experimentaste, a gente se sente como quem partiu ou morreu, sei lá, algo lá dentro nos acorda, e a raiva aparece, ou um arrependimento, o fogão assim esquecido, não se quer saber de nada e de ninguém, sim, um dia para Não se esquecer é esse tipo de dia que nos põem ou nos repõem na trilha dura de ver longe, de não nadar na lama, no lodo, em nuvens. Já se disse que “ir é o único horizonte”.

Darlan M Cunha

FAMÍLIA ASSAD. MILAGRE DOS PEIXES (MILTON NASCIMENTO): https://www.youtube.com/watch?v=ppVU_zC6Qnk

DORI CAYMMI, ZÉ RENATO e RENATO BRAZ. DESENREDO. Programa SENHOR BRASIL, ROLANDO BRASIL. https://www.youtube.com/watch?v=k-rFnhcNbX0

Março: lei marcial ou [nº 1]

OU CONTINUAR (esta enfermeira, muito gentil e dentro da Lei, permitiu a foto ao vacinar a minha Mãe – algo geral)
OU FICAR NA ENCRUZILHADA

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SE NÃO COM A VIROLOGIA DO DIABO ?

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CÓDEX GIGAS // A BÍBLIA DO DIABO (Escrito na Idade Média, Autor Desconhecido)

CÓDEX GIGAS   // A BÍBLIA DO DIABO

Este calhamaço está em exibição na Biblioteca Nacional da Suécia, em Estocolmo. Uma de suas ilustrações, mostrando o Diabo, tornou-se irresistível através dos séculos ao nosso imaginário. Escrito na Idade Média. Ele tem 610 páginas, mede 89 cm de altura, 49 cm  de largura, pesa 71 (75 ?) quilos, todas as páginas são pergaminhos feitos de pele de bezerros – pelo que estima-se que foram necessárias as peles de 160 bezerrinhos para fazer este livro, num espaço mínimo de cinco anos, todos os dias e noites, à luz de velas, sem essa mordomia nossa de luz elétrica a qual só apareceria uns mil anos depois. Essa beleza, este esforço monumental tem metal na capa e na contracapa. Foi escrito provavelmente nalgum mosteiro de onde hoje é a República Checa, e é mesmo, sem favor, coisa de outro mundo, de gente, do diabo. Instrutiva leitura, aprendizado de não se esquecer.

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ROUPAGEM, GÊNERO DE PRIMEIRA NECESSIDADE.

Fale, quem saiba. Ontem, no Mercado Central de BÊAGÁ, ouviu-se que “Será preciso decretar lei marcial para que tantos e tantas se toquem ? Se as mães destas pessoas precisarem de leito ou de maca, elas se lembrarão de algo. Tarde demais ?” Estas considerações duríssimas, com 101% de razões de serem ditas e cobradas, ouvidas neste domingo 28. Março já está aqui com cara de bons e também de poucos amigos. Escolher.

@2. O ALICIANTE

O Diabo no meio do redemoinho – lá está, bem assente no assombroso livro Grande Sertão: Veredas, do médico e diplomata João Guimarães Rosa. A minha avó materna Senhorinha Maria de Jesus mãe do meu pai Elviro dizia que o Diabo planta floras e jardins de grande beleza sim meu neto predileto – ela me dizia – o Diabo tem mil mais mil milhões de truques e com eles engaloba os gulosos e as apressadas e pega os incontáveis egoístas e preguiçosos, sim, pode acreditar na sua avó aqui no meio da fazenda em Pedra Azul onde o Demo já quis entrar aqui o próprio Belzebu em pessoa mas encontrou chicotes e rezas brabas e mil e um excomungos em cada mourão da cerca e água benta e baldes e mais baldes de cruzinhas de madeira misturados com caca de gato e rabo de tatu, bem picado e cachaça com ranço de mulher velha e limão-capeta [o Mal contra o Mal], e foi um fuzuê foi sim um furdunço um estropício e um estrupício e palavrões para o Tinhoso bambear sim pro Pemba desmaiar e a gente cair de solfejo para cima do Dito Cujo Infernoso e tenebroso foi aquele dia que escurou e escurou de vez sem dar um tempo nem de ir no mato fazer necessidades – qui u quê ! – foi um frege ó meu neto mais velho Darlan desmiolado você é, ó mas fazer o quê, aprende então a lição: o Diabo é cheio de truques, e se embeiça logo com o mulherio, mas é de bom alvitre dizer que a recíproca é verdadeira, nem sempre, mas é, sim o Capeta veve tocando viola, ele canta uma musga muito perigosa que tem o refrão assim: “Tem, mas acabô.”. Muito cuidado com essa musga do Pé Torto. Por falar nisso, entre outras perdição, você toca violão, meu neto desmiolado ? Não, Vó, eu até ia aprender, mas é difícil, e eu desisti. Vou ser só, e só humano…

Darlan M Cunha

O palato a língua o esôfago a faringe a laringe a traqueia e o estômago agradecem à gula

Biscoitos de queijo feitos pela Dona MARIA JOSÉ, com pequena ajuda do assistente LANDAR.

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a@.

Todo mundo está convidado. Quem esquecer a senha/convite, entrará do mesmo jeito na comilança de biscoito e doces e bolos no barraco da Vovó Maria José. E nem é aniversário de ninguém, não.

Não te avexes, diz logo que estás com água na boca, agradecendo esta maldade boa da trisavó… hehe. Querias o quê: mais notícias más ? Pensa, embora que pensar dói, eu já disse isto aqui e em livro. Sim, todo mundo está convidado, e quem esquecer a senha/convite, entrará do mesmo jeito nos biscoitos e doces e bolos no barraco da Vovó Maria José. E nem é aniversário de ninguém, é que aqui ninguém segue na risca todos os preceitos da Showciedade, a família tem opinião própria, nada de ser maria-vai-com-as-outras, nesta família todo mundo é doido ou maluco ou biruta ou é ‘da lua’ e ‘vive nas nuvens’, ou até mesmo já fez lobotomia pré-frontal (técnica que deu Prêmio Nobel de Medicina ao português Egas Moniz, uma prática hoje abandonada, digamos assim, ou revista). É isso aí. Vamos que vamos, a PAN pediu entrada, a qual negamos: barraco limpo, gel e máscaras nos seis lados da casa: as quatro paredes, o teto e o chão. Seis.

@2.

Tenho amiga que vive em Lisboa, é de Lisboa, me visitou aqui em BH, de grande profundidade, tenho também amiga de fé [todas] na Alemanha, em Córdoba – Argentina -, uma que vive em Montreal, outras em Moscou, na Universidade Russa da Amizade dos Povos Patrice Lumumba, outras amigas em São Petersburgo, amiga em Madri, sim, meus livros cuidaram disso, elas leram um ou dois ou três. Só conheço pessoalmente a Maria, de Lisboa. Pois é, quem não crê em distâncias… a Rede, às vezes, vale. Às vezes.

@3.

É possível andar, se caminho não há. // Caminhante, larga de ti essa dúvida // torce o pescoço deste vento // e cinge o colo difícil da luz. // Verás que nos encontraremos.

Darlan M Cunha

AQUI: https://www.poemhunter.com/member/AddNewPoem/?poemid=57939877

Memórias de um viandante

OURO PRETO, MG – BRASIL. Essa foto tem 35 anos, feita por mim e o meu dileto amigo ANDRÉ ROELENS, engenheiro, brasileiro de origem franco-belga, já falecido, no que não achei graça nenhuma, anos depois desta foto e outras. AMIGO com A maiúsculo.

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UMA ALDEIA

Chegado a uma cidade onde o normal é visível, viu um fio de leveza em cada canto da aldeia, pessoas vistosas, com garbo natural, mas, estranhamente, não há monumento, estátua, enfim, nenhum vestígio de louvor ou de subserviência na aldeia, dando ela a impressão de que os habitantes não se importam com o que houve por lá (no presente do indicativo, porque a aldeia está viva e pujante, nem pequena e nem grande), então, é um ledo engano pensar desta forma acerca de tal lugar no qual o lema ordem e o lema progresso vão de mãos dadas, com os pés num ritmo plausível, e nada de marca-passo no peito ou conversas inúteis, como é a praxe geral. Em cada esquina, um visual diferente, ou quase, placas de ouro de prata e de bronze dando conta de onde se está, mas não se acha absolutamente nenhuma pichação, como se não houvesse tinta por lá, mas é que as leis são severas, são de decapitação pública para cima, de se ser esfolado vivo, de se apertar o pescoço até que o esfíncter exploda, e por aí vai a paga por uma infração. No entanto, para sua surpresa, uma vez no hotel, em nenhuma torneira dourada não havia gota de vida, sinal nenhum. Não existe água naquela cidade, não, e foi então informado disso e daquilo, e entendeu que banhos por lá são à base de finíssima areia naturalmente perfumada, e que o fato de não terem água explica seu desapego absouto a tantas e tantas idiotices – inclusive mausoléus e estátuas, monumentos e museus de quaisquer assuntos, e o viandante tornou-a sua, de imediato.

Darlan M Cunha (leia a postagem anterior: CARTA À MÃE, nº 146)

Deu nos televisores do Mercado: “…”

@1. Populares

Ensinar o futuro, sem passado ? >> Quem manda, também pede, a não ser que se esqueça disso, mas terá um preço, se não dois. >> E agora, onde enterrar o tesouro ? >> Um fosso duro de encher. >> O único economista de confiança no mundo todo é este buraco aqui: o bolso. Infalível vidente. >> Água gosta é de quem sabe nadar.

@2. Impopulares

“O BRASIL ESTÁ QUEBRADO” *********** Hotel 11 Estrelas (Mas, e a torcida-camisa-12 ?)

@3. Flores do Acaba-Mundo

Uma das minhas vizinhas disse-me, agora de manhãzinha, que não tem dormido, que tem dificuldades em pegar o sono, que sonha acordada, etc.

@4. À esquerda do olho d’água

O meu vizinho Ghuo e sua companheira Li Na, ou Na Li (até hoje me enrosco) contaram-me a história de que na região da China, de onde vieram, sem mão e nem cão, sem dão e com pouco sal e pão, mas com muita vontade de pegarem o sol e o sal com as mãos, há muitas lendas, tantas ou mais do que pandas. Eles vieram de uma extensa região, segundo esta jovem dupla, que também diz que na China há mais pipas no ar do que há estrelas no céu, dizem, entre o sério, a piada e o enigmático. E então me deu vontade de fazer uma pipa como nos velhos tempos: goma de farinha, lascar bambus para fazer as talas, papel-seda, paciência, caprichando no rabo, para ele balançar exato, nada de fitinhas demais, pois é um ttrabalho sujeito a muitas risadas e algumas decepções, isso porque, às vezes, o vento não coopera, ou é porque a pipa está rodando sem parar, algum peso a mais num lado, algo assim, ou seja, para ser feliz é preciso reparar os danos – isto serve para tudo –, segundo Confúcio, e mil tempos depois um filósofo e político brasileiro, de nome Cós Fundo, disse que amar é devastar. Estes meus vizinhos são mesmo filhos de pandas bambus pipas e pólvora, e mais. Rimos para Grande Muralha nenhuma e Plano Piloto nenhum botarem defeito. Depois, contarei a história que estes vizinhos me contaram. Avon, chama.

Darlan M Cunha