afago, 3

Cuidados com as vovózinhas (Igreja Universal – sede BH). [Clique na foto]
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No capricho
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Misses prontas para o Grande Desfile
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“Não é possível ficar despreocupado” – ouvi o desabafo de um artista plástico chinês, no documentário Arte Contemporânea Chinesa. Vivo em simetria com este sentimento, com esta percepção assustadora de que “não é possível viver despreocupado” – cada vez mais as sociedades se fecham. O curso dos dias virou pedreira, e respirar fica mais difícil para quem vive ciente da pavorosa trajetória humana, não, num futuro próximo não caberemos todos, quase todos sobrarão. De outro artista, no mesmo documentário, ouvi “para quê fazer arte num mundo como este ?”, algo assim. Em todos eles e elas senti apreensão profunda, desânimo, uma desconfiança para com a geleia geral, estragada por bolor ou mofo e usura, na qual o mundo se transformou.

Fico então com estas belezas aí acima, estas simpáticas vovózinhas sempre prontas para consertar roupas, vãos, ecos, furos, ocos, perdas e danos, vazamentos, estragos, redemoinhos familiares e sociais, enfim, as mil e uma doenças do mundo. (OBS.: Não espalhem, mas, em confidência, em consideração, à boca pequena, à socapa, à sorrelfa, lhes digo que namoro com todas, e ainda mais com a segunda delas. Em confidência. Entendam).

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Fotos: MJMC <> Texto: Darlan M Cunha

Cuitelinho. PAULO FREIRE & MÔNICA SALMASO (PAULO VANZOLINI & ANTÔNIO XANDÓ, música com origem no folclore mato-grossense). https://www.youtube.com/watch?v=-XQHrGiYCFc

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Darlan visita Ai Wei Wei, nº 4

cor corar coral coralina corante quaral quarador

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a criança pensa e ultrapassa horizontes


Destas proposições, alguma há de restar: morrer sem um A ou um Z atrás de si, ou seja, sem herança – mas isto é impossível, porque todos deixamos rastros; ou viver conforme as novas leis, adaptações estas às quais é preciso atentar, ou ser um nerd, ou uma auto exilada social, e sabe-se lá o que mais. As crianças logo percebem o que as rodeia, e até mesmo notam o mais além do seu entorno imediato, mas cuidamos de tirá-las da opinião própria, de lhes dar logo no café da manhã um sim e vários nãos. Beber café, e ir ao que haverá, e também se bebe mágoas com água de coco e pedra de gelo, e se nada nos pode intimidar, isto se deve ao fato de se ter opinião própria (a garotinha na foto está com ela mesma). Feriado, o país está parado; se é dia de muda, vai à luta, ainda que vá pela metade, ou nem isso.

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O DIA COMEÇA É NA MADRUGADA


Míriam chegou sem alarde, talvez da montanha ou do mar

ou tenha vindo de algum lugar maior do que a imaginação,

silenciosa feito um peixe ou um feixe de sol nas paredes

ela veio e ficou, e nada parece incomodá-la, mas é preciso

estar atento aos traços de uma mulher, espertas por natureza

e por necessidade social, por sua necessidade de defesa

diante da História sempre desfavorável a elas. Mulher é menos ?

Não para essa Míriam, e para muitas outras, e assim ela vai

como um Don Quixote, de calça comprida, de bermuda ou nua

sob sol e chuva (“Com sol e chuva você sonhava” – diz a canção),

sorrindo dentro dos tênis brancos ela vai levando seu Enigma.

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Fotos e textos: Darlan M Cunha

Música: Tudo o que você podia ser. CLUBE DA ESQUINA (Milton Nascimento canta): https://www.youtube.com/watch?v=GGmGMEVbTAY

Darlan visita Ai Wei Wei

Darlan visita Ai Wei Wei (quebrando uma porcelana da Dinastia Han – 206 a.C.- 220 d. C.)
Clique na foto e leia o poema por trás dela.


Fugindo da fome, do ódio, vão ao mar, rumo à Europa ou… ao fundo.
Montagem com caixotes tipo guarda-roupa: uma ilusão sensacional

No domingo, 14, fui visitar Ai Wei Wei no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil, no complexo de museus modernos, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. É uma exposição que dá uma ideia geral da atividade deste artista tão controvertido (a China devolveu-lhe o passaporte em 2015, se bem me lembro, mudou-se para a Alemanha, indo depois meter-se de carne e osso na rota de fuga para tanta gente no cansado mar Mediterrâneo, etc). Muito lúcido, ele diz que os artistas não precisam se tornar mais políticos; os artistas precisam se tornar mais humanos.

Darlan M Cunha

Choro Loco. YAMANDU COSTA: https://www.youtube.com/watch?v=pUgSr2-ifnY

galeria

Galeeria MPB

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     A gente não escapa do passado, pelo menos não de todo. Pensando bem, tudo vai com a gente, às vezes, olho por olho, dente por dente. O amor é antigo, o medo é antigo, licores são antigos, de casa em casa, de boca em boca, de mão em mão, paciência e imaginação, algum tipo de fé sempre quer morar com a gente, o riso está por um fio, morrerá ainda este ano, este mês, esta semana, amanhã, hoje – talvez não, isso porque milagres acontecem, diz o povo. A música, parece, inventou o tempo e o espaço, embora certos cientistas digam que nem um e nem outro existam de fato, mas o canhoto Leonardo da Vinci, que também era músico, disse que la música è la figurazione dell’invisibile. Para Platão, a música é uma lei moral, e por aí vão certas variações quanto à importância dela. Um dia, minha modesta mãe, muito religiosa, que adora música e gosta de cantar, me disse algo que irá sempre comigo: “Filho, tudo é sagrado, mas se tem três coisas sagradas são: mãe, água e música.” Nunca me esqueci.

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Foto e Texto: Darlan M Cunha

Hoje: Dia Mundial da ALZHEIMER