simplesmente

Ah… de ACARAJÉ (PRAIA DO FORTE, MATA DE SÃO JOÃO – BAHIA)

Há muito não vais ao mar / sentes que algo te chama, / és das montanhas, e o grande azul te invoca, / batendo com suas pedras de sal na tua cabeça, / esfregando as moedas da ânsia em tuas pernas e braços / sentes que deves ir a outros tipos de ondas.

PROJETO TAMAR – PARIA DO FORTE, BAHIA

Teu mar atual é o de nadar / em noitícias ? Há muito tempo és noctívago / teu bar é a saleta de memórias, cinzas, / alguma tela torta na parede / o sofá é o teu oceano, claro / é preciso ir a algum lugar / trabalhar cansa, lavorare stanca – diz uma turista, / deves partir, amanhã.

RAY VIANNA. Escultura “ODOYÁ”. PRAIA de SANTANA. RIO VERMELHO, SALVADOR, BAHIA. (Mesmo desatento que estava no momento, de repente, pressenti, e fiz a foto).

Disseram para não colocar nenhuma palavra na boca da ficção, estupefato, amargou no aparelho digestivo certas lições que diluem o raciocínio que porventura ainda se tenha, e foi devido a isso que a estupefação, o desânimo e por último o desespero subiram no seu costado, esporas e chicote, tinham avisado para não se endividar com a clareza, não fazer nenhuma frase na terra da ficção, em vão, que ser humano é ser ficção, delírio e delíquio, relíquias malditas e benditas, poço fundo e areal viscoso é o humano, erros e seus ecos, o riso na boca de cada poro, desgraças mil graças, foi dito para cortar a língua da palavra, fechar o caminho a cada palavra que ouse ser lavra, palavra, notícia, nuvem, pó… em vão, pois ser Ser Humano é plantar verde para colher maduro. Uai, Ó Xente, Barbaridade Chê !

Darlan M Cunha

CHICO BUARQUE / ROBERTO MENESCAL. BYE BYE BRASIL: https://www.youtube.com/watch?v=5oYLRRo8sTY

FRANK SINATRA. MY WAY. : https://www.youtube.com/watch?v=LQzFT71LCuc

Bahia e mais

Presente da amiga T. Filippo. Fundação Pierre Verger, Salvador, BA (a foto da garota na camiseta é do próprio VERGER (1902-1996).

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Em que pese o sorriso do Mundo, faltam-lhe os dentes e, mais, a ausência de uma liga forte com um compromisso para com o amanhã limpo de moscas é facilmente perceptível por quem tem um mínimo de sensibilidade, de faro. O ano 2020 tornou-se o máximo em desabamentos sociais, psíquicos, mas lá no meio de 2021, as velhas práticas estarão nas ruas, nos gabinetes, sendo que o ano 2020 durará no mínimo uma década. Todos felizes, esquecidos/as. Lembrei-me da música do Dorival Caymmi: “Eu vou pra maracangalha, eu vou, eu vou de chapéu de palha, eu vou.

Darlan M Cunha

FUNDAÇÃO PIERRE VERGER: https://www.pierreverger.org/br/pierre-fatumbi-verger/biografia/biografia.html

Praça, 6

Barreiro de Baixo – BELO HORIZONTE

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Para ganhar o pão, cada manhã vou ao mercado onde se compram mentiras. Cheio de esperança ponho-me na fila dos vendedores.

– Bertold Brecht, no poema Hollywood.
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Praça é carisma, cada qual com a sua graça, sua desgraça, seu hino – diversa. DMC

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Eis, no meio do caos, um ovo, sobre ele ene sombras, o sol por testemunha, de quem será este ovo: tartaruga, vaca ou formiga {nos tempos modernos, já é praxe todos os reinos porem ovos, até mesmo as pedras estão pondo ovos, eis o reino mineral em descenso biológico, ou não ?), ovos de codorna, de anu, de tiê, de religiosos e políticos, ora, de qual cavidade saiu este mistério: de uma siriema, de um pustema, de um andróide, capivara, tatu, barata, será ele filho da mui querida Madame Min, ou da refrega sempre atualizada entre judeus e muçulmanos, brilhante, ovalado como convém a certos ovos, de onde veio essa beleza intrigante que parou toda aldeia aqui e agora reunida na praça, como se estivesse em votação a cabeça da própria aldeia, a existência da praça ? – DMC

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darlan m cunha

GILBERTO GIL. Domingo no parque: https://www.youtube.com/watch?v=x4C46PGp6yA

círculo vicioso

um dos custos do cotidiano

PEQUENA LADAINHA

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Ninguém vive bem na tormenta, porquanto a dor no tórax, nos membros e nos flancos aumenta, enfim, em todos os cantos o melhor é dar-se todo a hibernar, como quem, em vida, morto está.

Não contemos os mortos, são muitos, extrapolam o crível os mortos de sede, de fome e de angústia – suas turras e seus encantos foram parte de ti e de mim e de toda esta súcia

sim, são os mesmos/as que embaixo de nós agora estão cheios de cal, com os membros na horizontal, alheios ao que ainda somos, avessos ao que de um e de outro ainda tomamos.

Não cortemos laços antigos e nem colheitas ainda não lançadas em covas rasas, ouçamos com calma o estalar da vida fora do Não, o dorso do tempo envergado pelo peso do trigo, pai do pão.

Senhor, continuaremos cantando os mortos que em teu regaço não estão.

: darlan m cunha

ELOMAR FIGUEIRA MELO. (Músico, Arquiteto, Criador de bodes – BAHIA). O PEDIDO. https://www.youtube.com/watch?v=l4Z_HsbzgJI

XANGAI (ELE e ELOMAR são primos). O PEDIDO. https://www.youtube.com/watch?v=NNwSwpk1ibo

pulando corda

AMADAS e CAROS… talvez seja o rosto multicor, arco-íris 2020 esperando por todos.
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Darlanianas

POUCO DIREI DE CERTAS CIRCUNSTÂNCIAS OU ANTÍTESES TÃO SUTIS: pigmeu pigmeia  /  tabaréu tabaroa  / monge monja  /  loba bobo  //  hehe

Barra do rio JACUÍPE, Polo Petroquimico de CAMAÇARI. BAHIA – BRASIL

Não me esqueci deste domingo no qual saí com gente amiga com a qual estava eu hospedado, saindo cedo da cidade de Lauro de Freitas – cidade moderna, bem próxima a Salvador. Saímos rumo à Praia do Forte (uma hora ou algo assim, de carro, distante de Salvador). Vi o internacionalmente famoso Projeto da Fundação TAMAR (Tartaruga Marinha). Muito trabalho, perseverança. Para vadiar, como diz a canção da dupla Toquinho e Vinícius de Moraes, há lugares para bons petiscos e conversas de quilômetros ou de milhas náuticas – já que estamos à beira do mar. Leva o teu instrumento, vá tocar em sol maior para robalos, vermelhos, baiacus, dourados, camarões, lagostas. Nada de entrar em parafuso, porque o lugar é mesmo, sem dúvida, paradisíaco-demoníaco.

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Pois é…

MÃE, que sorriso é este sempre frequente na Senhora ? Algum trineto ou alguma trineta acabou de dizer mais lunáticas para a trisavó ?

Pois é, o maestro e pianista e compositor Wagner Tiso tem uma canção que é a que mais me toca, entre todas as suas obras (esta foi composta antes dos vinte anos, segundo o próprio Wagner, tão respeitado, de nome impecável), de nome Choro de Mãe. Eu, ao clicar a minha Mãe (87), rindo assim de um modo tal de mal conseguir sentar-se direito, lembrei-me da bela canção, ou seja, da contrapartida da vida que é de todosrir ou chorar.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

WAGNER TISO. Choro de Mãe: https://www.youtube.com/watch?v=vmZchGiuL0c

afago, 1

vão e voltam
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Certas atitudes fazem do mundo um lugar de pedras e alvos, aplica pechas aqui e ali em alguém, põe o selo de fanático, de louco, esquisito, ermitão, lésbica ou homo, e até de mau-caráter em alguém, e essas terminologias, estes adjetivos, essas tatuagens morais, ou que outro nome lhes queiram dar os de plantão, não iluminam nem um pouco a pessoa em questão, não lhe abrem nenhuma perspectiva, vão alijando-a do convívio geral, de abrir suas ideias, não lhe abrem portas nem janelas, se é que ela está necessitada de alguma, ainda mais vindo de quem mal sabe o número dos sapatos. Nem sempre as pessoas sabem o que são, o quanto pesam, o que representam para si, e não para o jogo de sombras ao seu redor, seu avesso. Xeque-mate.

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Foto e texto: Nalrad

Acalanto (Dorival Caymmi). NANA CAYMMI e DORIVAL CAYMMI cantam: https://www.youtube.com/watch?v=dEKMp4Z7FHk