solar

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O que mais dizer da luz que a água absorve, e com os seres reparte, eles próprios já com a sua cota diária, algo assim tão natural que já não fazem caso dessa condição ? Sabe-se que quando o Sol morrer ainda haverá oito minutos e meio de luz – de vida. Depois, o frio benfazejo que nos livrará uns dos outros.

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What more can be said about the light that water absorbs and shares with beings, themselves already with their daily quota, something so natural that they no longer take notice of this condition ? It is known that when the sun dies there will still be eight and a half minutes of light – of life. Then, the benign cold that will rid us of each other.

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Cos’altro si può dire della luce che l’acqua assorbe e condivide con gli esseri, essi stessi già con la loro quota quotidiana, qualcosa di così naturale che non fanno più caso a questa condizione? Sappiamo che quando il sole muore ci saranno ancora otto minuti e mezzo di luce – di vita. Poi, il freddo benefico che ci libererà l’uno dall’altro.

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¿Qué más se puede decir de la luz que el agua absorbe y comparte con los seres, ellos mismos ya con su cuota diaria, algo tan natural que ya no reparan en esta condición? Sabemos que cuando el sol muera todavía habrá ocho minutos y medio de luz, de vida. Entonces, el frío benéfico que nos librará de los demás.

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Was kann man noch über das Licht sagen, das das Wasser aufnimmt und mit den Wesen teilt, die selbst schon ihr tägliches Pensum haben, etwas so Natürliches, dass sie diesen Zustand gar nicht mehr wahrnehmen? Wir wissen, wenn die Sonne stirbt, gibt es noch achteinhalb Minuten Licht – von Leben. Dann, die wohltuende Kälte, die uns von einander befreien wird.

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Что еще можно сказать о свете, который вода поглощает и разделяет с существами, которые сами уже имеют свою ежедневную норму, нечто настолько естественное, что они больше не обращают внимания на это состояние? Мы знаем, что когда Солнце умрет, все еще будет восемь с половиной минут света – жизни. Затем – благотворный холод, который избавит нас друг от друга.

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Darlan M Cunha: foto e texto

pó / dust

Belvedere – BELO HORIZONTE

SEM NENHUM AMÉM, NENHUMA CONTEMPLAÇÃO

E o Homem criou a Sombra que cobriu tudo, e se descobriu Senhor de Anéis sem valor prático algum, e se tornou blasfemo, bunda e peitos de fora, a cabeça tão vazia quanto uma cabaça rolando num areal, nalgum ermo do mundo, sim, è vero, o Homem inventou a Sombra, e o planeta ficou de joelhos ainda mais quando Ele deu de inventar a maior das Sombras: a Religião, ou seja, Catarse de nada ou de décima categoria abaixo do Nada, assim é o Sapiens, uma coisica hoje ajoelhada, submissa diante do Supremo Senhor da Vida e de sua Antítese – Corona.

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WITH NO AMEN, NO CONTEMPLATION

And Man created the Shadow that covered everything, and discovered himself to be Lord of the Rings without any practical value, and became a blasphemer, butt and breasts hanging out, his head as empty as a gourd rolling on a sandy beach somewhere in the middle of the world, yes, it is true, Man invented the Shadow, and the planet was even more on its knees when he invented the greatest Shadow of all: Religion, that is, Catharsis of nothing or tenth category below Nothingness, so is Sapiens, a thing today kneeling, submissive before the Supreme Lord of Life and his Antithesis – Corona.

Darlan M Cunha

enquanto Marte…, 1

SOM NA CAIXA

Observação satírica, clara e feroz, ouvida ontem no famoso Mercado Central de Belo Horizonte: “Pois é, já estamos em Marte com o fim precípuo de tentar fabricar oxigênio. Tudo bem. Minha sobrinha faleceu sem ar, e mais não direi, porque todos e todas já sabem de que.”

Som na caixa ! é o brado retumbante de um povo heroico. Enquanto Marte não é real, som na caixa, cuidados redobrados com a saúde, e com a saúde do bolso, raro padrão de bem viver é o bolso, raro tesão, nada de bom ronda o povão já sem ânimo para quase nada, farol baixo, macambúzia está a massa popular, nada de frege no carneval e na semana santa, o povo está quase de todo mudado, mas não lhe dê corda, senão, verás que ele continua o mesmo, sem juízo. Som na caixa, toque aí Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso), depois, roda aí Ai, que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves / Mário Lago), vamos nessa, enfim, construir algo com a incrível letra da música Cidadão (Lúcio Barbosa); depois, umas águas de março virão bem, enquanto Marte não vem… Este rádio-vitrola na foto está na casa da minha falecida irmã Telma, e funciona. Som na Caixa !

Dois palmos à frente do nariz. / Quando se dá um passo rumo à sua compreensão, / a perfeição dá dois passos à frente / quando se dá um passo rumo a ela.

Darlan M Cunha

ZÉ GERALDO canta CIDADÃO (Lúcio Barbosa): https://www.youtube.com/watch?v=cCnr8bpe6hI

as cidades, 3

Bairro Havaí, próximo ao Posto de Saúde – BH

As roupas desbotam, os barrancos desmoronam, as pessoas se perdem de si e do seu entorno, governos entram e saem, um prédio novo no bairro, um nascimento, uma morte, uns trocados na loteria, outros no bicho, o emprego se foi, o metrô ficou inundado, e também a garagem do condomínio, o diagnóstico confirmado, alguém disse que mudará de vida, enquanto isso, o vento balança o belo varal, e a cidade, enfim, parece ter algumas cores, um caleidoscópio de tecidos, porque são assim mesmo as cidades: sempre procurando manter a pose, identidade, e nós dentro delas: uns mais atentos, outros menos ligados.

Darlan M Cunha

Faça-me uma visita aqui no POEMHUNTER: https://www.poemhunter.com/darlan-m-cunha/poems/

as cidades, 2

Barreiro de Baixo, BH

A cidade é uma (c)obra de duas cabeças, pelo que ela é capaz de engolir a si mesma, mas de forma que quanto mais isto acontece, ela tem cada vez mais o que atrair para mastigar – num exercício sem fim. Toda aldeia tem seu lema, seu esquema, seus dilemas, num complexo jogo mental, mais que o excelso jogo de xadrez, porque o tabuleiro é irregular, os atores se medem mais pela inconstância mental, quando não pelo desacerto moral, e assim ela prossegue, de esquina em esquina, diatônica, platônica, satânica – mas é o que se tem.

Darlan M Cunha

POST 1013: Da amizade 360º

Simbologia

Para FERNANDO ROZANO: https://chronosfer2.wordpress.com/ Para TODAS e TODOS

CARTA A UM AMIGO

Sempre tive em alta conta a Amizade, aludo a ela como sendo um marca-passo para todo amigo que dele necessite, uma caneca com água para a amiga já com seus lábios rachados, algo assim como um caminho cheio de nervuras ou de tabuletas com rumos trocados que a gente encontra, mas como um sabe o caminho, lá vão os dois, parecendo-se com os poetas Dante e Virgílio, na Divina Comédia, zanzando pelas plagas infernais.

Já se disse que certas amizades, não raro, têm tanta força quanto o amor, por ser também uma espécie de afeto, não se admite deixar uma amizade sozinha no meio do redemoinho, uma postura que irá afastar o negrume, espantar o espantalho, dirimindo dúvidas, sim, passei por isso, em ambos os lados estive.

A convivência é o pilar, mas há pessoas as quais se tornam unha e carne, com poucas vezes em que se encontram e trocam ideias, conversas de amigos e de amigas, que logo estarão sacramentadas.

Tive e tenho amigos e amigas para os/as quais qualquer adjetivo é pouco, uns me passaram a perna ao não me avisarem de uma certa viagem, e não que eu pretendesse embarcar neste bonde ou foguete, mas a gente fica assim num sopor danado quando eles/elas viajam, sim, já nem se sabe abrir uma porta, sem tropeçar, pelo que se solta um solene, virtuoso ou escandalizante palavrão, mandando tudo às favas.

Amizade, por exemplo, como a que há entre os de um lar de idosos é um verdadeiro achado, e eu não digo isso como charla, pilhéria ou desrespeito – longe de mim tal acinte, atitude de miúdos, tamanha aleivosia.

Os vovôs jogam damas ou apertam bolas de borracha, bombeando as mãos, algo assim como quando você vai submeter-se a uma coleta de sangue, para algum hemograma necessário, e a enfermeira lhe pede para abrir e fechar a mão, com vigor, mas devagar, e lá vem picada. Os vovôs sabem das coisas, tanto é que seu encanto, seu companheirismo está ali, perto e longe do mundo vasto mundo Filho da Mãe Pressa.

Tenho um amigo, o qual tem muitas amigas de fato e amigos idem, que já faz um tempo não está cem por cento. É pessoa de elegância moral, boa cultura, e que decerto tem com ele o peso e a leveza da existência, e por isso mesmo luta para que a porcentagem à qual aludi aí atrás se normalize dentro do possível, dentro das circunstâncias.

Amigo, estamos te esperando para aquela via-sacra no Mercado Central de BH (iremos às bancas de queijos, de cachaças, frutas e legumes, panelas de pedra-sabão, e ao BAR DO MANÉ DOIDO, cujo nome já indica que beleza de bar tradicional, querido em BH), depois, tocar as incríveis canções do Clube da Esquina, e depois já nem sei o que mais.

MERCADO CENTRAL de BELO HORIZONTE-MG

Aquele abraço. Barbaridade, Chê ! Uai !

Darlan

Meu pai – ELVIRO F CUNHA – completaria, hoje, 98, faleceu aos 92. Mestre estatístico do IBGE. Nunca o vi levantar a voz para a minha mãe MARIA JOSÉ, em 62 anos de casados.

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CLUBE DA ESQUINA nº 2 – LÔ e MILTON e BANDA: https://www.youtube.com/watch?v=-83HCIbrfWU

RENATO BORGHETTI: MILONGA PARA AS MISSÕES: https://www.youtube.com/watch?v=ToCMoSVV1Lk