modos

RELÓGIO-CARANGUEJO NO MUNDO NO PAÍS CARANGUEJO. Bar do VALTINHO – MEDINA, MG

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Às vezes, quase sempre, a humanidade mostra quem ela é de fato, o que ou o quanto ela quer e/ou pode, até porque, como diz o povão, na sua insígne escuridão, querer não é poder, mas ninguém segue este conceito ou preceito, vai mais além, e torna as coisas ainda mais difíceis, um sapo difícil de ser engolido. Só rindo, depois, chorar. Neste satírico relógio aí acima, num bar da cidade onde nasci, Medina, no Vale do rio Jequitinhonha, MG, essa beleza dá um tapa de luva e um chute venenoso na bunda da Showciedade. Só rindo, sem chorar, a não ser chorar de rir, de tamanha cegueira cotidiária (não te lembras do José Saramago, no Ensaio sobre a Cegueira ?), de tantos caranguejos danando-se intra e extramuros, eis que nas ruas, nos lares e escritórios não há lugar em que a santa e pagã estupidez não tenha vez de primazia, ó agonia.

Calma, garota, calma, rapaz, vai dar tudo certo, tudo vai bem, tudo legal, cerveja, samba, e amanhã, seo Zé, se acabarem com o teu carnaval ?, diz a canção Comportamento Geral, do saudoso Gonzaguinha, que morou aqui na Pampulha. Mas, vamos que vamos, Uai, ainda que no rastro ou no dizer da plebe ignara, da súcia mefistofélica, da ralé social, dos párias (uma das castas da Índia, bem rente ao chão). Vâmo qui vâmo, coroados e coroadas, à sempre-viva, sempre rindo, ó vidinha obscura é este enredo pela metade, e quase tudo se torna ou fica no dandismo, feminismo, machismo, e mil outros ismos, e no domingo aquela galinhada e aquela macarronada, segunda-feira é só outro dia – sábias palavras. Bom, vou cuidar da minha horta, porque plantar jardim só nos dá a feroz inveja alheia, o Cão nosso de todo o sempre; então, nada de pôr a barba de molho ou de esquentar sofá, abrindo a geladeira, o mundo é vasto mundo, mesmo ou ainda se mais pegando fogo:

REGIÃO do bairro ESTRELA DALVA, VISTA A PARTIR DO APÊ no bairro BURITIS, BELO HORIZONTE.

Nada como uma noite diferente, a qual talvez seja capaz de nos fazer pensar de um modo diferente a respeito de tantos fatos a dois palmos do nariz, que passam despercebidos. Neste fogaréu aí acima, felizmente, ninguém se feriu. Fiz a foto, e continuei a fazer o que sei: pensar, e então, que a ação sugerida no verbo agir só venha em função disso: pensar. Calma, boa gente, tem coisa boa para essa tua sexta-feira, dia 14:

E MAIS NÃO E DIGA… BENVINDOS, AMIGAS & AMIGOS.

Darlan M Cunha

ELZA SOARES canta COMPORTAMENTO GERAL (GONZAGUINHA): https://www.youtube.com/watch?v=Ttn6V_r3D9Y

Sem rumo ? Endereços para o sábado.

O infinito humor brasileiro

@1.

Este aí acima, há muitos anos, me fez rir como nunca, entre umas & outras, tanto que já nem sei mais onde era, se talvez ainda exista. Já vimos muitos nomes espirituosos de lugares, bares, mercearias – aqui pertinho de BH, em Rio Acima, a mercearia ao lado da igreja matriz tem nome Vovô Benzinho, e o meu quase xará Landar com o famoso Bar & Restaurante “Os Lábios Sedosos do Diabo”, aqui em BH tivemos o Tom Chopim, e em São Paulo o João Sebastião Bar, nomes sui-generis, que pegam no gosto e entram no bom humor geral. Tudo maluco, sem Pinel (gloriosa Casa de Saúde, vamos respeitar).

É… será que faliu, o canavial mixou ? Se bem me lembro, é em Nova Lima, MG
em BELO HORIZONTE. “Devagar… e sempre.”

@2.

O mês de outubro se fez valer com muitos agravos gerais, o mundo inteiro continua na individualidade, embora já agora, sete meses após a explosão, já comecem, de mentira, a se darem as mãos ou as garras. Não se iludam, pois a guerra das vacinas vai durar pelo menos até o meio do ano 2021, a ganância não tem fim, cheia de hipérboles, a ira é um sol, é um membro de lagarto, ou seja, que se regenera todos os dias, uma vez perdida uma parte de sua força, ela se regenera. Não durma, que o sono é o prelúdio da morte. (acho que esta última frase é do Shakespeare, mas são tantas frases, livros, conversas e silêncios…).

@3.

Amadas e Caros, vamos que vamos. Agora mesmo deverei sair, para voltar logo logo, porque, sair de casa é mexer no bolso, e assim é que, seguindo o conselho do meu sábio amigo Quincas Berro de Mágoas, eu deixo os bolsos em casa, se vou à rua, sim, onde tudo acontece. Destrinchem devagar.

São Tomé disse: “Só vendo pra crer.” Azar é o dele. Destrinche devagar.

Darlan M Cunha

roda mundo roda moinho

KANAMARA MATSURI = FESTIVAL DOS PÊNIS (Anual, em Abril). Cidade de KAWASAKI, JAPÃO.

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A VERY OLD PARTY   //   UMA FESTA MUITO ANTIGA

In the community of Kawasaki, Japan, there is an annual party whose focus is on fertility, a party for everyone, which stands out, among other things, for the fact that people carry a replica of penis, be it made of wood, metal, plastic, yes, a penis, a clear sign of fertilization. There was and there is no society without a party, and this is a very old party, without taboo, it is from when Tokyo was called Edo, that is, there at the beginning of the world, a thousand and a thousand years before you tie a dog with sausage, before St. Thomas – who only believes seeing – use diapers.

Na comunidade de Kawasaki, no Japão, há uma festa anual cujo foco é a fertilidade, uma festa para todos de todas, a qual se destaca, entre outras coisas, pelo fato de que as pessoas carregam uma réplica de pênis, seja de madeira, de metal, de plástico, sim, um pênis, um sinal evidente de fertilização. Não houve e não há sociedade sem festa. Esta é uma festa muito antiga, sem tabu, é de desde quando Tóquio chamava-se Edo, ou seja, lá no começo do mundo, mil e mais mil anos antes antes de se amarrar cachorro com linguiça, antes de São Tomé – que só acredita vendo – usar fraldas.

THE PARTY // O FESTIVAL: https://terraavista.blogosfera.uol.com.br/2019/04/06/no-japao-festa-do-penis-era-sobre-fertilidade-hoje-e-sobre-diversidade/

No Blog “Terra à vista“, de FELIPE VAN DEURSEN

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: darlan m cunha

de molho, pensar

Tipiti (estes objetos aí não são tipiti, mas lembram aquele tipo de cesto indígena, de uns dois metros, feito para prensar massa de mandioca, comprido e fino, fica pendurado, gotejando. Vi na Amazônia. (Esta obra de arte eu a fotografei num hipermercado próximo à minha casa, BH. Não soube o nome do/da artista, infelizmente).
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@1

Acho que vou começar a escrever um diário, embora um pouco atrasado, mas decerto me lembrarei de algo bem lá atrás e, decerto, esquecer-me-ei de outras estrepolias, ou seja, é a famosa amnésia conveniente. Pensando bem, essa ideia, boa ou não, antes de iniciada, já está descartada.

@2

Ontem, no excelente Mercado Central de BH, vi uma mulher tão tão tão, que me lembrei do poema do Drummond: “dá vontade de comer-lhe o retrato”. Ai ai ai, e lá fui eu às compras, com cinquenta reais, pelo que comprei mais saudades do que feijoão com arroz propriamente ditos, comprei foi água na boca. Mas querias o quê, com 50 pratas no bolso: ir às Cataratas de Iguaçu, à Amazônia, ao Pantanal, ao Pico da Bandeira, ao Banhado do Taím ? Ai de ti, de nós, de mim ! Amo miojo com legumes. Rir é saúde boa, clarividência.

@3

A minha amiga Ana Maria é uma graça, e uma vez ela me disse, lá mesmo na Santa Casa de BH, que, como as férias estavam próximas, ela já estava pensando seriamente em meter a mochila nas costas e fazer o que nunca fizera: conhecer o verbo mochilar, sim, o substantivo mochileiro (palavra que, para mim, vale também como um adjetivo, apesar de que ela não seja considerada assim pelas leis gramaticais, mas seria um belo adjetivo) em todo o seu esplendor. Rimos. E a danada foi e voltou toda feliz, ainda com os mil e um odores de Belém, Santarém e São Luís do Maranhão. Rimos de novo, enfim, ela conhecera o que eu, dois séculos antes, fizera: conjugar – ou escalar ? – o verbo mochilar. Pois é, as mulheres são de fato um enigma da pesada.

Foto e texto: Darlan M Cunha

DARLAN toca e canta informalmente JARDIM DA FANTASIA, de PAULINHO PEDRA AZUL (músico, pintor e escritor mineiro). https://www.youtube.com/watch?v=leb0K-yUORA

TONINHO HORTA & LÔ BORGES. MANUEL, O AUDAZ. https://www.youtube.com/watch?v=0hIkFkr2Kqw

Adentre por este recinto, e “solte os cachorros”, como diz a encantadora Adélia Prado.

Cantoria no chuveiro: Ópera dos Mortos (Autran Dourado). O barbeiro de Sevilha (Gioachino Rossini). Com que roupa ? (Noel Rosa)
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Manhã entre manhãs

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Ah, recomeçar recomeçar recomeçar como canções e epidemias, diz a canção Caça à Raposa (Bosco – Blanc), e assim, tropeçando numas hordas sisudas ou no silêncio incomum nas ruas do mundo, ruas já quase nunca de todo desertas, muito embora já com resistências, fui à padaria Pão Divino, perto de casa, aberta 24 horas, pequena, sem badalação, mas limpa e com poucas mas saborosas ofertas. Pão é pão, Mãe é Mãe.

Na volta, vi um casal canino namorando, e acho que ouvi algo assim como “irmos ao cinema” ou quem sabe eu tenha ouvido “vamor deixar de lado os humanos pandemoníacos, vamos para Pasárgada ou para Saturno“.

Feliz da vida, com a cabeça nas nuvens, para variar, quase quebrei a dúzia de ovos e amassei os saborosos pãezinhos quentes e os iogurtes, e a garrafa de vodka escapou por pouco de uma quina perversa

mas sobrevivi à saída, voltei para casa cão e calvo. Grato pelos risos, cabíveis sim nesse tempo de apreensões redobradas. Amadas e Caros, cuidemo-nos, e lembremo-nos dos que se foram e… Todo cuidado é pouco. Sem paranoia.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

JOÃO BOSCO // ALDIR BLANC. Caça à raposa. https://www.youtube.com/results?search_query=ca%C3%A7a+a+raposa+jo%C3%A3o+bosco+

Ô ôme çem rumo derfinido, Uai !

com mel e gengibre ralado
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Bicho de Pelúcia

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Mensagem em letras grandes à porta de um bar

no centro de Londres diz que “onde há sabão, há esperança”

e isto com certeza pode ativar nalgum cliente

ou nalgum passante a ilusória sensação

de segurança dentro da palavra esperança.

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Stuffed animal

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Large print message outside a bar in central

London says “where there is soap, there is hope”

and this can definitely activate on some customer

or some passing illusionary sensation

of security within the word hope.

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DeepL.com, Deutschland. March 2020

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Roça. MEDINA, MG, BRASIL
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Foto e poema: Darlan M Cunha

RENATO ANDRADE e ALMIR SATER (violas). SAGARANA: https://www.youtube.com/watch?v=nV4SLBwZNP0