ODEIO RIR (nem há motivos, mas de vez quando surge um lava-almas. Leia:

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quem tem net precisa estalar tv digital

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     Hoje, por volta das dez da manhã, eu bebia caipivodka, quando li essa beleza aí acima, da minha querida NET, e não houve como não rir, abrir-me feito mala velha. Logo, para esclarecer ou para anuviar ainda mais tal questão, minha resposta à pergunta “Quem tem NET precisa estalar tv digital ?” é: “Sim, compre um martelo, massacre o aparelho, sem dó, ao estilo dos guerreiros do velho GÊNGIS-CÃO, ou ao modo dos soldados espanhóis contra os Astecas, enfim, ao estilo de tantos chefes glorificados através dos tempos.

     Agora, quando você for instalar, proceda de OUTRA maneira !

Darlan M Cunha

(Começando os preparativos para o almoço dominical, cuidando dos pescoços de peru, já sob pressão, bem condimentados, com caldo, batatas, etc)

Saldo do dia: cefaleia, dívidas, despejo, o dono do bar olhando de soslaio…

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,.. mas Deus ajuda quem madruga

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Estou pensando sériamente em mudar de postura,

sair desta vida dura, parar de viver no pindura,

nada de delícias e gostosuras várias, dárias, não

porque já estou de fato resolvido que doravante

serei mau amante, mercador de glostora, de jurubeba e do

horrível perfume lancaster, que tonteia gatas e gatos, sim

prometo ser uma nova criatura com outra postura

perante o mundo mau, cara de pau, embora eu não

me chame raimundo e nem segismundo, e acho até

que já nem tenho nome, sou o que todo mundo é:

apenas número na carceragem, no inss, no exército,

no banco, nos dedos do taxista (são R$52,00, cavalheiro, e pague por inteiro),

sim, prometo-me que um dia serei rei, bei, marajá

e com a bela e sábia Xerazade irei me deitar.

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Foto e poema: Darlan M Cunha

Cismas e sismos da minha aldeia – 7

acidente caseiro. antebraço esquerdo

acidente caseiro, antebraço esquerdo

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     Na minha aldeia há um só idioma, resultante da mistura de outros, banidos. Surdo, cego e mudo eram os idiomas, melhor, os dialetos que viviam surrando-se entre si, destruindo num dia o que no dia anterior se erguera. Após muitas baixas, certo grau de razão, muito pelo fato de que já não nasciam crianças, porque presas fáceis para o rapto, serviam de fonte de renda para os de idiomas rivais. Cegos surdos mudos.

     Na minha aldeia não há crimes, não há classificação nem mesmo na nossa Botânica, e nada de gente feia ou bonita. Aqui, a história da feiura e a história da beleza não têm vez, nossas livrarias não vendem estes livros do Umberto Eco. Aqui, onde cismas e sismos estão a postos, somos durões e duronas, cientes de que a vida é um corte sem sutura, de que é preciso estar atento e forte.

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foto e texto: Darlan M Cunha

Rastros da minha aldeia – 6

Da tabacaria à sapataria

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     Nesta aldeia o uso de calçados foi descartado em definitivo, por não se ver neles razão de estarem mostrando-se por aí, gastando o dinheiro familiar. Basta de couro de jacaré, de sandálias de plástico, de saltos nº 8, 10 e mais; chega de tênis, vamos aos não correlatos, à leitoa assada no rolete, com uma bela maçã na boca, sua pele brilhante estalando.

     Os chineses andam sobre o que fazem de bambu e silêncio, e até dizem que a mais longa caminhada começa com o primeiro passo. Como discordar ? Nossa aldeia, modernizante, vetou o uso de supérfluos como os calçados, pelo que conhece o gosto de vidro e corte, do prazer de terra na sola dos pés, cheiro de água nos dedos (aqui, água tem cheiro, água é seda legítima).

     Não temos loja de nenhum tipo de material. Tudo é no escambo ou troca: uma vaca por dois bois, um homem vale um homem, uma mulher vale uma mulher. Entenda. Nem mais e nem menos. Entenda.

     Aqui é impensável que alguém diga ou escreva, por exemplo, ofensas como esta: ” Prove you’re not a robot, a pingback, a lunatic, a hacker, down machine, a beggar, machine downtime…

     Chutamos a bunda do deus do Tempo: Cronos. É verdade, não há nenhum relógio nestes domínios, dentro das fronteiras desta aldeia, e pelo que sabemos o relógio mais próximo está na capital, a qual evitamos, relógios aos milhões.

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foto e texto: Darlan M Cunha

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Coisas da minha terra – 4

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     Na minha terra, usos e costumes não se perdem assim assim, não, por aqui o critério de perda não se resume na perda em si, vai mais além do fato de, por exemplo, de alguém esquecer um livro, uma sacola, a carteira, algum presente sobre um balcão qualquer, nos tantos lugares aos quais se vai todos os dias (perdi a conta dessas perdas), portanto, o pensamento em geral é de que perdeu-se o vazio da carteira, identidade e tudo lá dentro, mas não se perdeu a identidade que nos faz únicos, conhecidos ou desconhecidos da massa, enterrados num anonimato aceitável, ou pendurado numa potente lâmpada de led.

     Minha terra não tem palmeiras, muito poucas, que o mar é longe (nunca vi o mar, dizem que é bonito, dizem também que é bicho grande e mau, e que há quem nada pelado, no mar aparecem baleias adoidado, calipígias gingando nas marés alta e baixa, e tubarões famintos por uma aventura, piranhas não há no sal do mar). Pois é, aqui, nessa terra de minérios sem fim, o que se vê é um mar ou oceano de esculturas e pinturas ditas do Barroco, mas sou homem oco, só fico assim sentado, pasmado, mau olhado, ilhado, cercado de saudades por todos os lados, quase de todo largado por aí, asfixiado debaixo de tanta igreja. Mas vou ao BarTolo, pois nem mineiro é de ferro. Um ditado bem mineiro diz Tem isso aí ?” “Tem, mas acabou.”

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foto e texto: Darlan M Cunha

Sestros da minha terra – 3

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     Na minha terra, que nunca mais vi, tinha um rapaz meio abilolado, de nome romano Suetônio,* de bom porte, bom para suspiros, mas abilolado, bom para a molecada que caía na pele dele, sem dó, como é geral nas crianças o fato de serem especialmente perversas, bem treinadas que são por pais e escolas, pelo mundo cheio de orquidários, planetários e bibliotecas deixadas às traças. Penitenciárias sempre nos vídeos do dia. O pai do Suetônio, Antônio Alvarenga da Costa – quase nome de inconfidente – fã dos eventos em Roma e na Grécia, quase sempre encontrava na pequena bibioteca municipal algo a respeito de gregos e romanos, mas evitava gaúchos e baianos, porque a nossa história estava engatinhando, muito pouco dela lhe despertava a atenção, e que, a não ser pela covardia da tríplice aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai, contra o Paraguai, e pelo massacre do místico Antônio Conselheiro, e seus milhares de esfarrapados seguidores, mortos pelas forças da Nação, em Canudos, quase mais nada havia, restando esperar por eventos marcantes, edificantes, ele dizia. Mas Suetônio pagou o pato, pagou pelo interesse literário ou histórico do pai, e assim não tinha sossego na aldeia onde a molecada insistia em lhe arrancar a fórceps o bom-humor, o sono, a educação, porque o chamavam de Seu Antônio, enquanto corriam e caíam na gargalhada as crianças e os adolescentes todos uns fdp, como ele dizia, levando o peso do nome romano transformado em pilhéria. A vida é breve, o mundo costuma ser mau.

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Suetônio*: O historiador romano Caio Suetônio Tranquilo (69 d.C./ 141 d.C.), foi também secretário do Imperador Adriano.

Foto e texto: Darlan M Cunha

remédio de amplo espectro: Rir

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Reginaldo e o Imperador-Cacatua, Zé I O Iluminado, O Venturoso

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       A que vem tanto apego às estátuas em alto e baixo relevo, de bronze, ferro, gesso, aço, madeira, plástico, fibra de vidro, granito e mármore, em todo  lugar, menos nos polos, por enquanto: busto e cabeça, cabeça, mãos (hollywood), pés (futebol), homem montado em cavalo, homem de pé com chapéu na mão, mulher olhando destemidamente para o futuro, homem e cão em pedestal magnífico, homem com espada, um homem por trás dos óculos (Vinícius // Drummond). Para que tanta estátua no meio do caminho ? Não vou desmerecer alguns homenageados, está fora de questão, mas a partir de agora exijo que no momento propício, que é agora mesmo, me façam uma homenagem toda em granito com filigranas de diamantes lá de Diamantina e ouro da Mina de Morro Velho (Nova Lima). Meu caráter é mole, preciso de granito, ferro, aço, kevlar e diamante, pois já que judeus e cristãos dizem que sou de barro, preciso destes materiais, com  esta inscrição:

     A Aldeia homenageia Darlan, sábio entre sábios, satírico entre desalmados, é um dos nossos, doutor entre doutores e mestres, elevado à enésima potência, este garoto peralta que azucrina a Aldeia, zanzando com amigos de infância, e amigas e mais amigas, ele que mais de uma vez viveu dias ruins, falcatruas, corrupções medonhas, mas aos gênios e às crianças tudo se perdoa, embora ele tenha dormido sob as asas da Lei mais de uma vez, sempre dizendo que a comida do cárcere é a melhor porque é de graça, e tem hora certa de chegar. Então, eis a justa homenagem da nossa modesta sociedade ao grande artista e grande sábio Darlan, também conhecido pelo epíteto ou alcunha ou saboroso nome ou graduação de Landar I, O Magnífico.

 

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assina: Toda a ALDEIA

das levezas

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       O leque é muito antigo, oriental, assim como, por exemplo, a pipa, ela também é de origem oriental, mais precisamente, outro legado chinês. Fico pensando em como, numa sociedade tão maquinizada, certos objetos ainda têm vida, e até prevalência. Vejamos o caso do martelo: como se pode aposentar o humilde martelo, sim, aquele mesmo que de vez em quando acerta teu dedo de descuidado ou de levemente embriagado ? Então, viva o martelo, a pipa, a pólvora, a flauta de bambu, a enxada, o leque, o alaúde – pai do violão -, viva o CARNEVAL, viva tudo, viva eu, viva você.

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foto e texto: Darlan M Cunha