Um lugar para todos: histriônicos, felinos, paus-mandados, frenéticos do sexo pro agressivo, artífices das flores do mal, de solstícios e equinócios repintados à mão [falsos]; sinônimo de perigeu, há porcos-espinho, víboras e salamandras, salários sem crédito, motoristas a soldo da firma A Inenarrável Algazarra da Morte, enfim, eis um lugar para além do bem e do mal – pois é na rua que as coisas acontecem

Minha Neguinha 1

uma das “namoradeiras” de Sabará, MG, Brasil

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LETRAS DE MÚSICAS

Eu faço samba e amor até mais tarde, não tenho a quem prestar satisfação. Escuto a correria da cidade, que alarde, será que é tão difícil amanhecer ? (Samba e amor. Chico Buarque)

Era um homem que vivia lá com seus botões. Sempre dizia que ser homem não é só ter colhões – tem-se que viver, enfrentar a corrente, desde cedo (Um homem, por dentro. Darlan M Cunha)

Desilusão, desilusão, danço eu, dança você, na dança da solidão (Dança da Solidão. Paulinho da Viola)

Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor (Nelson Cavaquinho // Guilherme de Brito  // Alcides Caminha

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foto: Darlan M Cunha

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mães, avós, bisavós, trisavós – 2

boneca 2

arte: Maria José M Cunha (84 anos)

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     Nasci de madrugada, mas não foi isso o que me fez insone, que me faz ir de madrugada à mesa sempre posta, à geladeira, a um livro, à janela ou ao banheiro, embora não tenha certeza da razão exata deste jeito de ser, de trocar o dia pela noite. Pensando melhor, não sou nada disso, só metade disso, ou, como diz o título do documentário sobre o poeta Manoel de Barros, dirigido por Pedro Cezar – Só dez por cento é mentira – o resto é invenção.

     Nasci no breu, candeeiros, fale baixo, alegria e apreensão iguais em todo parto normal, pinga e café na sala e na cozinha lotada pela vizinhança, otimismo, o desafio da parteira, o suor da mãe, pai nervoso, o nanico chorando, indo direto para a primeira refeição da vida: o colostro.

 

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foto e texto: Darlan M Cunha